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Um banco público, por exemplo, terá dificuldades de financiar projetos vinculados ao Protocolo de Kioto porque neste caso tudo precisa passar por licitação e as empresas querem bater o martelo sem os meandros da burocracia estatal. Pretz aponta as negociações realizadas recentemente na Bolsa de Mercadorias e de Futuros de São Paulo como uma prática mais interessante e transparente.

O porte dos empreendimentos varia de microcentrais de 1,5 MW até uma usina de geração expressiva de 23 MW. Em estado sólido caroço de algodão, cavacos de madeira, serragem, lenha, babaçu, dendê e casca de arroz. As usinas podem operar a partir de gases provocados em processos de compostagem e líquidos quando o os resíduos de óleo vegetal numa reação ultra-rápida denominada “pirólise flash” viram petróleo, ou melhor, bio-petróleo.

Com relação ao bioóleo, Pretz ensina tratar-se de um líquido negro obtido por meio da biomassa submetida às altas temperaturas em um ambiente isolado com pouco ou nenhum oxigênio. Nesse processo de queima, ao contrário dos combustíveis fósseis, a biomassa é renovável e não aumenta a concentração de poluentes no ar. O gás carbônico absorvido pela planta durante seu crescimento compensa aquele liberado na queima do bioóleo.

De acordo com um manual técnico da PTZ, é possível fracionar o bioóleo e usar parte de sua composição na indústria alimentícia para a defumação. Da mesma forma o petróleo vegetal pode substituir em 50% o fenol petroquímico na produção de resinas fenólicas, usadas como colas nas madeiras compensadas e a fabricação de vernizes e adesivos. Embora difíceis de serem isolados, os compostos derivados do bioóleo (como a vanilina, essência retirada da baunilha, atualmente produzida a partir do bioóleo na França) atingem alto valor de mercado e têm importantes funções. Para Ricardo Pretz o ciclo da biomassa gera processos industriais que são a raiz da engenharia química e da química industrial e o bio-petróleo será a química fina da energia renovável.

Células a combustível – Pretz informa ter ingressado também na comercialização para o Brasil (a patente internacional é restritiva, impedindo a fabricação) das células de combustível, uma forma de energia nuclear limpa onde dispositivos convertem energia química em energia elétrica a partir da liberação de elétrons decorrentes de uma reação ativada por um catalisador. Diversas matérias-primas podem entrar na reação, tais como hidrogênio, metanol, etanol, gás natural, propano, entre outros.

De forma simplificada a literatura especializada descreve o processo em que um dos reagentes, o hidrogênio combustível incorporado ao ânodo da célula combustível e oxidado no catalisador de platina (camada difusiva/catalítica), provoca a produção de dois elétrons e dois prótons. Em seguida, os elétrons produzidos pela reação de oxidação do hidrogênio são transportados por meio de um circuito elétrico e utilizado para produzirem trabalho (corrente contínua).

Por sua vez, os prótons produzidos na reação anódica são transportados do ânodo para o cátodo, através do eletrólito (no centro da célula). No cátodo, o oxigênio é alimentado e reage com os prótons transportados através do eletrólito e com os elétrons provenientes do circuito elétrico (reação cátodo). O produto final da reação no cátodo é o vapor de água.  

Conforme Rogério Saraiva Dantas, engenheiro, da PTZ, a transformação dessas matérias-primas são aplicáveis a diversos tipos conceituais de células, como células a combustível com membrana de troca protônica, células a combustível alcalinas, células a combustível ácido fosfóricas, células a combustível de carbonato fundido e as células a combustível de óxido sólido, onde, basicamente, o elemento que a modifica é o eletrólito (membrana que faz a seleção de transporte dos íons do ânodo para o cátodo).

“Ao observarmos o funcionamento e as descrições relatadas, podemos concluir que esse tipo de geração de energia é composto de diversos fatores ambientais positivos de tal forma a não gerar subprodutos prejudiciais ao meio ambiente. Os sistemas de células a combustível apresentam também a vantagem de emitirem baixos níveis de ruído”, complementa Dantas. Segundo o engenheiro da PTZ, a qualidade da energia produzida possibilita a sua colocação junto aos pontos  de consumo e apresenta igual ou superior eficiência comparativamente com outros sistemas convencionais como a combustão interna dos motores à explosão.

Uma das características das células de combustível é o fato do tamanho do módulo não exercer influência sobre a eficiência do sistema. Por conta disso, podem ser desenvolvidas pequenas centrais de geração elétrica com elevada eficiência, evitando os custos excessivos envolvidos no desenvolvimento das centrais convencionais.

Como resultado, inicialmente, as centrais elétricas com células a combustível foram desenvolvidas para produzirem potências na gama dos kW até aos MW. Outra porta que se abre em produção de energia com células a combustível são sistemas pequenos modulares que apresentam a possibilidade de instalação nas proximidades do ponto de utilização.

O sistema típico produz uma potência elétrica envolvendo emissões de poluentes consideradas desprezíveis, comparativamente com os tradicionais de combustão. As formas de células de combustível mais utilizadas em equipamentos portáteis são as células alcalinas e com membrana de permuta protônica, pois são aquelas com maior performance em relação ao tamanho.

O desenvolvimento de combustível veicular é outra área de interesse de maneira a proporcionar transporte menos poluente e de maior eficiência. Um veículo motorizado que utiliza o hidrogênio emprega um processador para converter esses mesmos combustíveis com poder de tração elétrica eficiente e igualmente com emissão desprezível de gases causadores de chuvas ácidas e do efeito estufa.

Ainda assim, os veículos equipados com células a combustível testados atualmente apresentam as vantagens de disponibilizarem eletricidade extra para componentes do automóvel e de envolverem baixos custos de manutenção, pois mantêm poucas peças em movimento. Os combustíveis com maior potencialidade de utilização são o metanol e o etanol, em razão da facilidade de armazenamento e de abastecimento.

F.C.C.

 
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