A situação é desconfortável até mesmo em relação à mão-de-obra necessária para dar conta de tantos projetos. “Como a Petrobrás praticamente não contratou ninguém entre 1990 e 2000, nosso perfil de pessoal é de gente com menos de sete anos ou de mais de dezessete anos de casa, exigindo esforços em capacitação para substituir os profissionais que se aposentam”, explicou o presidente da estatal.

Ao todo, o plano de negócios exigirá a contratação de 228 mil pessoas pela estatal, 350 mil trabalhadores na cadeia produtiva e outros 338 mil conquistarão emprego fora da cadeia produtiva setorial, porém com origem na geração de renda por ela proporcionada. Até 2009, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp) pretende capacitar 77 mil trabalhadores que serão indicados para fornecedores da estatal.

Do ponto de vista administrativo, Gabrielli considera fundamental manter controle apurado das operações dado o alto volume de projetos. Ele ressalta a necessidade de a estatal reduzir seus custos e prazos de entrega, gerir melhor seus estoques e portfólio de ativos, além de contar com práticas avançadas de gestão financeira. A desatenção com qualquer um desses itens pode ter reflexos perversos para a companhia.

Com vistas a 2020, Gabrielli considera que o ambiente de negócios no setor de combustíveis e energia será muito mais competitivo do que é hoje. A começar pelas pressões, já fortes, de cunho ambiental, incentivadoras de sistemas de geração de energias limpas, algumas em fase de desenvolvimento tecnológico. “Até lá, não acredito em mudanças profundas no perfil do mercado de óleo e gás, mas, com certeza, o uso desses produtos será muito mais eficiente”, disse.

No campo dos combustíveis líquidos para transportes, espera-se que os biocombustíveis respondam por 20% do volume consumido em 2020. Essa mudança indica, segundo Gabrielli, a necessidade de as empresas petroleiras buscarem integração com o setor agrícola, tal como a estatal brasileira está fazendo.

A meta de figurar entre as cinco maiores empresas mundiais integradas de energia em 2020 merece explicação. O setor avalia as empresas por indicadores diversos, desde reservas provadas, produção, capacidade de refino, rentabilidade, entre outros. A Petrobrás fica entre o quarto e o décimo-quarto lugar, dependendo do indicador selecionado. A posição almejada pela estatal seria o resultado de uma cesta de índices aceitos em âmbito mundial. Gabrielli explicou que a estatal precisa ampliar sua presença internacional, atuar mais forte nos biocombustíveis, além de melhorar indicadores financeiros e sociais, incluindo a proteção ambiental.

Também a integração com a petroquímica é estratégica, pela possibilidade de agregar valor às correntes geralmente usadas para queima. Por isso, a companhia pretende alocar na atividade US$ 4,3 bilhões até 2012. A maior parte dos projetos está na segunda geração do Comperj, em posição minoritária relevante, a atual diretriz da companhia.
 

 
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