| |
atualidades
EMPRESA
Dow Brasil completa 50 anos
com estrutura reformulada
A criação de modelos de negócios
distintos para as áreas de química de base e produtos finais é uma
característica marcante da nova estrutura da Dow no Brasil, coerente com os
movimentos globais da companhia. Dessa forma, os insumos básicos tendem a
ser produzidos por meio de parcerias com grupos locais, enquanto o
atendimento aos clientes de resinas e produtos químicos (entre os quais as
especialidades) passa para unidades de negócios. A companhia entende ser
essa a fórmula para melhor atender os usuários de seus produtos, fabricados
com custos competitivos.
“Tamanho, integração e matéria-prima competitiva são os fundamentos de
produção de commodities”, ressaltou Pedro Suarez, presidente da Dow Brasil.
A subsidiária nacional comemora cinqüenta anos de atividades, iniciadas com
a abertura de um escritório comercial na capital paulista, em 1957. Nas
décadas seguintes, construiu importante parque industrial, distribuído entre
a Região Sudeste (Guarujá, Jundiaí e Pindamonhangaba) e a Nordeste (Aratu e
Camaçari). Os ativos foram aumentados com a fusão com a Union Carbide, da
qual recebeu a unidade de hidroxietilcelulose (HEC), na Bahia, e a fábrica
de polietileno de baixa densidade (PEBD) convencional (alta pressão), em
Cubatão-SP.
A fábrica de Cubatão foi vendida no final de junho para o grupo Unipar, em
negociação que incluiu a posição acionária da companhia na Petroquímica
União, produtora de insumos petroquímicos a partir de nafta, o coração do
pólo petroquímico paulista. Suarez explicou a venda desses ativos pelo fato
de eles não serem mais compatíveis com os fundamentos estabelecidos pela
companhia. Quando fala em integração, ela deve ao menos chegar à produção
das olefinas.
Essas exigências colocam em xeque novos investimentos petroquímicos na
América do Sul, pelo menos os de concepção tradicional, com base em nafta ou
gás natural. A produção de polietilenos em Bahía Blanca, na Argentina, foi
reduzida neste inverno para que o gás pudesse suprir as necessidades da
população em eletricidade e aquecimento, enfrentando o mais rigoroso período
frio registrado naquele país em pelo menos cinqüenta anos. “Ainda não tinha
visto um inverno com neve em Buenos Aires”, comentou Suarez, que nasceu e
formou-se engenheiro químico na cidade, antes de iniciar uma carreira de 28
anos na Dow, com atuação na Argentina, Estados Unidos, Europa (incluindo
responsabilidades no Oriente Médio e África), além do Brasil.
Em 2007, por conta do inverno, a capacidade de 650 mil t/ano de polietilenos
não será totalmente ocupada. A unidade é abastecida pela Cia. Mega, uma
associação entre Repsol/YPF, Petrobrás e Dow, trazendo e beneficiando o gás
natural e condensados obtidos na província de Neuquén. Desde a compra da
antiga Petroquímica Bahía Blanca, a companhia investiu para triplicar sua
capacidade original, e agora encontra dificuldades para garantir o
suprimento futuro. “Precisamos buscar alternativas não-óbvias de
matérias-primas para suportar o crescimento das operações a longo prazo”,
afirmou. Uma das alternativas em estudo consiste na adoção de sistemas para
importar gás natural liquefeito (GNL).
No caso do Brasil, a Dow encontrou uma solução no etanol. Em junho, a
companhia firmou um acordo de parceria com o grupo Crystalserv, o segundo
maior produtor nacional de açúcar e álcool (atrás apenas da Cosan) com a
finalidade de implantar um complexo industrial para suprir com etanol uma
fábrica para 300 mil t/ano de polietilenos, concebida de forma totalmente
integrada. Os dois parceiros ainda estudam a melhor localização
técnico-econômica para o empreendimento, seleção que inclui itens como
custos de implantação, logística e até possíveis incentivos fiscais.
