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atualidades
NANOTECNOLOGIA
Falta aproximar pesquisa e
empresas
Os países
avançados não estão dormindo de touca. A cada ano, órgãos governamentais e
empresas aumentam os seus investimentos no desenvolvimento da ciência e da
tecnologia ligadas ao universo nanométrico. O motivo desse envolvimento não
poderia ser mais atrativo. Pesquisa realizada pela consultoria
norte-americana Lux Research, pioneira no mundo no campo da nanotecnologia,
revela que o mercado global de produtos dotados de algum tipo de material
nanoparticulado em sua composição vai movimentar a bagatela de US$ 2,4
trilhões em todo o mundo no ano de 2014.
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No
Brasil, de acordo com especialistas no assunto, o tema vem sendo
tratado com algum entusiasmo no meio acadêmico. Os empresários, por
sua vez, com raríssimas exceções, não têm demonstrado muita
preocupação. Eles parecem não acreditar que daqui a alguns anos as
empresas brasileiras ligadas aos mais variados segmentos da economia
perderão competitividade ante os importados, ou que terão de pagar
royalties para adquirir a tecnologia necessária para atualizar os seus
produtos. |
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A falta de iniciativa da
indústria nacional em relação ao avanço internacional da nanotecnologia
esquentou o clima nos debates da terceira edição do congresso Nanotec, que
este ano, pela primeira vez, recebeu a denominação Nanotec Business. O
evento foi organizado pela RJR Consultoria e Eventos e realizado nos dias 12
e 13 de novembro no Hotel Meliá Mofarrej, na cidade de São Paulo.
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Um dos
mais duros críticos da falta de iniciativa dos empresários nacionais
foi Ronaldo Marquese, diretor da RJR, empresa organizadora do
encontro. Por dever de ofício, ele tem acompanhado o número enorme de
lançamentos de matérias-primas e produtos finais com componentes
nanotecnológicos nos diversos cantos do planeta. Em sua palestra, não
teve dúvidas de afirmar que os empresários brasileiros estão muito
passivos. “Quero ver o que eles vão fazer quando começarem a chegar
por aqui produtos com preços competitivos e desempenho bem superior.
No exterior, esses produtos já estão conquistando o mercado”,
exemplificou.
A comunidade acadêmica também participou da discussão. Oswaldo Alves,
cientista e professor titular do Instituto de Química da Universidade
de Campinas-USP (Unicamp), lastimou a falta de |
Divulgação |
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Marquese: empresários locais estão passivos |
relacionamento entre a
academia e o setor produtivo, o que poderia estimular bastante o apoio à
ciência e multiplicar os casos mercadológicos de sucesso. Ele lembrou que,
dentro das suas possibilidades, a
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universidade tem tido um papel estratégico importante no
desenvolvimento da nanotecnologia nacional, inclusive colecionando
patentes sobre o tema.
A falta de sintonia entre universidade e empresas também foi lamentada
por Sergio Queiroz, coordenador de Promoção de Investimentos em
Inovação da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Para
justificar sua opinião, ele citou um levantamento que mostra que
apenas 16% dos cientistas brasileiros estão envolvidos com as
empresas. “Nos países avançados, esse número fica na faixa entre 70% e
80%”, disparou.
Um aspecto interessante foi exposto pelo professor Henrique Toma,
titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e grande
especialista no tema. Ele lembrou que hoje o desenvolvimento da
ciência baseia-se em quatro pilares, que a cada dia se tornam mais
convergentes. Esses pilares são biotecnologia, tecnologia da
informação, neurociência e nanociência. No futuro, dominar o
cruzamento do conhecimento desses pilares será a chave para um país
interessado em ocupar um papel de destaque na economia mundial.
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Cuca
Jorge |
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Toma: interdisciplinaridade é crucial para o desenvolvimento |
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Atenuantes - A crítica foi aceita por líderes empresariais acima de
qualquer suspeita. Entre eles, José Ricardo Roriz Coelho, diretor
titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Decomtec/Fiesp). “Quando me perguntam
como enfrentar os asiáticos, digo que a saída é a inovação. Mas esse é
um assunto que tem se falado muito e feito pouco”, reconheceu.
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria
Elétrica e Eletrônica (Abinee), concordou com o colega da Fiesp. Para
citar um exemplo na sua área, ele salientou que a nanotecnologia deve
causar uma revolução no campo da informática, especialmente em
aplicações que permitam a miniaturização dos chips. “Não podemos nos dar
ao luxo de ficar de fora desse progresso”, garantiu.
Coelho deu um panorama sobre o desenvolvimento mundial da
nanotecnologia, por enquanto quase todo concentrado nos países do
Hemisfério Norte, além de ser fortemente incentivado na China e na
Índia. Em todo o mundo, estima-se que os investimentos governamentais em
pesquisa e |
Cuca
Jorge |
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Roriz
Coelho: muito se fala, mas pouco se inova no Brasil |
desenvolvimento saltaram
de cerca de US$ 500 milhões em 1997 para quase US$ 5 bilhões em 2006. No
setor privado, com certeza, esse valor é muito superior.
Só nos Estados Unidos, onde o assunto é visto como estratégico e
administrado por órgãos diretamente ligados à Casa Branca, o Governo aplicou
mais de US$ 1,3 bilhão em 2006. Em número de patentes, em 2005 os Estados
Unidos já colecionavam 1,3 mil.
Na União Européia, o programa de investimentos no período de 2002 a 2006
ficou próximo de US$ 1,6 bilhão. Para o período entre 2007 a 2013, estão
previstos US$ 5 bilhões. Na China, estima-se que foram investidos entre US$
200 milhões e US$ 300 milhões por ano no período entre 2002 e 2005. Em
termos de patentes, no entanto, o país já ocupa a terceira colocação, atrás
apenas dos Estados Unidos e do Japão.
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