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A demanda diferenciada do Brasil faz a operação logística integrada,
incluindo transporte multimodal, representar cerca de 60% das vendas
locais da Aliança. “Teve épocas em que esse nível chegou a 75%”, recorda o
executivo. Na química, em transportes por contêineres (a empresa não opera
com granel), há exemplos. Para a Mossi & Ghisolfi, em sua unidade de Poços
de Caldas-MG, a Aliança vinha se responsabilizando por embarques de
resinas PET para Manaus. O trajeto incluía transporte rodoviário de Poços
para Jundiaí-SP, de onde segue por ferrovia para Santos-SP, para daí
embarcar nos navios de cabotagem para Manaus. No destino final, a resina
era distribuída por caminhões para os transformadores locais.
Essa logística, porém, está suspensa, temporariamente, em conseqüência da
descontinuidade provisória da produção de PET pela M&G em Poços de Caldas.
Outras operações sofrem menos incertezas “temporárias” e continuam. No
pólo petroquímico de Triunfo-RS, a Aliança faz três operações básicas para
as principais empresas do pólo, principalmente Braskem e Ipiranga. De
caminhão, transportam resinas plásticas para o Terminal Santa Clara, onde
são “estufadas” em contêineres. Daí seguem via balsa graneleira, por canal
artificial, com calado de seis metros, até o Porto de Rio Grande, para aí
ir por cabotagem até Manaus, onde os caminhões próprios levam o produto
até a porta do cliente transformador. É a chamada operação porta a porta.
Manaus responde por boa parte da receita da Aliança. Cerca de 75% do
volume transportado por seus navios é carregado lá, e 56% do volume
descarregado. Cerca de um quarto do volume que chega à cidade é de
químicos, sobretudo resinas plásticas para os transformadores
eletroeletrônicos da Zona Franca. Mas há ainda operações na Bahia, como
cargas de exportação da Braskem que seguem de navio de Salvador até Buenos
Aires e várias outras que aproveitam as escalas semanais, quinzenais e
mensais da frota da Aliança por praticamente todos os portos importantes
do País.
Para aumentar a competitividade das várias operações integradas da
Aliança, Bruno Crelier considera também importante a emissão do
conhecimento multimodal, para reduzir o custo fiscal, mas também vê outro
ponto importante a ser repensado. Trata-se do alto valor dos impostos
sobre abastecimento dos navios de cabotagem no Brasil, exatos 37% a mais
do que os de embarcações estrangeiras de longo curso, isentas das taxas.
Vale informar que o combustível representa cerca de 40% do custo fixo da
operação marítima de carga.
Quanto aos outros gargalos muito apontados sobre o setor da navegação,
como os atrasos nos portos e os problemas de infra-estrutura, o
gerente-geral não é tão alarmista. Segundo informa, neste ano não houve
nenhum congestionamento e, no caso da Aliança, seus navios cumprem uma
exigente escala de horários para atracar em 12 portos. A infra-estrutura
deles, apesar de na sua opinião não suportar um crescimento de PIB acima
de 5%, também não está das piores. “Os grandes navios de longo curso, de
5.500 TEUs, por problema de calado, só não podem entrar no porto de São
Francisco do Sul-SC”, diz. Já os de cabotagem, de no máximo 2.500 TEUs,
atracam em todos os outros. “Nossa frota é adaptada aos portos.” Aliás,
Crelier prefere mostrar os pontos positivos do transporte marítimo: “Ele
não tem acidentes, o que reduz em muito o custo do seguro, e não provoca
avarias na mercadoria.” Não por menos a Aliança movimentou cerca de 460
mil TEUs em 2006 e registrou faturamento de US$ 920 milhões no mesmo
período.
Em Suape – Apesar dos obstáculos, a tendência de terceirizar os
serviços de logística, que inclui os ganhos com operações integradas e
multimodais, anima os especialistas a planejar e executar serviços de
maior escopo. Um exemplo ocorre com uma das empresas mais envolvidas nesse
mercado quando se pensa no setor químico, a Gafor.
| Responsável por operações
intermodais importantes, como em projetos para a Basf, em
Guaratinguetá-SP, onde gerencia malha férrea da MRS Logística vinda de
Santos, e ainda para empresas como M&G, Suzano e Exxon, a Gafor tem
procurado oferecer alternativas complexas de logística, que vão além
do simples transporte. |
Divulgação |
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| A Aliança opera com dez navios de cabotagem no
Brasil |
A estratégia é atender clientes interessados em negociações com base em
geração de valor, incorporando etapas como movimentação interna,
embalagem/entamboramento, operação reversa e distribuição capilar.
| E isso de forma que
complemente os bem estruturados ativos da Gafor: 700 caminhões, mais
700 equipamentos de transporte (isotanques, semi-reboques) e filiais e
centros de distribuição por todo o País. Com esse perfil, o projeto
mais recente conquistado pela Gafor foi a operação logística da nova
unidade de PET da M&G em Ipojuca, Pernambuco, fruto de uma
concorrência internacional ocorrida em 2006 e que deu partida em
janeiro deste ano. Na maior fábrica da América Latina do gênero, com
capacidade para 450 mil t/ano de resina PET, a Gafor se tornou
responsável não só pelo transporte como por operações internas de
armazém, recebimento de matéria-prima e expedição do produto acabado. |
Cuca Jorge |
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Aymard: logística na unidade
de PET da M&G em Suape |
Segundo o diretor de negócios da Gafor, Philippe Aymard, a operação
começa com a estrutura montada para o recebimento do ácido tereftálico (PTA)
a granel, insumo básico do PET, no porto de Suape. São embarques semanais
de contêineres de PTA, oriundos do México e dos Estados Unidos, que os
caminhões da Gafor vão buscar no porto. Daí seguem para a unidade da M&G,
onde um pistão acoplado nos caminhões inclina o contêiner para descarregar
o PTA em um silo, que por uma válvula rotativa alimenta a fábrica. Depois
de esvaziados, em operação contínua, os contêineres retornam ao porto para
serem limpos em terminal de terceiros e para terem os liners (saco de PE
que reveste a parte interna do contêiner) prensados e enviados para
recuperação. O contêiner é devolvido limpo para o armador e o caminhão
retorna com outro cheio de PTA.
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Cuca Jorge |
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Logística da Katoen Natie na Suzano: operação de
armazém, envasamento e de carregamento a granel |
Na fábrica, cerca de 50 funcionários da Gafor se encarregam de
manipular e controlar o estoque também do PET pronto. Estes, em uma
relação de 50/50, são envasados em big-bags de 1.200 kg e em outros liners
para preencherem novos contêineres. Depois disso, seguem para o Porto de
Suape, de onde são embarcados em navios de cabotagem para o Sudeste,
Manaus ou em navios de longo curso para exportação. Já a outra
matéria-prima importante para o PET, o monoetileno glicol (MEG), vem da
Oxiteno da Bahia via caminhão em operação não vinculada à Gafor.
Plataforma logística – A entrada da Gafor nas operações logísticas
complexas é apenas um exemplo do potencial desse mercado. Se esse foi o
caminho natural da empresa, que antes se concentrava apenas no transporte
de cargas, há competidores que já tornaram este o seu principal negócio
faz algum tempo.
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