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A Petrobrás é a gestora do projeto, detém a gerência dos desenvolvimentos químicos. Compartilham do trabalho algumas das universidades mais conhecidas do Brasil, como as federais de Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, além da Unicamp, USP e PUC do Rio de Janeiro. Também participam outros órgãos, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e o Inmetro.

Conforme Álvaro Saavedra, diretor do Cenpes, que representou a empresa de energia no evento, a importância da iniciativa dispensa muitas explicações. “A nanociência trabalha com partículas com áreas maiores e as grandes reações químicas presentes nas refinarias ocorrem nas superfícies das substâncias”, ressaltou. A utilidade da ciência não pára por aí. Com a ajuda dela, podem ser desenvolvidos novos materiais usados em aplicações críticas, como as de extração de petróleo em águas profundas. “Esses materiais enfrentam altas temperaturas e pressões e trabalham em locais corrosivos.”

Uma das dificuldades iniciais da rede de nanotecnologia da Petrobrás era direcionar os investimentos. Em outubro de 2006, a companhia montou um primeiro encontro de trabalho, onde compareceram todas as universidades. O objetivo foi conhecer o trabalho que elas desenvolviam. As pesquisas foram consideradas de qualidade, mas muitas não estavam sintonizadas com as suas necessidades.
Em abril deste ano, foi realizado um workshop interno, no qual membros das diferentes áreas da Petrobrás apontaram as soluções que esperavam encontrar. Foram destacados problemas enfrentados em todos os campos de atuação, em especial os de prospecção, produção e refino de petróleo, entre outros.

“Sem dúvida, os maiores desafios se encontram na exploração de petróleo em águas profundas”, contou Saavedra. A exploração se dá a milhares de metros de profundidade e problemas como incrustações nas tubulações podem paralisar a produção de um poço e causar enormes prejuízos. Desenvolver materiais imunes a tais incrustações é uma das maneiras pelas quais as pesquisas em nanotecnologia podem se mostrar valiosas. A descoberta de novas formulações de catalisadores usados no refino é um outro exemplo.

No último mês de agosto, ocorreu um terceiro encontro. Nele, a Petrobrás apresentou seus problemas para as universidades. Estas receberam um prazo até setembro para apresentar linhas de pesquisas que chegassem às soluções adequadas. “Recebemos trinta propostas de projetos”, conta o diretor do Cenpes. Destas, onze já estão priorizadas até o final do ano. Outras doze estão recebendo ajustes. Cinco foram repassadas para as outras redes de nanotecnologia existentes no País. Apenas dois projetos não foram priorizados. “Agora, temos de enfrentar um desafio bastante grande, temos muito a caminhar”, resumiu.

Mobilização têxtil – Durante a Nanotec, um outro setor industrial mostrou que está dando os primeiros passos para investir de forma representativa em nanotecnologia. Trata-se do setor têxtil, um dos ramos da indústria que em breve mais pode sofrer com a futura chegada de importados dotados com a técnica. Não faltam nos países avançados produtos têxteis que apresentam elevado desempenho e custo muito competitivo.

Sylvio Napoli, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), não escondeu a preocupação. “Algo tem de ser feito rapidamente, ainda temos chance de fazer frente a outros países”, afirmou. A associação saiu para o ataque no ano passado, quando criou o Comitê de Nanotecnologia Têxtil e de Confecção. A entidade prepara agora um painel, para o início de 2008, onde apresentará ao MCT e à Finep projetos que envolvam empresas e universidades que podem ser postos em prática no País. A idéia é obter apoio financeiro às pesquisas que sejam úteis para o segmento.

Em termos isolados, algumas companhias já contam com produtos têxteis dotados de materiais nanoparticulados no mercado nacional. Uma delas é a Santista Têxtil – que, no ano passado, lançou a linha de produtos NanoComfort, destinada ao nicho de mercado conhecido como funcional ou workwear, formado por tecidos indicados para a confecção de roupas utilizadas em uniformes de trabalhadores. A Santista Têxtil é líder de mercado nesse segmento no Brasil e no Cone Sul.

Também de renome, a Rhodia apresentou alguns dos produtos que disponibiliza por aqui. Essa multinacional francesa que movimentou em 2006 quase 5 bilhões de euros em todo o mundo, mantém no planeta cinco centros de pesquisa, um dos quais em Paulínia-SP. Nesses centros, a nanotecnologia é uma das prioridades. “Fomos pioneiros no mundo no lançamento de um tecido antibacteriano no ano de 1999”, revelou Thomas Canova, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Rhodia. Hoje, a empresa conta com vários produtos enriquecidos com nanopartículas.

Uma das dificuldades do mercado têxtil, de acordo com Canova, é o grau de complexidade necessário para obter avanços tecnológicos que satisfaçam os desejos dos consumidores. Esses desejos nem sempre são muito claros. Passam por conceitos de conforto, bem-estar e identidade visual, elementos bem subjetivos. Outra tendência que deve ganhar força é a do tecido que permite a conectividade com instrumentos que hoje fazem parte do dia-a-dia, caso dos celulares e sensores.

José Paulo Sant’Anna

 
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