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atualidades
O processo de obtenção do biocombustível é denominado transesterificação e
inclui o uso de um álcool para diminuir a viscosidade do óleo e um
catalisador, que promove a aceleração da velocidade do processo reativo. Uma
das linhas da pesquisa busca produzir biodiesel pela rota do etanol (álcool
de origem vegetal) e comparar com a metílica (composição alcoólica derivada
de petróleo), essa última atualmente empregada na indústria de escala.
Iza lembrou que o etanol já é um combustível consagrado no Brasil e funciona
bem em motores ciclo Otto (ignição por faísca) em substituição parcial ou
total à gasolina, mas ainda precisa ser aperfeiçoado na composição dos
motores a diesel acionados por compressão. Estão programadas avaliações de
desempenho de motores com as duas misturas de biodiesel adicionadas ao
diesel derivado de petróleo e consolidação de resultados.
A Cientec tem no horizonte uma série de estudos para aperfeiçoar o biodiesel
e promover os ensaios capazes de apontar sua qualidade e desvendar
alternativas de matérias-primas. Por conta dessas metas, a idéia é processar
um catalisador heterogêneo com formulação mais complexa do que a soda
cáustica (catalisador homogêneo), do qual resultaria um biodiesel mais limpo
e livre de operações de lavagem. A glicerina, um subproduto proveniente da
transesterificação, também sairia mais livre de impurezas da reação, uma vez
que também tem valor de mercado.
Os outros resultados esperados ficam por conta da obtenção da torta de
mamona adequada (desintoxicada) para utilização em ração animal, e das
tortas de mamona e girassol para uso como biofertilizante. No momento, a
Cientec finaliza uma série de estudos para ensaios de qualidade do biodiesel
fabricado nos parâmetros atuais.
O objetivo do projeto é estabelecer protocolos analíticos de controle de
qualidade do produto, a exemplo do que a Fundação já realiza com os
combustíveis convencionais, e caracterizar insumos e produtos do processo de
fabricação de biodiesel.
F. C. C.
AMBIENTES
Projetos limpos obtêm créditos de
carbono
Com mais de
quinze anos de mercado e direcionada à produção exclusiva de bioenergia, a
empresa gaúcha PTZ já ajudou a colocar € 15 milhões no mercado brasileiro em
créditos de carbono, provenientes das negociações relacionadas com os
mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) do protocolo de Kioto, como
informa o diretor do grupo, o engenheiro químico Ricardo Pretz. Os valores
estão relacionados com a construção de 46 usinas termelétricas movidas por
biomassa, as quais se proliferam do extremo sul do país até Roraima. Até o
final do ano serão 50 com sistemas de combustão originárias das mais
variadas formas de biomassa.
No caso da PTZ, Ricardo Pretz informa que a empresa não negocia créditos de
carbono diretamente, mas constrói projetos dentro dos parâmetros e
proporciona o contato dos empreendedores com as empresas credenciadas pelo
governo holandês para realizarem as negociações. Ele aponta a Bioheat
International (Holanda) como uma das mais conceituadas do ramo, por
apresentar bons projetos sem cobrar sobretaxas e comissões do vendedor.
“Existem outros traders”, informa Pretz.
A preferência por ter firmado negócios com empresas dos Países Baixos tem
justificativa. “Os holandeses são bons de negócio com crédito de carbono.
Suas equipes são muito bem treinadas e conseguem distinguir um bom projeto
de um inadequado no começo da negociação”, compara Pretz.
Mais recentemente seis projetos da PTZ foram certificados como Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL) de acordo com o protocolo de Kioto. Contudo, o
certificado é o primeiro passo do caminho das pedras. Até receber o dinheiro
o investidor tem pela frente um longo trajeto a percorrer. Para atender as
normas do protocolo a legislação específica é rígida.
Antes da certificação, deve ocorrer um aval mútuo por meio de documentos
expedidos pelos governos do país comprador e do vendedor. Somente após esse
trâmite é que a construção de uma usina ou de um sistema de florestas para
seqüestro de carbono começa a ser executado na prática.
A liberação do dinheiro só sai após um ano de entrada em operação do
projeto, com a verificação realizada pelos auditores a qual define se as
metas são cumpridas. Eles retornam ao empreendimento para realizar medições
posteriores capazes de atestar que o projeto mantém seu compromisso de
reduzir a emissão de gases. Só existe pagamento se houver redução de
emissões dentro do especificado no projeto. Além disso, toda a execução é
fiscalizada pela UNFCCC, Fundo das Nações Unidas para redução das Mudanças
Climáticas – organismo regulador para os negócios com crédito de carbono no
mundo.
Projetos que aguardam recursos de bancos de fomento estão de fora dos
critérios do protocolo. “Os créditos de carbono são exclusivos para quem
depende do dinheiro para implantar MDL. Não adianta buscar aval se o
empreendimento já vinha conseguindo verbas por outros meios”, assinala Pretz.
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