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O presidente da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), João Roberto Minozzo justificou a relação tecnológico-ambiental do setor como fundamento para a ampliação do mercado interno e da internacionalização dos produtos do setor. Para atingir essas metas, Minozzo recomenda que é preciso manter o setor no aprimoramento da eficiência técnica – ao fazer uma alusão ao 10º Congresso Brasileiro de Refrigeração (Conbrava), que ocorreu simultaneamente à Febrava 2007, onde acadêmicos e profissionais debateram a alternativas para controle dos fluidos refrigerantes, energia e a qualidade do ar interior. “Na busca de soluções alternativas para elevar os níveis de eficiência, utilização racional de fontes de energia ou dos nossos recursos naturais, não há mais como negligenciar o fato de que a evolução tecnológica do setor é diretamente proporcional à preservação ambiental”, disse Minozzo.
Os empresários e o governo já depreenderam o sentido dessas tendências e estão sendo práticos, disse o chefe de gabinete da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental (Semuc), Geraldo Augusto de Siqueira Filho. O destaque concedido ao Brasil como um dos países mais engajados contra a emissão de gases prejudiciais à camada de ozônio na entrega do prêmio Protocolo de Montreal, segundo ele, já seria uma manifestação disso: “Esse prêmio é resultado do trabalho ambiental de toda a indústria reunida nessa 15ª Febrava” – reconheceu Siqueira Filho.
Potencial destruidor reduzido – Sob todos os aspectos, empresários, técnicos e autoridades políticas concordam que o Protocolo de Montreal se revelou extraordinariamente bem-sucedido: os 191 países signatários eliminaram em torno de 95% das substâncias que destroem o ozônio da atmosfera. Agora a expectativa é que, até 2075, a camada de ozônio que protege a Terra retome gradualmente os níveis anteriores à década de 80 – quando as emissões de CFCs (clorofluorcabonos) e HCFCs (hidroclorofluorcarbonetos) atingiram seus níveis mais elevados. “Mas, sobretudo, o Protocolo de Montreal poderá servir também como um testemunho de que a comunidade internacional tem capacidade para enfrentar cooperativamente os desafios globais”, afirmou o vice-presidente de tecnologia e meio ambiente da Abrava, Samoel Vieira de Souza.
“Brasil e Argentina se uniram para apresentar uma proposta de antecipar as datas-limite das metas estabelecidas pelo Protocolo de Montreal”. A união do Brasil com a Argentina pretende reforçar a idéia de que a política ambiental não deve ser assumida por um ou outro país. “Ela deve ser global e nossa união deverá servir de exemplo aos países que relutam em aceitar recomendações de órgãos como o Protocolo de Kioto e Montreal, além de outras convenções que estão preocupadas com as mudanças climáticas no desenvolvimento desse século.”
No acordo, segundo Vieira de Souza, a primeira etapa para o uso de gases prevê o congelamento do consumo de HCFC no Brasil até 2016, com a sua eliminação completa até 2040. “Queremos reduzir esse prazo de congelamento em 2012 e a eliminação para 2030, que é a data prevista para os países do chamado Primeiro Mundo”, adianta o presidente da Abrava. “Para tanto, é preciso que se faça um cronograma de eliminação gradual, o chamado phase-out das substâncias, para que a indústria possa cumpri-lo e o mercado não seja penalizado pela escassez do produto e aumento de preços”.
Também conhecidos também como freon, os gases CFCs foram muito usados na década de 80 e 90 para refrigeração em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, como propelente de aerossóis e extintores de incêndio. No Brasil, a redução do uso dos CFCs teve início com o descarte de embalagens dos aerossóis contendo resíduos desses gases.
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