| |

Vinhaça na lavoura: possíveis danos ao solo
BOOM SUCROALCOOLEIRO
EXIGE ÁGUA DE QUALIDADE
Marcelo Furtado
Ao
agregar a energia elétrica como um novo produto do seu portfólio, por meio
da queima do bagaço de cana em sistemas de recuperação, a indústria
sucroalcooleira passou a ser um cliente mais interessante para os
fornecedores de sistemas e formulações para tratamento de água. Dependente
de caldeiras de média ou alta pressão para gerar vapor às turbinas da
co-geração, a nova demanda, que vem aumentando a rentabilidade do setor por
meio do consumo interno e até com a venda de energia a terceiros, gera a
necessidade de água com melhor qualidade, o que automaticamente provoca a
modernização do tratamento.
Na verdade, trata-se de um círculo virtuoso iniciado com o fortalecimento do
mercado de açúcar e álcool nos últimos anos, cujos impulsos foram o preço em
alta do primeiro e a transformação do etanol em nova vedete mundial para
substituir o caro e poluente petróleo. Isso capitalizou e profissionalizou
mais as usinas. Várias que ainda não co-geravam energia passaram a fazê-lo,
optando pelo investimento com retorno garantido.
E o melhor: a entrada de
muitos grupos internacionais, como sócios ou compradores de usinas, também
ajudou a levar adiante a tendência de modernização. Optar por tecnologias
mais avançadas para tratar água, portanto, passou a ser mais comum.
Mas o previsto para o futuro próximo fundamenta ainda mais os planos
otimistas dos fornecedores. A estimativa é de que, até 2012, 150 novas
usinas entrem em operação no Brasil, uma tendência irreversível que engloba
ainda várias ampliações no parque instalado. As projeções indicam o salto de
processamento das atuais 400 milhões de toneladas de cana para mais de 600
milhões de t na safra 2012/2013, passando de 16,7 bilhões de litros de
álcool para 28 bilhões no mesmo período. Isso disponibilizaria 160 milhões
de t de bagaço, possíveis de serem queimadas em caldeiras de alta pressão
para gerar o equivalente a 16,5 mil megawatts/hora de energia (cerca de 66
Gwh, contra 3 Gwh atuais), durante as 4 mil horas médias anuais da safra.
Essa projeção, que pode ser ainda maior caso as empresas comecem a
aproveitar palhas e pontas dos canaviais para queima energética, cria uma
imensa demanda por tratamento mais refinado de água de qualidade para vapor.
Preparados para a guerra
– A expectativa otimista, responsável pelo fomento de novas estratégias de
marketing, e os vários recentes negócios em andamento alimentam o cotidiano
dos principais grupos atuantes no ramo e despertam o interesse de outros
competidores. Trata-se de nicho de negócios vultosos que ninguém sequer
cogita correr o risco de ficar de fora. Nesse aspecto, vale firmar novas
parcerias, verticalizar as ofertas, buscar tecnologias avançadas e contratar
especialistas no mercado. Enfim, preparar-se para uma nova “guerra” com
potencial de agitar o segmento de tratamento de água por uns bons anos.
São tantos os exemplos de empresas bem interessadas nos novos negócios que
se torna até difícil escolher uma delas para ilustrar o momento. Mas, talvez
em virtude da sua importância dentro do universo corporativo global, a
norte-americana General Electric, a famosa GE, pode ser um bom começo. Além
disso, sua atuação verticalizada em energia, automação e água, com forte
suporte financeiro por meio da GE Financial Services, transforma o exemplo
especialmente feliz para ilustrar as perspectivas do mercado de tratamento
de água para o setor sucroalcooleiro.
Para atender à demanda do etanol em ascensão, a GE criou um programa
específico denominado Vertical, que reúne todas as áreas de atuação em uma
única frente e cujos principais focos serão a co-geração de energia e a
modernização operacional das usinas. À divisão de tratamento de água, da GE
Water and Process Technologies, serão acrescentados os serviços e
equipamentos da GE Energy, produtora de turbinas e motores; da GE Energy
Financial Services, financiadora de projetos; da GE Sensing, de equipamentos
de medição e controle; da GE Fanuc, de automação; da GE Security, de
sistemas de controle de acesso, segurança patrimonial e detecção de
incêndio; da GE Inspection Technology, de ensaios não-destrutivos; da GE
Optimization e Control, de sistema digital de controle distribuído (SDCDs);
e da GEVisa, de manutenção preditiva de motores.
| Segundo explica
o diretor-comercial da GE Water, Fernando Uebel, o plano, lançado na
metade de 2006, envolve buscar sociedade ou financiar com garantias os
projetos de grande porte das usinas. Seriam as modalidades de equity ou
debit, respectivamente, com preferência pelas primeiras, por meio da
compra de ativos, construção de novas unidades de co-geração ou
ampliações. “O propósito maior é firmar contratos de longo prazo, porque
a GE definitivamente apostou no mercado do álcool”, completa o gerente
de marketing Paulo Lima, profissional com vasta experiência em usinas
sucroalcooleiras recentemente contratado pelo grupo americano.
Segundo Lima, a aposta da GE se funda em criteriosa análise sobre o
mercado futuro. Para
o grupo, além de já se mostrar lucrativo, a longo prazo a tendência é o
etanol brasileiro se expandir globalmente, entrando principalmente nos
Estados Unidos. “Uma série de fatores fará o preço do produto |
Cuca Jorge |
|
 |
| Uebel: GE quer ficar
sócia de usinas em co-geração |
brasileiro cair ou se manter, ao
contrário do álcool do milho, cujo custo de produção não tem mais como ser
reduzido. E aí não haverá subsídio ou barreira alfandegária para impedir sua
entrada nos Estados Unidos”, explica Lima, recém-chegado de um período de
dez anos no Canadá.
|
|