Materiais de referência – A pesquisadora Jacinta Cotta, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), apresentou trabalho sobre certificação de material de referência de rocha para uso em análise geoquímica. Materiais de referência (MRs) desempenham um papel fundamental em todas as áreas nas quais os resultados analíticos são necessários.

Cuca Jorge

  Seus principais usos incluem a validação de métodos, calibração de instrumentos, controle e garantia da qualidade.Por definição, MR “é um material suficientemente homogêneo e estável com respeito a uma ou mais propriedades especificadas, as quais foram estabelecidas para serem adequadas ao pretendido uso em um processo de medição” (ISO Guia 35; 2006).
Wong: metrologia para  análise química de ervas

A certificação de um MR é feita pela combinação de análises de caracterização com os testes de homogeneidade e de estabilidade, que resultam na indicação dos valores de referência, suas incertezas, e no estabelecimento da rastreabilidade metrológica.

Segundo Jacinta, os primeiros registros da produção de MRs de rochas no Brasil datam da década de 70, quando o prof. Pedro Sampaio Linhares, da Universidade Federal da Bahia, iniciou a preparação de dois MRs, basalto (BB-1) e granito (GB-1). Infelizmente essas amostras foram preparadas em quantidade relativamente pequena e a sua caracterização não atende aos requisitos atuais de um MR. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT-SP) já preparou e distribui um número apreciável de MRs geológicos, principalmente de matérias-primas minerais usadas em laboratórios industriais. O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) retomou recentemente a produção de MRs de minérios, mas, mesmo assim, poucos estão disponíveis.
 

Divulgação

 

Os laboratórios brasileiros de geoquímica analítica, em especial os envolvidos com análises de rochas, ressentem-se da ausência de MRs preparados e distribuídos em nosso País, e têm de recorrer aos internacionais, caros e disponibilizados em pequenas porções.

Em virtude da inexistência de MRs de rochas produzidos no Brasil, foi iniciado em 2004 um projeto colaborativo, entre pesquisadores da Unicamp, da Universidade Júlio de Mesquita Filho (Unesp, Rio Claro), e da Associação Internacional dos Geoanalistas (Iag), com o objetivo de produzir dois MRs. A certificação do primeiro deles, chamado BRP-1 (Basalto de Ribeirão Preto), foi apresentada pela pesquisadora no congresso.

A produção de BRP-1 seguiu procedimentos metrologicamente válidos para a certificação de um MR. A preparação física resultou em 1.920 frascos homogêneos no que se refere à concentração dos elementos maiores, menores e 14 elementos traço encontrados. Dados de caracterização e quantificação por fluorescência de raios X foram usados para demonstrar essa homogeneidade dos elementos certificados.
Segundo Jacinta, a menor alíquota analisada durante sua caracterização do BRP-1 foi de 40 mg, sendo esta, portanto, a menor quantidade indicada para reproduzir os valores de referência.

A pesquisadora afirmou que esse MR pode ser usado para garantia da qualidade de resultados analíticos e em calibrações para amostras de matriz silicática, em razão da robustez de sua caracterização e por seus valores de referência possuírem comprovada rastreabilidade.

O representante do departamento de garantia de qualidade do Laboratório Governamental de Hong Kong, Sin-Kay Wong, proferiu palestra entitulada “Metrologia em química para análise de ervas”.

Wong lembrou a importância dos fitoterápicos como fonte alternativa para tratamentos de saúde ou como suplementos alimentares. “O mercado internacional desses produtos vem crescendo significativamente nos últimos anos e a preocupação com o controle de qualidade das ervas comercializadas é grande”, disse Wong.

O Laboratório Governamental de Hong Kong (HKGL) dá suporte analítico às empresas do país e aos órgãos do governo, oferecendo várias análises em plantas, como de contaminantes perigosos, princípios ativos, detecção de adulterações e indicação de ervas tóxicas. Para isso, precisam de materiais de referência e métodos confiáveis. “Os materiais de referência constituem a grande dificuldade para esse setor”, disse Wong. “Trabalhamos também para suprir a falta de metodologias confiáveis”, complementou.

No caso de princípios ativos, desenvolve-se um procedimento para determinação de pureza, em geral por HPLC (High Performance Liquid Chromatography), com detecção UV (ultravioleta). O método é validado e implantado quando se obtém a aprovação da comunidade metrológica.
“Em parceria com a Universidade de Illinois, nosso laboratório desenvolveu, em 2002, metodologia HPLC para quantificação de seis ginsenonídeos em raízes de ginseng brutas e em fitoterápicos acabados”, exemplificou Wong.
 

 
  <<< Anterior