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atualidades De acordo com dados apresentados por Coelho, no mundo, calcula-se que as empresas sejam responsáveis por 58,87% dos investimentos, contra 38,57% dos órgãos oficiais e 2,86% de pessoas físicas. É bom ressaltar que os números sobre o quanto as companhias estão aplicando podem ser superiores, uma vez que muitas delas não revelam suas estratégias. No Brasil, essa proporção é inversa. Estima-se que o governo tenha investido, desde o final do século passado, cerca de R$ 170 milhões. Já as empresas começaram a reagir recentemente. Calcula-se que, até 2006, os investimentos privados alcançaram algo em torno dos R$ 30 milhões. O diretor da Fiesp aponta uma série de atenuantes para justificar a timidez dos empresários nacionais. Uma das maiores dificuldades, explica, encontra-se no dia-a-dia das responsáveis pelas companhias. A instabilidade da economia e o excesso de impostos são fatores que dificultam as resoluções de investimentos. “Há um ano, o dólar valia bem mais do que vale hoje, essa imprevisibilidade é muito ruim para a tomada de decisões”, exemplifica. Outro problema está na dificuldade para se conseguir crédito voltado à pesquisa e ao desenvolvimento. Apesar das dificuldades, Coelho citou o exemplo de empresas nacionais que nos últimos anos estão fazendo esforço para desenvolver produtos nanotecnológicos. São os casos da Suzano Petroquímica, Suggar, Braskem, Clorovale, Indústrias Químicas Taubaté, Nanox, Oxiteno, Santista, Rhodia, Natura, O Boticário, entre outras. Ele também destacou o trabalho realizado pela Embrapa e por várias universidades nacionais. Plano de ação - Em meados de novembro, foi anunciado o novo Plano de Ação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Nele estão previstos investimentos da ordem de R$ 69,99 milhões para a área de nanociência no período de 2007 a 2010. A estratégia contempla algumas medidas. Entre elas, consolidar a infra-estrutura de pesquisa de dez laboratórios regionais de referência para caracterização e manipulação de sistemas nanoestruturados. Também estão previstos o apoio para, no mínimo, vinte projetos/ano cooperativos entre laboratórios e empresas, além de, no mínimo, quinze projetos/ano de pesquisa básica. Outras prioridades serão as capacitações de cem profissionais por ano e o estímulo à maior interação entre as empresas e redes de pesquisas a partir de reuniões feitas com setores industriais identificados com o tema. A verba dá seqüência ao apoio dado pelo governo federal à nanociência desde o final dos anos 90. Neste século, os esforços foram mais significativos. No período de 2001 a 2004, foram aplicados R$ 54 milhões, valor que evoluiu para R$ 71 milhões no biênio 2005 e 2006. Para Luiz Antonio Rodrigues Elias, secretário executivo do MCT, a quantia parece ínfima perto do investimento feito pelos países desenvolvidos, mas não se deve esquecer que dentro das suas possibilidades, o Brasil ocupa papel de destaque perante outros países em termos de produção de base científica acadêmica sobre o tema. “Somos o 19º país do mundo, à frente de Israel, Suécia, Bélgica, entre outros países”, informou a partir de dados de institutos internacionais. “Alguns fatos marcantes ajudam a contar a história do projeto governamental”, resumiu. Em 2001, foram criadas quatro redes de pesquisas cujo objetivo era a troca de informações sobre estudos realizados por inúmeros institutos especializados e universidades. Cada uma dessas redes era responsável pelo desenvolvimento de estudos em assuntos específicos. Em 2003, foi criado o Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia. O número de redes de pesquisa foi ampliado para dez em 2005. Também foram feitos investimentos para desenvolver laboratórios de apoio à pesquisa, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. O esforço já resultou em mais de mil artigos técnicos e mais de cem patentes desenvolvidas, além do lançamento de 45 produtos que já se encontram ou devem chegar em breve ao mercado. Para exemplificar, Elias citou a “língua eletrônica”, sensor gustativo desenvolvido pelo Embrapa, um dosímetro para a medição no organismo de raios UV projetado pela Universidade Federal de Pernambuco, e uma tinta branca com nanopartículas de fosfato amorfo de alumínio, que dispensa o uso de dióxido de titânio e foi desenvolvida pela Unicamp. Crédito – Ainda no âmbito governamental, a palestra que contou com a presença de Margarida Batista, assessora da presidência do BNDES, e Denise Reizada, assessora da Finep, trouxe boas notícias. Elas informaram que o governo, nos últimos meses, abriu novas linhas de crédito para o financiamento de projetos de inovação tecnológica, entre os quais se encaixam os projetos de nanotecnologia. O debate depois do anúncio das duas assessoras de órgãos de financiamento foi entusiasmado. Representantes da indústria reclamaram da burocracia excessiva para a obtenção dos empréstimos. Margarida e Denise contra-atacaram dizendo que os órgãos de financiamento não têm sido procurados pelas empresas com a assiduidade esperada. No ano passado, por exemplo, sobraram recursos disponíveis por falta de interesse. Outra queixa se deu por conta da impossibilidade das empresas que apresentam alguma dívida fiscal em conseguir o financiamento. Dizendo que as normas são regidas pelo setor financeiro do governo, as executivas lembraram que o impeditivo tem como objetivo defender o erário público. O que pareceu claro, para ambas as partes, é que há muita falta de informação. Os órgãos não divulgam bem as linhas de crédito que oferecem e os empresários nem sempre se mobilizam para conhecer o que eles têm à disposição. Da discussão, surgiu uma solução que agradou a todos. Os líderes empresariais presentes prometeram elaborar um manual para orientar os empresários sobre as verbas de financiamento disponíveis e como chegar até elas. Petrobrás – Uma empresa de energia com o porte da Petrobrás pode se valer da nanotecnologia para obter soluções para os inúmeros problemas que enfrenta em seus vários campos de atuação. Com uma política de aplicar em pesquisas um orçamento equivalente a 1% da sua receita bruta e contando com o Cenpes, Centro de Pesquisas e Desenvolvimento dotado com nada menos do que 137 laboratórios, a empresa resolveu criar, em 2005, uma rede de desenvolvimento especializada sobre o tema. |
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