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A principal evolução em curso nas formulações das tintas anticorrosivas é
a substituição das tintas à base de solventes por tintas à base de água ou
por tintas com baixo, ou nenhum, teor de solventes orgânicos, as chamadas
Low VOC (Volatile Organic Compounds) e as completamente sólidas, as No VOC.
O preço das tintas Low VOC é 30% maior, na comparação com as tintas
tradicionais. Mas a relação custo/benefício da Low VOC é superior. As
tintas tradicionais contêm acima de 30% de solventes, em alguns casos,
pode chegar a 50% de solvente na formulação. Já as tintas Low VOC possuem
menos de 20% de solventes, algumas chegando a apresentar uma quantidade
inferior a 2%.
Por se tratar de uma tinta de alta espessura, a aplicação da tinta Low VOC
demanda apenas uma ou duas demãos. Já as tintas convencionais exigem de
três a quatro demãos. As Low VOC ainda possuem uma vida útil, depois de
aplicada, em média 50% superior.
No mercado brasileiro, as tintas Low VOC são as que estão competindo mais
diretamente com as tintas à base de solventes. Queiroz avalia que no
mercado off-shore as Low VOC já respondam por quase 80% das vendas. Na
outra ponta, os compradores de tintas para proteção industrial têm se
mostrado mais resistentes à inovação. Neste segmento, as tintas Low VOC
respondem, segundo o executivo, por menos de 20% dos negócios.
A diferença é que o segmento de tintas off-shore é pautado pelas normas de
compras da Petrobrás, empresa que tem se mostrado atenta à questão
ambiental, enquanto que no segmento de proteção industrial as compras são
tradicionalmente balizadas por questão de preço.
Bruce Leslie lembra que no Brasil não há leis que coíbam o uso de insumos
agressivos ao homem e ao meio ambiente nas formulações de tintas, portanto
a migração para produtos ecologicamente menos agressivos é lenta. A
migração ocorre por consciência e opção tecnológica das empresas, mas está
ocorrendo de forma consistente diz o executivo.
Opinião semelhante tem Durival Pitta. A Sumaré, empresa que tem no
segmento de proteção industrial seu principal foco de atuação, realizou
desenvolvimentos em duas frentes tecnológicas: nas tintas Low VOC e também
nas tintas à base de água.
Pitta considera as tintas à base de água menos agressivas ao ambiente, uma
vez que são completamente isentas de solventes, mas reconhece que é uma
tecnologia ainda distante do consumidor brasileiro. É uma solução para o
futuro. A realidade brasileira ainda é de uma paulatina migração da tinta
à base de solventes para as Low VOC”, afirma.
As tintas biodegradáveis, informa Leslie, que também atua com as duas
tecnologias, hoje apresentam um preço inicial entre 30% a 40% superior aos
apresentados pelas tintas tradicionais e não são tão resistentes quanto as
tintas em alto sólidos. Seu mercado, no Brasil, está restrito a setores
onde há exigência de um revestimento completamente isento de solventes,
como nos equipamentos utilizados pelas indústrias de alimentos, bebidas e
farmacêuticos.
Um fator novo no mercado de tintas anticorrosivas é que, entre as empresas
que adotam o chamado consumo consciente, que já consomem tintas à base de
água ou de altos sólidos, começa a haver uma abertura para a aquisição de
produtos com tecnologias ainda mais ecologicamente avançadas, sem insumos
agressivos em suas formulações. Situação que não ocorria há poucos anos,
apesar da disponibilidade dos produtos no mercado brasileiro. O que está
havendo é uma mudança de comportamento do consumidor, afirma Queiroz.
Insumos amigáveis – Os produtos disponíveis com inovações que
garantem um menor impacto ambiental e à saúde humana são muitos. Entre as
principais tendências que ganham relevância no mercado brasileiro estão as
tintas livres de metais pesados e isentas de alcatrão de hulha. A
International Paint, por exemplo, optou por interromper a produção de
tintas com alcatrão em dezembro de 2006 e só comercializar produtos TAR
Free.
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Nanocerâmica desafia fosfato |
A hegemonia
da fosfatização, metodologia empregada há mais de 150 anos em
processos de pré-tratamento de metais, pode estar com os dias
contados, pelo menos em algumas aplicações, como nos mercados dos
produtos de linha branca, móveis de aço e construção civil. Em breve,
também a indústria automobilística poderá ter motivos para substituir
o tratamento à base de fosfato de ferro.
O substituto é um produto desenvolvido com base nas pesquisas em
nanocerâmica, que utiliza compostos químicos à base de fluorziconica
para o pré-tratamento de metais. A pioneira no desenvolvimento desta
solução é a Henkel, que comercializa o Bonderite NT-1.
O produto foi lançado em 2005, mas só agora ganha força no mercado
brasileiro. Segundo Mauro Sérgio Duarte, gerente de vendas da Henkel
para tratamento de superfícies, o produto, por empregar uma tecnologia
bastante inovadora, contou com uma estratégia de divulgação cautelosa.
O primeiro ano foi consumido em palestras para clientes e associações
técnicas. Em 2006, a empresa dedicou-se a promover testes de
laboratório do produto e é agora, em 2007, que as comercializações
estão em pleno desenvolvimento. Mas, mesmo assim, a empresa iniciou o
processo de comercialização de forma paulatina, atendendo primeiro os
fabricantes de produtos da linha branca. “Estamos registrando |
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uma forte
migração para esta tecnologia neste segmento, que acreditamos ser
irreversível”, diz Duarte. A Henkel é responsável pelo fornecimento de
80% das soluções de pré-tratamento para o setor.
A cautela com que a Henkel tratou o lançamento do produto se explica.
O Bonderite NT-1 tem um preço dez vezes superior aos concorrentes com
fosfato de ferro. A empresa queria mostrar ao cliente a relação
custo/benefício do produto antes de enfrentar um julgamento pelo
sistema de cotação de mercadoria. “Fazendo uma análise detalhada de
todo o processo, o Bonderite pode representar uma economia de 20% a
30%”, diz Duarte.
A grande vantagem do produto à base de fluorziconica é ambiental. O
Bonderite é isento de metais pesados, de fósforo e de componentes
orgânicos (VOC), reduzindo resíduos ambientalmente perigosos. Outra
vantagem é que o tratamento com a nova tecnologia é realizado a frio,
ao contrário do que ocorre nos sistemas tradicionais, e portanto
possibilita economia de energia. O tratamento nanocerâmico também é
mais rápido, em até cinco vezes, aumentando a produtividade do
aplicador.
Duarte informa que a Henkel programa lançar durante o ano de 2008 uma
nova versão do Bonderite, a NGL. O novo produto terá como foco atender
a indústria automotiva e de autopeças, fazendo o pré-tratamento para
pinturas eletroforéticas. |
O alcatrão de hulha é um insumo cancerígeno durante sua manipulação e
já foi proibido na Europa. O alcatrão, porém, é um produto com alta
resistência química e à abrasão e de baixo custo. Já os produtos TAR Free
são produzidos com um epóxi modificado com resinas plásticas, informa
Queiroz, da Renner.
Segundo Campregher, da Weg, as tintas TAR Free apresentam um desempenho
equivalente às tintas com alcatrão, mas com um preço até 20% mais caro.
Uma limitação das tintas de alcatrão é que elas só podem ser formuladas
nas cores preto e marrom, enquanto as tintas TAR Free são compatíveis com
todas as cores.
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