Suarez faz questão de ressaltar a
natureza complementar do conhecimento dominado pelos dois parceiros.
“Somos experts em campos diferentes, mas temos um volume de tecnologia
enorme para somar, até mesmo na parte industrial da destilaria”,
afirmou. “Poder contar com uma visão completa, holística, do projeto é
muito interessante.” Ele informou que a Dow está estudando outros
projetos na área de energia renovável, especialmente nos últimos dois
anos. Para ele, esse campo tem um potencial exponencial a ser
explorado, até pela indústria química.
O projeto de polietileno de álcool, anunciado pelo presidente mundial
da companhia, Andrew Liveris, precisa vencer uma dificuldade natural
da atividade canavieira: a sazonalidade. A safra de cana na região
Centro-Sul, em geral, começa em abril e termina em novembro, mas uma
fábrica típica de polímeros deve funcionar em tempo integral. “Uma
parte do período será suprida por estoques formados durante a safra;
outra parte precisará ser comprada no mercado, mas apostamos na
possibilidade de contar com outras alternativas”, adiantou. |
Cuca Jorge |
|
 |
|
Suarez: América Latina
precisa investir em fontes de energia |
Os preços atuais são
considerados muito atraentes em relação aos derivados de petróleo, mas essas
condições podem mudar daqui cinco ou dez anos.
A companhia trabalha com prognósticos favoráveis ao empreendimento, a
começar pelos preços do petróleo, que não devem cair muito em relação a US$
70 por barril. Além disso, a demanda por plásticos projeta crescimento
estável, capaz de absorver totalmente o aumento previsto de oferta de
resinas fabricadas no Oriente Médio, região que será responsável por metade
do aumento mundial de capacidade produtiva de termoplásticos nos próximos
anos. O consumo de polietilenos cresce em média 5% ao ano, liderado pelo
linear de baixa densidade, de amplo uso. “Apesar dos pesados investimentos
anunciados e em construção, o mercado trabalha com a hipótese de escassez de
resinas entre 2010 e 2011, provocada pelos atrasos de construção de plantas
e dos custos crescentes dos equipamentos e serviços”, comentou.
Do ponto de vista da Dow, atuar em todas as regiões do mundo ajuda a
distribuir riscos e dificuldades na cadeia produtiva. Também a atuação
diversificada contribui no mesmo sentido. “Nossos investimentos em
petroquímicos básicos contam com parcerias regionais, tanto na Arábia
Saudita como no Brasil, com o intuito de agregar valor à operação”,
explicou. Além da importância política de contar com sócios locais, a
divisão dos investimentos permite à companhia reservar mais capital para
investir em tecnologia e desempenho de produtos.
Além disso, unindo produtos e tecnologia de aplicação, a Dow reforça suas
unidades de negócio, conceito relativamente novo para quem sempre atuou por
famílias de produtos. “As unidades de negócio têm o foco nos clientes e suas
necessidades; temos equipes e estruturas especializadas para sistemas de
poliuretano, tintas, calçados produtos de limpeza, construção civil,
tratamento de água e outros, com a possibilidade de abrir novas unidades que
se mostrem promissoras”, afirmou.
A mudança na forma de atuação incentivou a companhia a adquirir empresas
especializadas, como a chinesa Omexell (tratamento de água) e a alemã Wolff
Walsrode (ex-Bayer, produtora de celulósicos), entre outras. Novos nomes
poderão ser agregados às unidades de negócios, desde que tenham produtos e
tecnologias complementares aos da Dow.
