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COSMÉTICOS
Projetistas
sugerem tópicos
para a elaboração de normas
oficiais sobre laboratórios
Texto de Hilton Libos e fotos de Cuca Jorge
Ao
contrário das regras que vigoram nos países industrializados, onde as
normas técnicas para a instalação de laboratórios nas fábricas de
cosméticos são oficiais, no Brasil, quem de certa forma cumpre esta função
é a iniciativa privada. Bom senso, competência profissional, experiência e
conhecimentos acumulados durante várias décadas em sinergia com a evolução
industrial química são as credenciais que determinadas empresas de
engenharia de laboratório apresentam para cumprir extra-oficialmente o
papel de vetor normativo no mercado.
Empresas como o Grupo Vidy e a Comtec Engenharia e Laboratórios se
prontificaram a participar da criação de uma série de normas oficiais para
os projetos de laboratórios. Não apenas para o segmento de formulação de
cosméticos, mas para todas as ramificações das indústrias química e
farmacêutica.
O arquiteto Sérgio Henri Stauffenegger, presidente do Grupo Vidy, está
reunindo os principais tópicos da experiência de cinco décadas do grupo no
setor. Com essa síntese, mais a da legislação de outros países sobre
projeto, construção, fabricação e instalação de laboratórios adequada à
realidade brasileira, ao concluir o levantamento, Stauffenegger pretende
encaminhar uma minuta de sugestões à Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), para iniciar a tramitação institucional de um padrão
normativo.
Com a harmonização das normas, procedimentos e nomenclaturas
internacionais, as empresas de engenharia de laboratórios poderão agregar
valor qualitativo aos seus projetos. Para o mercado, o resultado da
normatização dos projetos de laboratórios significará a concretização de
um diferencial necessário à indústria nacional de cosméticos na
concorrência do mercado externo.
Padronização e “padronização” – O engenheiro químico Anderson
Vieira, diretor da Comtec Engenharia e Laboratórios, está alinhado com os
empresários que vêem a necessidade de normatização na engenharia dos
laboratórios. Vieira chama a atenção para o fato de que as normas técnicas
poderão servir como referencial para enfrentar um outro tipo de
“padronização”, que segundo ele nivela o mercado por baixo: os kits
padronizados, vendidos por metro quadrado. Para Vieira, os kits para
instalação de laboratório colocam diante dos empresários uma verdadeira
caixa-preta de surpresas desagradáveis: “Invariavelmente, ao término da
construção, se constata uma série de falhas e deficiências.” Isso porque
os kits de projetos, com dimensões, divisões internas, bancadas, móveis e
sistemas elétricos e hidráulicos padronizados aleatoriamente para os mais
distintos segmentos da indústria, nem sempre são adaptáveis e adequados às
necessidades específicas do empresário. “De repente, no final da
construção, se descobre entre outros problemas que não foram instaladas
pias para lavagem de pipetas, pontos de energia. Mais grave ainda: que o
kit não previa espaço para algum equipamento essencial”, adverte o diretor
da Comtec.
As conseqüências da ausência de normatização técnica nos projetos para as
divisões de laboratório na indústria química de cosméticos transpareceram
nitidamente no resultado de um projeto-piloto sobre as práticas de
fabricação, realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
do Ministério da Saúde. A agência reguladora constatou que pelo menos 65%
dos laboratórios em pequenas, médias e grandes indústrias de cosméticos,
que expandiram em progressão geométrica nos últimos cinco anos,
apresentavam irregularidades nos procedimentos e na orientação para o
armazenamento de matérias-primas, tarefa sob a responsabilidade do
laboratório.
Desde que foi instituída, em janeiro de 1999, a Anvisa intervém como
agência reguladora na rotina das práticas de manufatura das indústrias
farmacêutica e química em geral. Mas seu âmbito de atuação não alcança o
detalhamento técnico global do projeto de arquitetura e engenharia civil,
as especificidades e padrões de funcionamento dos equipamentos do
laboratório. Mesmo porque o estabelecimento e inspeção de normas técnicas
no campo da arquitetura e engenharia extrapolariam seu objetivo social,
como agência reguladora na área de Saúde.
Omissão de alto risco – A inexistência das normas para os projetos
de laboratório, segundo Stauffenegger, pode ser responsabilizada por
transtornos verificados atualmente no cotidiano dos laboratórios, capazes
de provocar desequilíbrios desde a manutenção da salubridade e segurança
do trabalho até o controle de qualidade do produto final.
Uma disposição sobre funcionamento dos equipamentos, que é denominador
comum em praticamente toda a legislação internacional, determina que as
capelas de exaustão química devam ter os seus itens de funcionamento e
desempenho -- volume de captação, iluminação, ruído, redes elétrica e
hidráulica -– inspecionados de seis em seis meses ou, no mínimo,
anualmente.
“Mas aqui são raríssimos os laboratórios que se preocupam com o laudo
periódico de suas próprias capelas”, afirma Stauffenegger. “Esta omissão
faz com que o grau de insalubridade e os riscos de segurança no trabalho
aumentem consideravelmente, com reflexos inevitáveis no controle de
qualidade do produto final.
| ” Além disso, ele
salienta que o mercado oferece modelos de capelas de exaustão química
a preços que variam de R$ 2 mil a R$ 20 mil: “Com esta significativa
margem de diferença nos custos de um equipamento, é claro que não
estamos falando do mesmo padrão de qualidade.” |
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Vieira: projeto deve combinar
economia, conforto e segurança |
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