A perspectiva é o custo de produção do etanol de cana-de-açúcar não ultrapassar os atuais US$ 0,22/l, o que não deve ocorrer com os US$ 0,45/l conseguidos atualmente com o similar obtido do milho. Isso porque a produção brasileira ainda tem muito a se modernizar, segundo Lima. Há o que se fazer ainda para aperfeiçoar o processo, com o uso de novas tecnologias, como a hidrólise celulósica, melhorias genéticas na lavoura e, por fim, racionalização das utilidades da fábrica, com melhor aproveitamento energético e de água. “Com o ritmo atual de modernização, e a certeza de que as novas usinas serão concebidas com engenharia mais moderna, em dez anos o setor estará forte globalmente”, completou Uebel. E é com essa compreensão da realidade que a divisão de tratamento de água pretende dar continuidade à implantação de vários sistemas de osmose reversa para condicionamento de água de caldeiras e de outros equipamentos complementares, como a clarificação por ultrafiltração, ou a eletrodeionização, uma substituta moderna para os polimentos mistos de resinas de troca iônica. Isso sem falar no portfólio completo de soluções químicas para resfriamento e caldeiras fornecidos pela GE há muitos anos no Brasil por intermédio dos negócios oriundos da BetzDearborn.

Daqui para frente os fornecimentos, explica Uebel, devem crescer de forma expressiva, tanto no bojo dos grandes pacotes verticalizados (há negócios em fechamento, informa o diretor) como nas vendas diretas da GE Water, muito atuante nas regiões sucroalcooleiras do Brasil, sobretudo na principal delas, o Sudeste. Neste último caso, seria a continuidade de um processo em crescimento em 2006, desde que a GE passou a comercializar novos sistemas oriundos de empresas adquiridas das áreas de equipamentos e membranas. Apenas em 2007, revela Uebel, foram vendidas 22 unidades de osmose reversa, em cerca de dez usinas, responsáveis no total pela desmineralização aproximada de 1.000 m³/h de água de alimentação de caldeiras de alta pressão para turbinas de co-geração.

 

Além disso, a área comercial da GE comemora a venda do primeiro sistema de ultrafiltração para aplicação em usinas. Trata-se de unidade inaugurada em junho de 2007 na Usina Alto Alegre, em Santo Inácio-PR. O equipamento utiliza membranas de fibra oca, em cassetes, da linha ZeeWeed 1000, originária da canadense Zenon, há cerca de dois anos de propriedade da GE. Divulgação
Unidade de ultrafiltração na Alto Alegre

O sistema clarifica 200 m³/h de água de represa, que seguem para a desmineralização em osmose reversa e, posteriormente, para alimentar caldeira geradora de vapor de 65 kgf.

Outro verticalizado – Além dos planos ambiciosos da GE de se tornar sócia de usineiros, a grande atração pelos negócios sucroalcooleiros é corroborada pela atuação das demais concorrentes da área de tratamento de água. Boa parte delas se fortalece técnica e comercialmente e algumas até ofertam propostas verticalizadas como a do grupo americano. É o caso da francesa Veolia. Desde o ano passado, a divisão de tratamento de água da empresa, bem atuante no Brasil no setor industrial, passou a fazer ofertas também ao mercado sucroalcooleiro, com representante técnico em Ribeirão Preto-SP. E o mais significativo é a empresa ter agregado às suas ofertas em água os serviços e fornecimentos da Veolia Energy, por meio da afiliada Dalkia, especializada em operação e instalação de sistemas de geração de energia.

Assim como a GE, o propósito da Veolia é se associar às usinas na co-geração de energia, também financiando o investimento, com a compra, instalação e operação dos equipamentos, desde os sistemas para tratar a água, as caldeiras e as turbinas.

Segundo explica o gerente-comercial da Veolia Waters, Francisco Faus, o approach inclui também a parte de tratamento químico da água de alimentação e o condicionamento interno das caldeiras, por meio da divisão química Hydrex. “Podemos fazer a venda dos equipamentos com assistência técnica, fechar contratos de leasing ou de BOT”, resume Faus. Cuca Jorge
Faus: ofertas verticalizadas da Veolia

Na parte que lhe compete, serviços e vendas de sistemas para tratar água, que incluem unidades de osmose reversa, troca iônica ou de ultrafiltração, Faus também imagina incluir operações para os períodos de entressafra da indústria. Como a Veolia possui a chamada unidade de serviços SDI, em Cotia-SP, de regeneração de resinas de troca iônica e de membranas de osmose reversa, os serviços de reabilitação poderiam ser feitos como parte dos contratos. São todas alternativas que começam a ser citadas em propostas Brasil afora.
 

 
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