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As lições aprendidas – Das ocorrências mencionadas no início deste
artigo, é interessante comentarmos os resultados das investigações nos
acidentes de Blaye e de Assis Chateaubriand.
Em Blaye, o relatório final sugeriu uma série de medidas que devem ser
implantadas em outros silos em operação. A pesquisa das causas convergiu
para duas hipóteses:
º Defeito no ventilador do sistema centralizado de coleta de pó,
localizado na Torre Norte e que recolhia o pó de diversos locais;
º Auto-ignição, em virtude do sobreaquecimento no compartimento de pó
coletado, associado à temperatura ambiente elevada.
Entre as medidas preventivas então sugeridas, destacamos:
º Verificar a possibilidade de substituição do inseticida injetado por
produto que não contenha solventes inflamáveis em sua formulação;
º Adotar um sistema de medição interna de temperatura que faça a
compensação para variações da temperatura ambiente, e promova monitoração
em diversos pontos do silo;
º Adotar a distância de 1,5 vezes a altura do silo como mínima para
edificação de escritórios ou oficinas;
° Prever um local em área aberta para armazenar o pó coletado. Em Blaye, o
local de armazenagem ficava na Torre Norte e eles esperavam de três a
cinco semanas para esvaziá-lo diretamente no rio.
No evento de Assis Chateaubriand, a perícia efetuada pelo Instituto de
Criminalística (laudo nº 8.513) apontou:
° O centro de origem das explosões foi determinado como sendo no final do
túnel, junto dos elevadores de cereais do setor de expedição, mais
precisamente onde se encontravam instalados os motores de acionamento das
correias de transporte do cereal;
º Não foi identificada a fonte de ignição que desencadeou a série de
explosões;
° Como a perícia foi executada para dar suporte à instauração de inquérito
pela Delegacia Regional de Polícia de Assis Chateaubriand, não contemplou
sugestões de medidas para evitar novas ocorrências.
A análise de causas de explosões é um processo complexo e demorado, que
demanda entrevistas com sobreviventes, pesquisa de documentos,
procedimentos, históricos de manutenção, e que tem que superar a
descaracterização da causa, feita pela própria explosão. Como exemplo,
suponhamos que em um determinado ponto do processo seja percebida a
formação de carga eletrostática. Com a planta em operação, é possível
aproximar um instrumento de medição e verificar se o potencial está se
aproximando de um nível perigoso. Porém, se tal potencial subir a ponto de
possibilitar a ocorrência de uma centelha e esta promover uma explosão, a
própria centelha já será o resultado da descarga naquele ponto, o qual
conseqüentemente, não apresentará qualquer potencial eletrostático após a
explosão que possa ser medido pelos peritos.
Portanto, a segurança da instalação não pode prescindir de um adequado
plano de avaliação e inspeção periódica nos equipamentos elétricos,
especialmente aqueles destinados ao uso em área classificada.
As normas brasileiras – A Norma Regulamentadora NR-31 é a diretriz
legal que define os requisitos mínimos para a segurança do trabalhador do
segmento agrícola, e ela traça diretrizes para a execução de instalações
seguras de silos, donde destacamos:
31.14.11 - Os elevadores e sistemas de alimentação dos silos devem
ser projetados e operados de forma que evitem o acúmulo de poeiras, em
especial nos pontos onde seja possível a geração de centelhas por
eletricidade estática.
31.14.12 - Todas as instalações elétricas e de iluminação no
interior dos silos devem ser apropriadas à área classificada. Nota:
Denomina-se “área classificada” a região identificada com potencial para
formar uma atmosfera explosiva. Esta identificação se dá por meio da
execução de um estudo de classificação de áreas, o qual em geral depende
de especialistas com experiência e aperfeiçoamento no exterior, uma vez
que não há cursos avançados sobre o tema no País. Com o estudo pronto,
pode-se apontar os locais onde serão exigidos apenas equipamentos
elétricos aprovados para uso seguro nessas condições.
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As diretrizes técnicas para a execução das instalações são dadas pelas
normas ABNT. O Subcomitê SC-31 do COBEI (Comitê Brasileiro de
Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações) é o responsável
pela elaboração das normas ABNT para instalações elétricas em ambientes
com atmosferas potencialmente explosivas.
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Para instalações elétricas em
ambientes sujeitos a poeiras combustíveis, a normalização é conduzida
pela Comissão de Estudo CE:03-031.06, que elabora o texto da norma
brasileira com base na norma internacional (IEC – International
Electrotechnical Commission) correspondente, e consolida o texto final
após considerar os comentários recebidos na etapa de consulta pública,
gerenciada pela ABNT. A Tabela 3 fornece a relação de normas IEC
aplicáveis à instalação elétrica em ambientes com pós combustíveis.
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Conclusões – As operações desenvolvidas nas indústrias que
processam pós, por exemplo, os ramos de processos, armazenamento de grãos,
alimentícia, farmacêutica, siderurgia, entre outras, merecem atenção
especial, pois, embora aparentemente “inofensivos”, sob determinadas
condições, os pós podem gerar explosões de considerável magnitude,
atingindo comunidades vizinhas.
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