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AMBIENTE
Visão multidisciplinar
gera soluções adequadas



A experiência acumulada nos primeiros anos do ainda recente setor de serviços ambientais no Brasil foi determinante para que três jovens técnicos tivessem a idéia de fundar, em 2006, a Fator Ambiental. Ex-funcionários das empresas especializadas CSD-Geoklock e Essencis, o engenheiro civil Marcos Redondo, o geólogo Frederico Draetta e o engenheiro químico Enrico Freire perceberam juntos, depois de atender a vários casos importantes de descontaminação, como o do Aterro Mantovani e o da Rhodia/Clorogil, que a demanda ambiental da indústria hoje se sofisticou e não se limita mais à simples compra de tecnologias para solucionar seus passivos.

“A busca de solução para um passivo é uma equação complexa que envolve análise de risco, aspectos jurídicos e, somente após isso, a definição por uma tecnologia de remediação ou não, caso não seja necessário”, explicou Marcos Redondo. A afirmação do engenheiro, diretor-executivo da Fator, fundamenta a estratégia da empresa de se firmar como consultoria que agrega aos fornecimentos a prestação de serviços e a execução de projetos. E com o espectro ampliado para além da remediação de solos, especialidade dos sócios, visto que a Fator também atuará nas áreas de tratamento de efluentes, de controle de emissões atmosféricas e de auditoria e investigação.
 
Com matriz em São Paulo e filial no Rio de Janeiro, a nova empresa, já com 15 clientes, tem a possibilidade de adotar qualquer tecnologia disponível para os projetos e, além disso, contará com o aporte tecnológico de universidades. Em hidrogeologia e modelagem de fluxo e transporte de contaminantes, a parceria é internacional, com a Universidade de Waterloo, do Canadá. Em estudos e modelagem na área de emissões atmosféricas, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) será a apoiadora, por meio da Fundação de Desenvolvimento e Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias Ambientais (LPDTA/FEQ). “Queremos aproveitar o know-how pouco aproveitado das universidades, hoje mais fácil de se acessar graças às fundações privadas”, comentou o gerente de auditoria e investigação da Fator, Frederico Draetta. Cuca Jorge

Draetta busca know-how criado nas universidades brasileiras

 

Outro apoio importante, na visão dos sócios, será o jurídico, por meio principalmente do escritório Rolim Advogados, especializado em questões ambientais. “A maior parte das remediações toma mais tempo com questões burocráticas e de negociação com órgãos públicos do que com o projeto em si”, ressalta Marcos Redondo. Para ele, é nesse aspecto que a Fator planeja se diferenciar de muitas empresas da área. “Queremos fazer todo esse trabalho para o cliente e não empurrar um projeto de remediação onde muitas vezes ele pode ser evitado por meio de um esforço de negociação”, completa Redondo. Cuca Jorge
Redondo: burocracia consome muito tempo nas remediações

Esse aspecto do serviço ofertado vai se valer de uma ferramenta ambiental muito debatida na atualidade, mas pouco aplicada: a análise de risco. Será por meio dela que os técnicos vão avaliar a necessidade ou não de se iniciar um projeto. E por um motivo simples: várias vezes não se justifica despender volumes consideráveis de tempo e dinheiro para determinadas remediações. Nem sempre, por exemplo, é lúcido obrigar uma empresa a despoluir urgentemente um lençol freático ou um solo. Se aquela região não compromete o consumo humano de água ou o uso agrícola, ou se há a possibilidade de se conduzir um projeto de atenuação natural monitorada dos poluentes, de forma mais lenta e econômica, uma análise de risco bem feita chegará a essas conclusões. E com os dados obtidos ficará mais fácil convencer o Poder Público a ser mais parcimonioso com os fiscalizados.

M.R.F.

 

 
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