bio & farma

Michael Nothenberg é Doutor em Química,
Mestre em Farmácia, professor universitário
e jornalista
msnothenberg@gmail.com

Biofármacos elevam  participação entre medicamentos do futuro

A busca por candidatos a fármacos novos e rentáveis está levando empresas farmacêuticas de porte a buscar parcerias com empresas menores, detentoras de linhas de pesquisa e tecnologias inéditas, muitas de natureza biotecnológica. A tendência ocorre em paralelo ao expressivo crescimento das receitas das biofarmas que, após superarem pela primeira vez a marca dos US$ 70 bilhões em 2006, esperam, com base em estimativas de crescimento anual de 14%, alcançar faturamento conjunto de US$ 100 bilhões até a virada da década.

Dos 101 fármacos que galgaram à categoria de blockbusters (vendas mundiais superiores a US$ 1 bilhão) em 2006, dezoito têm origem biotecnológica. Já os 36 superblockbusters (US$ 2 bilhões em vendas) do mesmo ano, incluem oito enquadrados na categoria de biofármacos. Entre estes estão dois produtos da Amgen, darbepoetina alfa (Aranesp) e etanercepte (Enbrel). O primeiro compreende eritropoetina recombinante, obtida de culturas de células de ovário de hamster chinês, usada como estimulante de eritropoese na medula óssea em pacientes com insuficiência renal ou sob tratamento com quimioterápicos anticancerígenos. O segundo fármaco, originalmente desenvolvido pela Immunex em 1998 e fornecido no Brasil pela Wyeth, é um anticorpo monoclonal recombinante, que atenua reações auto-imunes, como doenças reumáticas, ao se fundir com fator de necrose tumoral (TNF-a), produzido por leucócitos. Outro anticorpo monoclonal bem-sucedido em 2006 foi o rituximabe (Rituxan, da Biogen Idec, aqui veiculado pela Roche, sob o nome MabThera), capaz de ligar-se a receptores de membrana CD20 de linfócitos B, inibindo a proliferação destas células em linfomas não-Hodgkin e na artrite reumatóide.


Anticorpos em alta - Ainda em 2006, a FDA aprovou vinte novos produtos, entre agentes biológicos e novas entidades moleculares (NME). Estas últimas, diferenciadas de novas especialidades (New Drug Applications, NDA) por não incluírem novas associações, apresentações e/ou indicações, perfazem aproximadamente o mesmo número de 2005. Outra vez se destacam anticorpos monoclonais, agora dirigidos contra o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) na angiogênese causadora de degeneração macular (ranibizumabe, Lucentis, da Genentech/Novartis) e contra o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) implicado no desenvolvimento de carcinomas colo-retais metastáticos (panitumumabe, Vectibix, Amgen).

Anticorpos monoclonais permanecerão no proscênio ao longo de 2007, como sugere a aprovação, em março, do eculizumabe (Soliris, Alexion) como o primeiro, e por ora único, agente terapêutico eficaz contra a rara hemoglobinúria paroxística noturna, moléstia caracterizada por hemólises freqüentes, que raramente permite sobrevida superior a 10-15 anos após o diagnóstico. O novo agente inativa complementos terminais, componentes do sistema imunológico que promovem destruição de células vermelhas geneticamente alteradas.


Do lado negativo de 2007, salienta-se a desistência da AstraZeneca em dar prosseguimento ao pipeline do AGI- 1067 após a divulgação de resultados inconclusivos em ensaios de fase clínica III. Trata-se de antiinflamatório oral considerado revolucionário ao propor o controle da aterosclerose por inibição da expressão da imunoglobulina VCAM-1, implicada na adesão de células sanguíneas às paredes vasculares. O AGI-1067, cujo lançamento estava previsto para o segundo semestre, continuará a ser desenvolvido pela AtheroGenics (Alpharetta, USA), ex-parceira da AstraZeneca e detentora original do projeto.

 

 
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