|
Executivo tem experiência global |
|
O presidente da Dow
para a América Latina e vice-presidente comercial para químicos de
performance na região, Pedro E. Suarez, nasceu na Argentina, onde se
graduou em Engenharia Química, ingressando na subsidiária da companhia
naquele país em 1979, na área de látex. Em 1984, assumiu a gerência de
mercado dos produtos uretânicos e látices, sendo transferido para a
gerência de vendas de especialidades plásticas e polímeros de emulsão
na América Latina, no escritório regional de Coral Gables (EUA), em
1986, tornando-se gerente de marketing dois anos depois. Em 1990,
assumiu a gerência de negócios de produtos de performance. Três anos
depois, foi nomeado gerente de negócios da área depolímeros de emulsão
e gerente de |
produtos de
performance para o Brasil. Foi promovido a diretor no ano seguinte e,
em 1996, assumiu a direção comercial para a América Latina. Mais
tarde, em 2000, tornou-se vice-presidente da área de poliolefinas e
elastômeros para a Europa, Oriente Médio e África. Dois anos depois,
acumulou a gerência nacional para Espanha e Portugal, atividades que
manteve até 2004, quando foi apontado para a vice-presidência para os
negócios de plásticos da Dow na América do Norte. Exerceu o cargo até
o ano passado, quando assumiu suas funções atuais, que incluem a
responsabilidade comercial sobre químicos básicos na América Latina,
com assento no comitê gerencial e geográfico da companhia. |
Em relação ao controle
das atividades, a companhia mantém ainda as divisões geográficas e as
divisões por produtos, em especial nas commodities. “Precisamos aproveitar
ao máximo os ativos que recebemos, no caso do Brasil, distribuídos por Aratu,
Camaçari e Guarujá”, afirmou Suarez. Isso implica renovar investimentos nas
linhas existentes e construir novas unidades quando necessário.
Em Camaçari, por exemplo, atua a Dow Automotive, uma das divisões mais
rentáveis da companhia, fabricando pára-choques plásticos para veículos e
entregando-os pintados e montados nos carros. Há também negócios com
adesivos para os vidros dos veículos. Na linha de produtos básicos, a Dow
mantém as unidades de poliestireno (a antiga EDN) e diisocianato de tolueno
(TDI, da antiga Pronor).
Ambas sofrem com humores do mercado internacional,
com ameaças ocasionais de fechamento.
“A fábrica de TDI não fechou porque a nossa equipe foi competente para
estruturar a operação e torná-la competitiva”, explicou Suarez. Segundo
informou, a companhia cogita a expansão da fábrica, que ainda tem vida útil
considerável. Trata-se de avaliar o crescimento da demanda por poliuretano
flexível, com destaque para a fabricação de colchões e de bancos para
automóveis, os maiores consumidores desse produto.
No poliestireno, a situação é mais complicada. “Buscamos alternativas
tecnológicas para tornar mais viável a produção de monômero e polímeros”,
explicou. O mercado dos estirênicos tem alternado picos e depressões, sem
perspectivas firmes a longo prazo.
Em Aratu, a companhia possui operações muito competitivas de soda/cloro,
óxido de propeno, polióis, propilenoglicóis e solventes clorados, além da
unidade de hidróxi-etil-celulose (HEC) oriunda da Union Carbide.
O sítio do Guarujá também tem recebido fluxo constante de investimentos nas
suas linhas de polimerização de estireno, produção de epóxis, poliglicóis e
látices. Em Jundiaí-SP, fica a unidade de sistemas de poliuretano, enquanto
os concentrados de cor e aditivos para plásticos têm por base a unidade do
bairro do Limão, em São Paulo.
A Dow, segundo Suarez, projeta um futuro com resultados muito positivos para
o Brasil, suportados pela estabilidade econômica. Falta alcançar índices de
crescimento do PIB mais ambiciosos, que justificariam intensificar os
investimentos. Um dos grandes problemas nacionais, compartilhados com toda a
América Latina, reside na área de infra-estrutura, em especial nos
transportes e energia.
Os negócios da Dow no Brasil apresentam a preponderância dos produtos de
fabricação local no total do faturamento. “Isso é coerente com nossa visão:
se os projetos são integrados, têm escala global e matérias-primas
competitivas, podemos produzir no País”, ressaltou.
Marcelo Fairbanks
|
|