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Na opinião de Angela Martins, gerente de vendas e marketing de Home &
Personal Care da Ciba para a América Latina, o mercado de proteção solar
enfrenta situações paradoxais. “As pessoas estão cada vez mais conscientes
dos danos causados pela exposição solar à pele, como o envelhecimento
precoce, o aparecimento de manchas e o desenvolvimento de câncer.” Isso é
muito positivo e ocorre em grande parte devido à educativa divulgação feita
pelos órgãos de imprensa e, com isso, a demanda por protetores solares só
tende a aumentar. Por outro lado, segundo ela apontou, algumas empresas
fornecedoras de matérias-primas apresentam certa dificuldade em lançar com
grande agilidade moléculas para filtros, pelo menos no ritmo imposto por
esse mercado cada vez mais dinâmico.
“Para se ter clareza sobre essa questão, as pessoas precisam saber que o
desenvolvimento de novas moléculas de absorvedores UV demanda, em média,
algo em torno de sete anos. Além desse período de ‘incubação’, devemos somar
o período necessário à sua aprovação pelos órgãos regulamentadores que irão
determinar as restrições de concentração para o uso das substâncias.”
“O FDA (Food and Drugs Administration), acredite, demora aproximadamente
dez anos para aprovar uma nova molécula de absorvedor UV”, informou em tom
de desabafo a gerente Angela Martins.
Divergência retardou evolução – Na avaliação dos especialistas, os
usuários de filtros solares estão muito bem familiarizados com o significado
do Fator de Proteção Solar (FPS). Esse parâmetro clínico é adotado há
algumas décadas em filtros para proteger e evitar a formação de eritemas
(vermelhidões) e queimaduras na pele, mas, que fique bem claro, oferece
apenas proteção contra as radiações UVB, a parte da radiação ultravioleta
que penetra até a epiderme e apresenta comprimentos de onda entre 290 e 320
nm, associada mais recentemente não só a queimaduras, mas também ao
surgimento de câncer de pele.
“Tecnicamente, portanto, o FPS só diz respeito à proteção UVB. Entretanto, a
falta de consenso em relação aos parâmetros de proteção que deveriam ser
adotados em relação às radiações UVA – parte das radiações UV que apresenta
comprimentos de onda entre 320 nm e 400 nm e penetra na pele até a derme,
considerada a principal responsável pelo fotoenvelhecimento e também por
casos já relatados de câncer de pele –, cujas metodologias vêm sendo
discutidas há quase vinte anos, além de deixar os usuários confusos, também
os deixaram desprotegidos e, com um agravante: o protetor solar que
apresenta apenas a proteção na faixa das radiações UVB retira o “alarme”
natural de vermelhidão que seria disparado pela pele quando exposta em
excesso aos raios solares, permitindo que os raios UVA
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atuem
livremente e penetrem mais profundamente – até a derme – provocando
efeitos danosos, como o fotoenvelhecimento, sem que a pele apresente qualquer sinal de queimadura.
Essa espécie de efeito adverso do filtro solar com alta proteção UVB, aliás,
conforme Angela Martins, já causou muita polêmica nos Estados Unidos.
Naquele país, usuários de filtros solares chegaram a processar fabricantes
pelo entendimento de que os filtros UVB prometeram uma falsa proteção total,
tomando por base inclusive informações constantes nos rótulos.
“Portanto, enquanto há quase unanimidade em relação à adoção da metodologia
para a caracterização de filtros com proteção UVB ao redor do mundo, as
discussões técnicas sobre a proteção UVA são amplas e controversas”,
considerou Angela. |
Cuca Jorge |
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Ângela: filtros que não
barram UVA são perigosos |
Um desses métodos, o padrão australiano, método “in vitro” pelo qual se
calcula a transmissão da radiação UVA, prega que a proteção UVA deve
absorver 90% das radiações na faixa de 320 até 360 nm. “Esse método, porém,
apresenta a desvantagem de não oferecer cobertura integral a toda a faixa da
radiação UVA, que vai desde 320 até 400 nm, não levando em conta também a
fotoestabilidade”, alertou Danielle.
Se tomarmos outra metodologia “in vitro”, como o comprimento crítico de
onda, por meio do qual se considera a área necessária quando a proteção UVB/UVA
alcançar 90% de proteção, e cuja medida mínima deva ser 370 nm, requisito
recomendado pela Colipa, também é importante observar, de acordo com as
especialistas da Ciba, que não está sendo considerada a comprovação da
fotoestabilidade.
Métodos não faltam – Amplamente utilizada em vários países, a
metodologia “in vivo”, conhecida como “método japonês”, determina de forma
semelhante ao FPS quantas vezes o produto protege a pele da radiação UVA,
apresentando boa correlação “in vitro”, e, por isso, foi escolhida, segundo
apontaram as especialistas da Ciba, como um dos parâmetros para as novas
recomendações da Colipa.
Outro método “in vitro”, que também desconsidera a fotoestabilidade,
determina a razão entre as proteções UVB e UVA por meio de cálculo do
espectro do produto.
Nos últimos tempos, porém, novas regulamentações deram novo rumo às
metodologias nos âmbitos da Colipa e da FDA. Em janeiro deste ano, a Colipa
recomendou que a proteção UVA deve corresponder a, no mínimo, um terço da
proteção UVB. Assim, se o FPS do filtro UVB for igual a 30 (FPS=30), a
proteção UVA deverá ser, no mínimo, de 10 PPD (pigments permanent
darkening).
O objetivo da Colipa nesse caso, conforme interpreta Angela Martins, é
facilitar ao consumidor o entendimento do nível de proteção UVA cujas
informações irão constar dos rótulos. “Desse modo, se o produto cumprir o
requisito de proteção UVA fotoestável em pelo menos um terço do nível do FPS,
medido em PPD, o filtro poderá utilizar o apelo de proteção UVA”, informou.
Em sintonia com a nova recomendação da Colipa, uma nova proposta da FDA
também pretende facilitar o entendimento da proteção UVA por parte da
população. Mas, além de levar em conta a fotoestabilidade, relacionar o
nível de proteção UVA (segundo razão UVA/UVB em PPD) com a proteção UVB (FPS),
essa nova proposta classifica em ranking os diferentes níveis de proteção
UVA, delegando aos produtos, conforme se observa nos hotéis, classificações
por uma, duas, três ou até quatro estrelas.
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