Destino semelhante está reservado à vacina contra câncer de próstata sipuleucel-T, comercialmente denominada Provenge (ex-APV-8015), desenvolvida pela Dendreon, de Seattle. O agente, diferenciado de vacinas convencionais por atuar sobre uma doença preexistente, teve sua aprovação condicionada pela FDA, em maio, à apresentação de novos dados que comprovassem sua eficácia, o que poderá atrasar o lançamento em até três anos.

Peixões e peixinhos – Operações de compra de pequenas e médias empresas biotecnológicas por grandes farmas totalizaram, em 2006, US$ 23 bilhões, 69% a mais que em 2005. Entre as operações recentes, cita-se a aquisição da Chiron, fabricante californiano de vacinas, pela Novartis, por US$ 5,1 bilhões, em outubro de 2005, e a incorporação da Sirna Therapeutics (São Francisco, EUA) pela Merck, em outubro passado, por US$ 1,1 bilhão. A Sirna especializou-se em RNA interferente, RNAi, técnica de silenciamento de expressão gênica, com potencial no tratamento de múltiplas doenças e cujo criador foi agraciado com o Prêmio Nobel de medicina em 2006.

Não menos significativa foi a incorporação da Myogen (Denver, EUA) pela Gilead Sciences, também em outubro de 2006, por US$ 2,5 bilhões. A Myogen aposta suas fichas no ambrisentano, antagonista do receptor de endotelinas desenvolvido, em fase clínica III, como agente oral para o controle de hipertensão pulmonar.

Após as incorporações de final de ano da Koss Pharmaceuticals (antiateroscleróticos contendo ácido nicotínico) pelo Abbott Laboratories (US$ 3,7 bilhões) e do laboratório Icos pela ex-parceira Eli Lilly (US$ 2,1 bilhões), permitindo a esta última a propriedade integral do vasodilatador tadalafil (Cialis), há duas importantes operações de compra registradas já em 2007. A principal é a incorporação da MedImmune pela AstraZeneca por US$ 15,6 bilhões, a maior operação deste tipo desde a compra da Immunex pela Amgen por US$ 16 bilhões, em 2002. Com a nova aquisição, a superfarma britânica, que já havia ampliado sua participação no mercado biotecnológico no ano passado, com a compra da Cambridge Antibody Technology Group, por US$ 1,32 bilhões, agora eleva a participação de biofármacos em sua linha de produtos de 7% para 27%. O principal produto da Medimmune no mercado farmacêutico norte-americano é a vacina antiviral palivisumabe (Synagis), cujas vendas totalizaram US$ 1,1 bilhão em 2006 (92% das receitas da empresa).

Operações menores incluem a compra da norte-americana Morphotek, que desenvolve anticorpos monoclonais para o tratamento de câncer de ovário e de pâncreas, pela Eisai, quarta principal farma japonesa, por US$ 325 milhões.
 

Parcerias – Alternativa para fusões e incorporações, alianças entre detentores de biofármacos potenciais e grandes empresas deverão totalizar algo como US$ 15 bilhões em 2007. Destaca-se a parceria entre a Roche e a parisiense Transgene, visando ao desenvolvimento do TG-4001, candidato à vacina anti-HPV (vírus de papiloma humano), pelo qual a última receberá US$ 17,4 milhões antecipados e mais US$ 275 milhões parcelados ao superar etapas do pipeline.

Outra parceria importante foi anunciada em maio passado entre a Bristol-Myers Squibb e a Isis Pharmaceuticals (Carlsbad, EUA), objetivando o desenvolvimento conjunto de fármacos anti-sentido capazes de inibir a pro-proteína convertase subtisilina quexina 9 (PCSK-9), cuja concentração sanguínea elevada determina altas concentrações de LDL no plasma. Os candidatos a hipocolestolêmicos não atuam diretamente sobre a proteína, mas inativam o mRNA responsável pela sua expressão, contendo, para tanto, seqüência de nucleotídios complementar (anti-sentido) à do segmento de mRNA que pretende bloquear. A Isis, com quase uma década de experiência nesta forma de terapia genética, receberá no mínimo US$ 9 milhões em recursos para pesquisas, US$ 15 milhões pelo licenciamento, e até US$ 168 milhões ao vencer etapas do processo de licenciamento e em participação nas vendas.
 

 
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