|
|
TRATAMENTO
DE ÁGUA
Só química - Há empresas que dão mais ênfase ao produto químico no
resfriamento, em detrimento de complementações com filtros laterais ou de
pré-tratamento. O melhor exemplo é a GE Water & Process Technologies. De
acordo com o líder de marketing técnico Alexandre Magno Moreira, o foco da
empresa, nos últimos dez anos, é condicionar a água de resfriamento apenas
pela rota química, evitando investimentos em equipamentos e aproveitando os
desenvolvimentos do grupo em tecnologia de dispersão. Isso logicamente não
significa uma proibição definitiva a filtros. “Quanto mais limpa a água,
melhor. Se o cliente quiser mesmo investir, tudo bem, mas na maioria das
vezes não consideramos necessário”, reitera o líder.
|
Na visão de Moreira, concentrar-se nas soluções químicas tem a ver com o
desenvolvimento da linha de dispersantes e inibidores de corrosão Continuum AEC e Dianodic Plus, resistentes a halogênios, na década de 90. Com eles,
diz, foi possível operar os sistemas com alto nível de estresse, ou seja,
com limites elevados de sólidos suspensos (até 200 ppm, contra 30 a 40 ppm
dos tratamentos convencionais), dureza cálcio (até 2 mil ppm, contra menor
que 400 ppm) e condutividade elevada (até 6 mil mS por cm2). Além disso,
continua, a faixa de pH para operação também é mais larga, de 6,8 a 9 contra
7 a 8,2 do mercado. “Com isso, as unidades elevam os ciclos e diminuem as
purgas forçadas”, afirma. |
 |
|
Moreira confia nos dispersantes para aumentar os ciclos |
Segundo Moreira,
duas patentes de produtos são fundamentais para manter a meta de evitar
equipamentos para melhoria do tratamento. O primeiro é o HPS-1 (high
phosphate solubility), polímero capaz de inibir precipitações de altas
concentrações de fosfato, o que garantiria um índice de dispersão acima de
80%, potencializando sua função de inibição de corrosão nos metais. O outro
é o AEC (alquil-epóxi-carboxilato), que inibe incrustações de cálcio, ferro
e outros parâmetros. Por ter ação condicionante, o dispersante permite a
estabilização da água para corrosão e deposição em sistemas com elevados
teores de sólidos suspensos, condutividade, dureza cálcio, reduzidas
velocidades de água e elevadas temperaturas de películas.
Os produtos, explica Moreira, têm sido mais usados em clientes com projetos
de expansão, que não querem investir em equipamentos de purga, trocadores de
calor, ou seja, no sistema mecânico de resfriamento das torres. Apenas com o
alto desempenho químico dos produtos, a expansão já se torna viável. Mas a
tendência, para ele, é usar as novas moléculas, mais caras, para substituir
toda a linha de polímeros convencionais que a GE ainda comercializa. “Faz
parte de uma diretriz global da empresa trocar em um prazo de no máximo
cinco anos todos os produtos pela sua versão tecnológica mais avançada”,
diz.
Seguindo a tendência de atender à demanda por ciclos altos, para 2008 a GE
promete aumentar seu portfólio de produtos especializados. O principal deve
ser o lançamento de um dispersante para sílica. “O novo polímero favorecerá
o reúso de água em torres, elevando ainda mais o ciclo médio de
concentração”, completa Moreira, que durante muitos anos foi o gerente da GE
(ex-Betz) no pólo petroquímico de Camaçari-BA , tendo sido transferido para
o escritório central da GE em Cotia-SP no início de 2007 para assumir o
cargo de caráter regional para a América Latina.
|
Mais ciclo alto - Outro competidor que deposita bastante confiança na
manipulação de moléculas químicas para aumentar as campanhas dos
clientes é a Clariant. Segundo explicou o gerente técnico para a
América Latina, Reinaldo Saito, esse diferencial viria do conhecimento
em inverter grupos funcionais de polímeros empregados por todos os
formuladores. Fato que ele considera possível de ocorrer com o centro
de desenvolvimento da Clariant, grande produtor químico global. Dessa
forma, Saito acredita que o uso de filtros para melhoria se
justificaria apenas nos casos em que a química, depois de todas as
tentativas, não conseguisse garantir a recirculação em ciclos
elevados.
Foi manipulando seus produtos, por exemplo, que a empresa, segundo
revela o gerente de tratamento de águas da Clariant, Alexandre dos
Santos, conseguiu elevar os ciclos de duas torres com vazão total de
21 mil m3 por hora da Fosfértil, em Uberaba-MG. Uma passou de 4 para
12 ciclos e a outra, de 5 para 15. “Isso foi possível apenas com o
programa do tratamento, sem a intervenção física”, explica.
Mas pode-se afirmar, de certa forma, que a Clariant também emprega
tecnologia de equipamentos em seus tratamentos para torres. Isso
porque boa parte de suas operações para desinfecção tem sido feita com
geradores de dióxido de cloro, produto que a empresa gera in situ por
meio da reação do clorito de sódio (gerado na fábrica em Suzano-SP)
com ácido clorídrico. E, aliás, os equipamentos de menor porte, até 1
kg por hora, são de projeto da própria Clariant, que subcontrata sua
fabricação. Apesar de em breve a empresa começar a usar uma nova rota
para o ClO2, há na atualidade dezenas desses geradores por clientes
diretos ou não da Clariant, segundo contabilizou Santos. |

Saito: filtros só
depois de esgotados todas as alternativas químicas |
|

Santos elevou ciclo de torres da Fosfértil apenas com química |
A desinfecção com
o dióxido de cloro está sendo usada em clientes com problemas sérios de
deposição e microbiologia. Em um cliente, cujo nome prefere ser mantido no
anonimato, o dióxido de cloro e dispersantes foram a solução depois que as
torres sofreram com uma pane de incrustação e biofilme. “Em dois meses
controlamos a deposição do sistema fechado, que tinha até provocado a parada
da unidade produtiva”, relembra Reinaldo Saito.
|
|