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O diretor da Associação de Usuários dos Terminais Portuários de Salvador e Aratu, Paulo Villa, resume: “A realidade é que nos recentes dez anos houve notável expansão da atividade industrial na Grande Salvador e os dois portos ficaram pra trás, não acompanharam a expansão.”
Com referência ao transporte ferroviário, Isabel Figueiredo ressalta que o retorno diário do “trem da Ford” para São Paulo, trem da Ferrovia Centro Atlântica que transporta componentes para a montadora da Ford em Camaçari, é uma alternativa para levar resina para São Paulo. Mas uma alternativa restrita, porque os vagões, do tipo plataforma, não são adequados para conduzir os sacos com 25 quilos de resina. “Os sacos furam”, resume. Há também a opção, menos usual, de acondicionar a resina em contêineres de 20 pés.
O principal fator restritivo ao modal ferroviário é, entretanto, o tempo gasto nos pouco mais de 1.600 quilômetros de trilhos entre Camaçari-BA e Paulínia-SP, infindáveis dez a quinze dias, atribuídos aos maiores gargalos do percurso, três na Bahia: as travessias por quatro cidades: Candeias, Santo Amaro, e as vizinhas, Cachoeira e São Félix, separadas pelo Rio Paraguaçu. Para remover os gargalos, há projetos de contornos ferroviários, construções também retardadas no tempo ou infindáveis.
O maior dos contornos, obra de estimados R$ 115 milhões, incluída no PAC, é o contorno de Cachoeira e São Félix: além de um trecho ferroviário de 17 quilômetros, prevê ainda a construção de uma ponte de 800 metros sobre o Paraguaçu, para aposentar a ponte de ferro, relíquia do 2º Império que impõe severa exigência: os trens precisam ser desconjuntados para que a travessia seja feita vagão por vagão. A locomotiva deixa um vagão no outro lado e volta para pegar o seguinte – e, assim, composições de quarenta vagões perdem, só aí, um dia de viagem.
Em Minas Gerais, há mais dois importantes gargalos: a própria travessia de Belo Horizonte, e a travessia da Serra do Tigre, no caminho para o Triângulo Mineiro.
Feitas as contas, o modal rodoviário, que pelos princípios da logística deveria ser restrito a distâncias de até 600 quilômetros, continua reinando absoluto. É dono de 75% a 80% da carga sólida (resina) transportada para o Sudeste, apesar da histórica precariedade das estradas. “Trechos inteiros são percorridos a 10 km por hora”, resume Isabel Figueiredo.
Fora a buraqueira, há outros problemas, como a escassez de caminhões nos meses que coincidem com o escoamento das safras nos Estados do Sul – quando os caminhoneiros têm a opção de transportar grãos, das cooperativas para os portos; e o crescente custo com gerenciamento de risco, incluindo seguro, decorrente dos também crescentes assaltos nas estradas, ocorridos quase sempre nos trechos mais esburacados, quando a velocidade precisa ser reduzida.
Mas nem tudo é notícia ruim: o risco é reduzido praticamente a zero quando polímeros e resinas, em vez de embalados em sacos de 25 quilos, são levados a granel, em caminhões-silo de 30 toneladas – uma especialidade da Ultracargo, revela Daniel Lisak. Ele explica que os bandidos ainda não imaginaram uma maneira de descarregar tais caminhões. “Não é como retirar sacos de 25 quilos no ombro e deixar em qualquer quintal, é uma operação especializada, que exige instalações adequadas e compressores.”
Transferência e frustração – Até 2005, o governo baiano imaginava restaurar o dinamismo no 2º Pólo e adensar a atividade industrial na Grande Salvador mediante a instalação de uma fábrica de ácido tereftálico purificado (PTA), empreendimento básico para a formação e progressiva inserção de um pólo de polietileno tereftálico (poliéster ou PET) na cadeia petroquímica.
| Com o PTA, lembra o ex-superintendente de Indústria e Comércio, Guilherme Furtado Lopes, viriam fábricas para produzir e transformar resina PET nos três graus: embalagem, o das garrafas de refrigerante e óleo de cozinha; o industrial, requerido na produção de fios de alta tenacidade parapneus – ramo que no Estado reúne fábricasda Pirelli, Bridgestone e |
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Furtado: perda do PTA para
Suape desanimou o pólo |
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