FILTRO SOLAR    cosméticos



Cuca Jorge

 

Indústria cosmética adota química
avançada para
garantir exposição segura dos
consumidores
Rose de Moraes

O sol pode brilhar na primavera, no verão, no outono e no inverno porque a nova geração de protetores para a pele em lançamento no mercado brasileiro evoluiu e muito. Além da tradicional proteção contra as radiações UVB – parte das radiações ultravioleta com comprimentos de onda entre 290 nanômetros (nm) e 320 nm –, reconhecida por vários Fatores de Proteção Solar (FPS), as fórmulas passaram a contar com a proteção contra as radiações UVA (radiações ultravioleta com comprimentos de onda entre 320 nm e 400 nm), e com complexos hidratantes, componentes anti-radicais livres e também com comprovada fotoestabilidade.

A importância da evolução dos filtros e protetores poderá ser sentida na pele dos brasileiros, agora menos expostos ao envelhecimento precoce, às rugas e aos melanomas. Outra grande exigência para os protetores também está sendo atentamente observada pelos fabricantes, que é não se decompor em apenas quinze minutos sob o sol, deixando os indivíduos totalmente desprotegidos das radiações sem o seu conhecimento.

A fotoestabilidade, realmente, constitui um dos aspectos mais importantes para se avaliar a qualidade e a proteção que devem estar presentes nos filtros. A primeira companhia a desenvolver uma molécula fotoestável para proteção UVA foi a L´Oreal. Patenteada, essa molécula, porém, não pôde ser comercializada às centenas de fabricantes de filtros solares existentes no mundo.

Assim, abriu caminho para a Ciba, primeira empresa a comercializar no mundo moléculas de filtros absorvedores com proteção UVA fotoestável.

Comprovar fotoestabilidade, portanto, é essencial a um filtro solar. “De nada adianta cobrir a pele com um ‘protetor’ se o filtro não for estável aos raios solares, pois irá se degradar após os primeiros quinze minutos depois da aplicação”, comentou Danielle Navarro Sanches, pesquisadora e responsável pelo marketing técnico de Home & Personal Care da Ciba para a América Latina, conforme ocorria há bem pouco tempo com moléculas, como as avobenzonas não-estabilizadas.

Fabricadas nos laboratórios da Ciba na Suíça, as moléculas mais avançadas pertencem à linha Tinosorb e já possuem nome genérico nos Estados Unidos (US Adopted Names), respectivamente Bisoctrizole (Tinosorb M) e Bemotrizinol (Tinosorb S). Quimicamente, são compostas de Metileno Bis-Benzoriazolil Tetramethylbutilfenol (Tinosorb M) e Bis-Etilhexiloxifenol Metoxiphenil Triazine (Tinosorb S).

Tinosorb M é um filtro absolutamente inovador. Insolúvel, introduz no campo dos filtros solares uma nova classe de absorvedores capaz de cumprir dupla função. Ou seja, tanto absorve energia como também a reflete.

Como filtro químico, absorve a energia solar e a transforma em calor, sem interferir na epiderme. Como filtro físico, reflete as radiações. Sua segurança em grande parte está associada ao seu peso molecular. Tinosorb M tem peso molecular correspondente a 658, sendo considerado altamente eficaz na proteção UVA, principalmente ao filtrar as radiações longas, entre 360 e 400 nm, e é fornecido na forma de dispersão aquosa a 50% para ser adicionado na emulsão já formada. “É um filtro especial que inaugurou uma nova classe de absorvedores”, frisou Danielle.

Já Tinosorb S é um filtro solar lipossolúvel para a incorporação na fase oleosa da emulsão. “Tinosorb S também segue a nova tendência de criar moléculas com peso molecular superior a 500 Daltons, conforme recomenda a regra, e apresenta peso molecular correspondente a 627, possuindo mais alta eficiência na faixa de espectro curto, ou seja, atua também entre 320 e 360 nm”, acrescentou Danielle.

As novas propostas de órgãos regulamentadores internacionais visam aumentar a segurança dos filtros solares para que não penetrem na epiderme, tampouco na derme, isentando os usuário de filtros de riscos de

Divulgação

Danielle recomenda usar filtros com peso molecular acima de 500

interação dos seus componentes com as células, tecidos e órgãos humanos.

Filtros nocivos – No entanto, há séculos, a pele, um dos mais belos e sensíveis órgãos do corpo humano, é exposta às agressões das radiações solares, tanto imediatas como cumulativas. A pele, inclusive, pode ser porta de entrada de males causados por substâncias presentes nos próprios filtros. Isso, aliás, vem sendo demonstrado pelas mais recentes pesquisas e descobertas realizadas por cientistas preocupados e dedicados aos estudos nesse campo.

As benzofenonas II, por exemplo, já tiveram seus efeitos nocivos atestados no sentido de comprometer a atividade hormonal de seus usuários e, por isso, foram excluídas da lista de filtros da Colipa (Associação Européia das Indústrias Cosméticas, de Artigos de Toucador e Perfumaria).

A entidade regulamentadora da Comu­nidade Européia, responsável pelas diretrizes, orientações e regulamentações realizadas nesse setor, também vem submetendo à investigação várias outras substâncias utilizadas em filtros. Esse é o caso das benzofenonas III, homossalatos e 4-metilbenzilideno-cânfora, atualmente sob suspeita de causarem atividades estrogênicas e disfunções hormonais, como hipotireoidismo, atrofia da glândula tireóide, causador de vários comprometimentos à saúde que, se não tratados a tempo, podem levar à morte seus portadores.

Um dos responsáveis pela penetração dos filtros na primeira camada da pele, ou seja, na epiderme, de acordo com a farmacêutica Danielle Navarro Sanches, seria o baixo peso molecular das substâncias.

As benzofenonas II têm peso molecular de 228. Os homossalatos apresentam peso molecular correspondente a 262 e o 4-metilbenzilideno-cânfora, 254.

“Por isso, a recomendação é adotar a ‘lei’ dos 500 Daltons, que comprovou que uma molécula é capaz de penetrar através da epiderme quando tem peso molecular menor que 500”, esclareceu Danielle.

De fato, todo o cuidado é pouco quando se trata da pele, pois, além de disfunções hormonais, outras substâncias sob investigação podem aumentar a quantidade de radicais livres e contribuir para o envelhecimento precoce. Nesse caso estão o octocrileno e o metoxicinamato de octila, substâncias que foram alvo do estudo realizado pelo professor Kery-Hanson, da Universidade da Califórnia, concluído em agosto de 2006.

 

 

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