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Vista noturna parcial da Refinaria Henrique Lage, no Vale do Paraíba (Revap), em São José dos Campos-SP
Foto: Ehder de Souza/Petrobrás
Planos para ampliar produção e
integração energética até 2020
Marcelo Fairbanks
A
Petrobrás divulgou em agosto a revisão de seu plano de negócios, dessa vez referente ao período de 2008 a 2012, elaborado em consonância com o planejamento estratégico de longo prazo traçado até 2020. Até a segunda dezena deste século, a estatal pretende se situar entre as cinco maiores empresas integradas de energia do mundo. Ambiciosa, a meta exige investimentos pesados em todas as etapas da cadeia produtiva, agora estendida aos produtos petroquímicos.
Como nos anos anteriores, as intenções de investimento saltam aos olhos, perfazendo um total de US$ 112,4 bilhões a ser distribuído no período. Os recursos para tanto serão obtidos pela geração própria de caixa, complementados por financiamentos compatíveis com a capacidade de pagamento da estatal. A área de extração e produção de óleo e gás natural (E&P) consumirá US$ 65,1 bilhões (58%), coerente com os planos de ofertar 3.494 mil barris de óleo equivalente por dia (boed, com óleo, gás e condensados) ao final de 2012. Em 2015, a estatal pretende alcançar a produção diária de 4.153 mil boed, somando as operações locais e internacionais da companhia.
Em relação ao plano anterior, de 2007-2011, o volume de investimentos aumentou em US$ 31,2 bilhões (34%), principalmente pela introdução de novos projetos, no total de US$ 13,3 bilhões (16%). Entre eles estão o aumento da recuperação de campos de alta explotação, plano de gás, e o Complexo do Rio de Janeiro (Comperj) com sua refinaria petroquímica e satélites. Mas também contribuíram para o aumento a elevação de custos mundial do setor de petróleo, representando um adicional de US$ 10,9 bilhões (13%), e a variação cambial verificada entre 2006 e 2007 que devorou mais US$ 4,2 bilhões (5%).
| Mais do que qualquer dos ministérios, o volume de investimentos da Petrobrás constitui a maior alavanca do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), instituído no atual governo. Isso explica a presença constante do presidente da República nas cerimônias públicas de batismo de plataformas e início de terraplanagens, sempre escoltado pelo presidente da estatal, o economista José Sérgio Gabrielli. |
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| Gabrielli: execução do plano depende de fornecedores
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“Nosso plano de negócios prevê mais de mil projetos, dos quais 454 têm valor superior a US$ 25 milhões”, disse o executivo.
O fluxo de desembolsos prevê para 2007 a alocação de R$ 54 bilhões nesses projetos, correspondentes a US$ 25 bilhões, aproximadamente. Em média, cada um dos próximos quatro anos deve receber investimentos de US$ 22 bilhões. Além do montante, a exposição da gigante estatal atrai as atenções de vários setores, principalmente políticos. Isso desencadeou uma pequena dança das cadeiras na estatal. Na segunda quinzena de setembro, o ex-senador e ex-presidente da estatal José Eduardo Dutra foi nomeado presidente da BR Distribuidora, substituindo Maria das Graças Foster, indicada para a diretoria de gás e energia. Nesse cargo, substituiu Ildo Sauer, que retornou às atividades acadêmicas na Universidade de São Paulo. Em carta aberta, Sauer atribuiu sua demissão por ter se oposto à atual política energética, mediante a qual se espera que a Petrobrás forneça gás natural barato para termelétricas, evitando futuros apagões.
Ao defender a remuneração plena do gás, Sauer teria contrariado a ministra da Casa Civil Dilma Roussef, ex-titular de Minas e Energia, mas que ainda mantém controle sobre a pasta. Tanto que as novas indicações foram interpretadas como impostas por ela, principalmente no caso de Maria das Graças Foster, que antes comandara a Petroquisa. Há comentários sobre uma possível ampliação da dança das cadeiras, atingindo outras diretorias. Esses rumores ganharam força com a carta de despedida de Sauer, cuja saída havia sido negada quinze dias antes pelo próprio Gabrielli, e se refletem no mercado de capitais, afetando o interesse de investidores em papéis da estatal.
Custos elevados – “O maior desafio para o plano de negócios não é o valor, mas a capacidade física dos fornecedores”, comentou Gabrielli. A preocupação confirma a superocupação da cadeia de suprimentos da indústria do petróleo em todo o mundo. O caso das sondas de perfuração é típico, não havendo disponibilidade para contratar novos arrendamentos. Felizmente, a estatal conta com unidades suficientes para manter seu ritmo de exploração, somando 63 perfuratrizes entre próprias e arrendadas por meio de contratos de longo prazo.
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