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TRATAMENTO
DE ÁGUA
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Ilustração: Gian Paolo la
Barbera |
Resfriamento declara
guerra
ao desperdício de água
Marcelo Furtado
Fotos: Cuca Jorge |
Economizar
água se tornou uma obsessão no mercado de tratamento químico de sistemas de
resfriamento. E não é exagero, mas um diagnóstico fácil de comprovar
principalmente nos grandes clientes químicos e petroquímicos do Brasil.
Basta observar que todas as concorrências e tomadas de preços importantes
hoje se baseiam nas possibilidades de o tratamento aumentar os ciclos de
concentração de sais em operações críticas e proporcionar campanhas longas
sem paradas para manutenção, o que significa menos purgas e reposições de
água nas torres de resfriamento.
O comportamento dos clientes logicamente seduziu os fornecedores, que também
passaram a apresentar sinais “obsessivos-compulsivos”. Para atender às
exigências do mercado, as competidoras foram atrás de uma série de novas
tecnologias, normalmente recorrendo ao vasto portfólio de suas matrizes,
tendo em vista que esse segmento é dominado por grandes grupos
internacionais. Polímeros e soluções químicas de alto desempenho para
permitir a dispersão de agentes incrustantes e o controle microbiológico
mais eficiente, sistemas automatizados de monitoramento e dosagem e projetos
físicos de filtragem para melhorar a qualidade da água foram algumas das
prescrições empregadas para conter o ânimo dos “maníacos” em reduzir custos
nas utilidades industriais.
Todo esse movimento, a despeito da analogia com o comportamento obsessivo
(que no caso da economia de água mais do que se justifica, tamanha a sua
escassez e encarecimento), trouxe no geral efeitos bastante positivos.
Tornou-se comum no Brasil, por exemplo, encontrar operações muito eficientes
de resfriamento industrial em condições de alta criticidade. Ciclos acima de
10, raros até em termos mundiais, passaram a ser apresentados como cases de
sucesso, assim como outros ganhos importantes em operações com água de muito
baixa qualidade, como na PqU, em Capuava-SP, ou exemplos raríssimos de
sistemas funcionando com 30 ciclos de concentração, como ocorre na unidade
da Ultrafértil, em Araucária-PR.
Filtros laterais - Se depender do ânimo dos competidores, esses
resultados devem se alastrar pelo País. Qualquer um deles tem soluções para
ofertar e, se despendem tempo para arquitetar novos planos, com certeza
envolvem maneiras de diminuir as purgas dos clientes e reduzir o consumo de
água. Um exemplo importante ocorre na Kurita, uma das mais tradicionais da
área, com várias contas de resfriamento por todo o Brasil, e que se preparou
recentemente para melhorar o rendimento dos tratamentos por meio do auxílio
de sistemas físicos.
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Segundo
explicou o superintendente de operações, José Aguiar Jr., trata-se de
uso de filtros laterais (side-filters), empregados na linha das
torres, ou de filtros de pré-tratamento das torres, ambos com as
propriedades de reter particulados e assim permitir o aumento de
campanhas. Para atender a essa decisão estratégica, a Kurita está
projetando filtros de areia com vazão de 100 a 300 m3 por hora para
seus clientes químicos. Já foram feitos por volta de doze filtros
laterais, com a função de recircular de 2% a 5% da vazão das torres.
Na opinião de Aguiar, a Kurita entende que esta é a melhor maneira de
atingir as metas de ciclos altos, mesmo que para isso também seja
fundamental contar com polímeros e outros insumos mais eficientes para
levar o tratamento ao estresse. Na Copesul, onde a empresa trata todas
as torres de resfriamento e atinge 10 ciclos de concentração, houve a
opção pelos filtros laterais. Na Riopol, também sob responsabilidade
da empresa, por outro lado, não houve necessidade, já que a
petroquímica conta com água clarificada de boa qualidade. |
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Aguiar: filtros laterais para aumentar as campanhas |
A decisão da
Kurita em criar alternativas mais eficientes de tratamento é o resultado do
acompanhamento da evolução do mercado, hoje mais preocupado em conter seus
gastos com a água. “Há dez anos, a torre petroquímica padrão tinha perdas
por respingo no arraste de cerca de 0,1% a 0,2%. Hoje, essa taxa caiu para
0,03%”, relembra Aguiar. “E isso mesmo sabendo que as perdas hoje
praticamente apenas são toleradas no respingo, já que as purgas tendem a ser
zeradas nas principais empresas do ramo”, complementa o gerente técnico da
Kurita, Antonio Ricardo Carvalho.
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Optar pelo aprimoramento da operação com filtros, para Carvalho, também
requer alguns cuidados. Em primeiro lugar, a escolha precisa recair sobre os
filtros de areia. Isso porque muitas empresas utilizavam os de tela, cuja
filtragem por contato deixa passar particulados para as torres. Já os de
areia retêm os particulados pela granulometria, os quais param na areia ao
aumentarem de volume. “A escolha errada do filtro fez alguns fornecedores e
clientes desconfiarem da eficácia desse suporte do tratamento, o que a nossa
experiência mostrou ser completamente o contrário”, diz Carvalho.
Aliado ao suporte dos filtros, a empresa não descarta a importância dos
produtos. A linha de dispersantes especiais Kuriroyal entra na terceira
geração em seus principais clientes, como na Copesul, cuja torre da nova
planta 3 parte em dezembro já com a nova versão. A da planta 2 opera
há dois anos com a família e vem demonstrando ganho de eficiência de
até 15%, segundo revelou Aguar. A planta 1 da petroquímica, depois de
rodar por sete anos contínuos com a segunda geração, vai parar |
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Carvalho: em breve, novo dispersante para ciclos altos |
para manutenção em
abril de 2008, quando os dispersantes passarão por upgrade.
Nessa linha de atender à demanda de operações críticas em ciclos altos, a
Kurita promete em breve, provavelmente daqui a seis meses, fazer um
lançamento mundial de um novo dispersante voltado para unidades grandes como
as petroquímicas. A novidade foi apresentada há pouco tempo em um seminário
técnico interno na matriz japonesa, do qual participou o gerente Antonio
Ricardo. “A tendência da indústria petroquímica mundial é de reduzir ao
máximo seus custos de utilidades e a pesquisa da empresa está atenta a
isso”, completou Carvalho.
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