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O material, por ter uma superfície que não descasca, é ausente de
substâncias residuais, que podem, em alguns casos, comprometer a qualidade
final do produto. “Esse conjunto de vantagens faz do inox um material
bastante adequado para aplicação em processos fabris de indústrias de
produtos delicados, como alimentos e bebidas, farmacêuticos, químicos,
açúcar e álcool, papel e celulose e higiene e limpeza”, afirma o executivo.
Manolo Verde, gerente-comercial da Inox Tubos, maior fabricante da América
Latina, com capacidade de produção de 18 mil toneladas/ano de tubos
inoxidáveis, relata que, até junho deste ano, o segmento realmente vinha
batendo recordes de produção. Mas que um aumento substancial do custo do
níquel, matéria-prima do inox, freou o ritmo de negócios no segundo
semestre. No final de outubro, Verde afirmou: “hoje o mercado está esperando
a estabilização dos preços para confirmar os investimentos programados.” O
executivo acredita que, no momento, a principal tendência de mercado para o
tubo inox é o segmento de arquitetura e decoração.
Offshore - Mas é um outro segmento, o offshore, onde os
negócios com tubos inox estão ganhando impulso e é alvo de novos
investimentos fabris. Neste mercado, o principal investimento em andamento é
o realizado pela alemã Schulz. A empresa está erguendo três unidades fabris
em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A primeira fábrica entrou em
operação em maio deste ano, produz conexões tubulares e exigiu um
investimento de R$ 60 milhões para uma capacidade de 1 milhão de peças por
ano. A segunda unidade a entrar em operação, prevista para janeiro de 2008,
é a de tubos com costura, acima de 10 polegadas, com capacidade para 6 mil
toneladas/ano, que exigiu um investimento de R$ 44 milhões. E será a
primeira no Brasil a produzir tubos inox com esses diâmetros.
A terceira unidade também apresenta uma proposta inédita no Brasil, a
produção de tubos sem costura com materiais especiais bimetálicos,
combinando inox com aços carbonos ou com ligas, como a de níquel. A fábrica
terá capacidade de produzir 10 mil tonelada/ano e o início da construção
será em 2008, sendo que a primeira fase está prevista para entrar em
operação no final do mesmo ano, após investimentos de R$ 100 milhões. Os
tubos sem costura são de pequeno diâmetro, adequados para aplicação em
equipamentos que trabalham em alta pressão e alta temperatura, como fornos.
“Com esses investimentos, estamos fechando lacunas na cadeia de fornecimento
do inox no Brasil, substituindo importações”, diz o diretor executivo da
Schulz, Marcelo Bueno. Os tubos da Schulz são, como se diz no jargão do
setor, “engenheirados”, ou seja, produzidos sob projeto. O principal foco da
Schulz é o mercado brasileiro offshore, para onde deve se destinar 35% da
produção. “O óleo brasileiro contém níveis elevados de ácidos e é altamente
corrosivo, exige tubos de alta resistência, como os que vamos fabricar no
País”, diz Bueno.
A empresa também vê espaço para seus tubos em outros segmentos do setor de
energia, como biodiesel, etanol e nuclear – os tubos Schulz, importados,
equipam Angra I e II. A Schulz também vê espaço para seus produtos nas
indústrias petroquímicas, em refinarias de petróleo e na indústria de papel
e celulose. Mas a projeção é de que por volta de 45% do faturamento da
empresa seja obtido em exportações, principalmente para os mercados
norte-americano, latino-americano e alemão. “Nossa previsão é de ocupar, de
imediato, 80% a 100% da capacidade das fábricas. Fato que já ocorre na
unidade de conexões”, afirma Bueno.
Outra empresa com investimentos em andamento, visando o mercado brasileiro,
mas também com o objetivo de fortalecer sua presença no exterior, é a
Engemasa, de São Carlos, no interior paulista. A empresa produz tubos em aço
inoxidável e ligas especiais sem costura pelo processo de centrifugação,
material que é principalmente destinado para a produção, na própria Engemasa,
de serpentinas de irradiação e colunas petroquímicas, equipamentos
utilizados em refinarias, na indústria de fertilizantes e na indústria
petroquímica.
A estimativa da Engemasa para 2007 é crescer 31% em relação ao ano anterior,
registrando um faturamento na casa dos US$ 50 milhões, sendo que a metade
por meio de exportações, principalmente para os mercados norte-americano,
europeu e do Oriente Médio. No Brasil, os principais negócios da companhia
neste ano estão relacionados aos projetos de expansão da Petroquímica
União-SP e das refinarias da Petrobrás, especificamente a Gabriel Passos (Regap)
e a Henrique Lage (Revap). A empresa ainda participa de uma licitação para
atender à expansão da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar).
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Para
2008, a expectativa da empresa, relata o gerente de vendas
internacionais, Miguel Avellar, “é de manter o desempenho no mercado
interno e expandir entre 15% e 20% no mercado externo”. Avellar
informa que a Engemasa está realizando um investimento de US$ 2
milhões para aumentar sua capacidade de produção de 150 toneladas
mensais para 200 toneladas/mês, a partir de janeiro de 2008. O
investimento prevê a construção de uma nova instalação com um espaço
construído de 2.500 m², a aquisição de dois novos fornos, uma nova
centrífuga e duas novas máquinas automáticas de soldagem para a
produção de tubos. Para o próximo ano, também está prevista a
aquisição de duas novas máquinas pesadas de usinagem. |
Divulgação |
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Avellar: exportações representam a metade do faturamento |
Tubo sem
costura - O investimento programado de maior impacto, em relação aos
valores envolvidos, vem do segmento de tubos de aço carbono sem costura.
Esse mercado movimenta no Brasil quase 500 mil toneladas anuais, segundo a
Abitam, e tem na V&M, controlada pelo grupo francês Vallourec, seu principal
player. Mas um investimento programado pela própria Vallourec, em parceria
com o grupo japonês Sumitomo, pode dobrar a produção nacional.
As duas empresas anunciaram no primeiro semestre deste ano uma joint venture
para a construção de uma siderúrgica em Jaceaba, Minas Gerais, que deverá
entrar em operação em 2009, após investimento de US$ 1,6 bilhão. A usina
terá capacidade de produzir um milhão de toneladas de aço por ano, sendo que
700 mil toneladas serão destinadas para a produção anual de 600 mil
toneladas de tubos sem costura.
A principal linha de produtos, segundo comunicado da empresa, será a de
tubos petrolíferos sem costura, com diâmetros de 168,3 mm até 406,4 mm. A
unidade contará com instalações de tratamento térmico e linhas de
rosqueamento. A produção terá o mercado internacional como seu principal
destino. Como diz José Adolfo Siqueira, da Abitam, no mercado de tubos
metálicos “é preciso ser um produtor de ‘classe mundial’, ter escala e
estratégia para sobreviver”.
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