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Realizar ensaios pode também servir como ponto de sustentação para uma eficiente estratégia de marketing explorando a qualidade do produto. Para o consumidor, ter um mecanismo de acesso a informações sobre o desempenho esperado das tintas, onde ele poderia fazer comparações entre o custo e o benefício de cada marca, seria ingressar no mundo do consumo consciente, ainda distante de ocorrer no País.
Nos setores automotivo e petroleiro, são os consumidores, no caso as grandes corporações, que ditam as especificações exigidas, embasadas em critérios técnicos, da tinta adquirida. Nesses segmentos de mercado, é comum os próprios compradores realizarem ensaios e determinar normas e padrões aos fornecedores, caso típico da Petrobrás.
Ensaios naturais e acelerados - Existem dois sistemas distintos para a realização de ensaios em tintas. Um é o tradicional, por meio da exposição natural do material pintado ao meio agressivo que se deseja analisar. É o caso do ensaio de salt spray, no qual uma chapa de aço, por exemplo, fica exposta à maresia em uma região à beira-mar. Ou, no teste para intemperismo, a chapa de aço é exposta ao sol, à chuva e ao calor em uma região no campo, com boa qualidade de ar. Ou, para ensaios onde se quer acrescentar a resistência à poluição, em uma região urbana e industrial.
| A vantagem desses ensaios é a proximidade do resultado final com o tempo real de duração do material testado. A desvantagem é sua longa duração, medida em anos, para se obter algum resultado. O outro sistema de ensaio é o artificial, realizado em câmaras que simulam o ataque do agente agressivo. Um chapa de aço pintada pode, por exemplo, ficar 24 horas por dia, em uma câmara, exposta a luzes que simulam o sol do meio-dia e, assim, obtém-se muito mais rapidamente a informação sobre qual é o desgaste que este fator agressivo gera na pintura. A desvantagem do sistema artificial é que o resultado é muito menos fiel ao desempenho que o material pintado terá na vida real. |
Cuca Jorge |
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| Kesternich mede resistência às chuvas ácidas |
Celso Gnecco, gerente técnico da Sherwin-Williams Sumaré e autor do capítulo sobre ensaios do livro Tintas & Vernizes, da Abrafati, afirma que não há relação estabelecida entre o tempo de exposição nas câmaras e o tempo de vida útil real dos produtos ensaiados.
| Paulo Igarashi |
“As câmaras permitem, no entanto, a comparação dos desempenhos de materiais. Assim, se determinado material tem desempenho superior a outro durante o ensaio, pode-se afirmar com grande possibilidade de acerto que terá durabilidade real também superior”, afirma o especialista. |
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| Gnecco: câmaras servem para comparar produtos |
Segundo Gnecco, as câmaras servem para comparar desempenhos e desenvolver produtos, pois os resultados de comparações são obtidos em tempos mais curtos do que em condições de exposições naturais. Gnecco, assim como outros especialistas, acredita que os dois tipos de ensaios, o natural e o artificial, devem ser adotados de forma complementar.
Câmaras - Existem ensaios em câmaras que simulam as mais diversas situações agressivas. Os mais comuns são de névoa salina, umidade, resistência a gases poluentes, como o anidrido sulforoso, o SO2, resistência à luz ultravioleta, ensaios de intemperismo artificial e ensaios cíclicos. Para cada um desses ensaios são adotados como parâmetros as normas brasileiras da ABNT, as normas alemãs DIN, ou as norte-americanas ASTM.
Nos ensaios em câmara de névoa salina, informa Gnecco, procura-se simular as condições encontradas à beira-mar por meio da nebulização de solução de cloreto de sódio (NaCl), porém com concentração de 5% (nos mares, a água tem cerca de 3,5% de cloreto de sódio), em temperatura de 35oC + 2 oC, com pH da solução entre 6,5 e 7,2 e umidade relativa de aproximadamente 97%.
A coleta da solução, entre 1,0 e 2,0 ml/h, é realizada utilizando-se um funil com 10 cm de diâmetro, em um período mínimo de 16 horas. As placas pintadas ficam posicionadas em um ângulo de 15 a 30 graus em relação à vertical. O agente agressivo neste ensaio é o íon cloreto (Cl −), que provoca intensa corrosão.
É usual que as placas pintadas expostas ao ensaio de névoa salina sofram um corte, de 0,5 mm de largura no meio da placa, no sentido longitudinal. Observa-se o avanço da ferrugem sob a película de tinta a partir da incisão, formação de bolhas e o destacamento da tinta na região adjacente ao corte intencionalmente provocado. Quanto mais eficiente for a tinta ou o sistema de pintura, menor será o avanço da ferrugem.
| O tempo de ensaio é determinado de acordo com o objetivo pretendido.Nos ensaios de umidade, segundo Gnecco, simula-se a condição de extrema umidade, porém sem poluição e sem sais. As condições no interior da câmara durante o ensaio são de 100% de umidade relativa do ar (atmosfera saturada) e temperatura de 37oC a 43ºC. |
Cuca Jorge |
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| Panossian: IPT tem estrutura para realizar ensaios |
O ensaio é conduzido em ciclos contínuos de 24 horas. A água evapora do fundo aquecido da câmara e se condensa nos corpos-de-prova e nas paredes, gotejando e retornando ao fundo da câmara. Neste ensaio é comum aparecerem bolhas na pintura por causa do fenômeno de osmose.
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