Esmaltes e vernizes – Um segmento de mercado em mutação é o de esmalte sintético, utilizado para a decoração de ferros e madeiras. As formulações tradicionais de esmalte sintético são realizadas com resinas alquídicas, que exigem solventes. A inovação chega com os sistemas aquosos, que utilizam acrílicos puros.
A vantagem, claro, é o apelo ecológico dos sistemas aquosos, que, por não utilizarem solventes, apresentam um menor impacto ao meio ambiente. Outra vantagem é a rapidez da secagem. O ponto negativo da inovação, como sempre, é o preço. O galão de esmalte sintético formulado com sistema aquoso chega ao consumidor entre 30% e 40% mais caro.

Denver e Clariant oferecem resinas para a formulação de esmaltes sintéticos aquosos. Pestana, da Clariant, informa que na Europa os esmaltes sintéticos base aquosa respondem por 90% do mercado. Nos Estados Unidos, por aproximadamente 40%. No Brasil, onde o mercado para a formulação nasceu há pouco mais de dois anos, os esmaltes aquosos respondem por 5% das vendas. “Mas é um negócio que cresce 10% a 15% ao ano”, afirma. Para a Clariant, que há mais de dez anos aboliu as resinas à base de solventes de seu portfólio, esta é uma boa notícia.

Ayrton Macedo, da Reichhold, uma das empresas líderes em resinas alquídicas para esmalte sintético, também acredita que a tendência neste segmento de mercado seja o crescimento das formulações aquosas. A Reichhold prepara o lançamento no País de uma resina para atender a este segmento de mercado. Mas a estratégia da empresa é oferecer produtos para os dois sistemas, alquídico e aquoso. “Quem vai decidir qual sistema é melhor é o consumidor”, afirma o executivo.

No segmento de vernizes para pisos de madeira, o consumidor, tudo indica, está fazendo sua escolha a favor da inovação. Neste segmento de mercado, tradicionalmente dominado por formulações à base de uréia-formol, como a conhecida marca Synteko, ganham espaço as soluções aquosas à base de poliuretano, apesar do preço do novo produto ser três vezes maior.

Segundo Pestana, as formulações à base de poliuretano apresentam melhor resistência química. Mas o fator decisivo para o consumidor é o cheiro. Os produtos com uréia-formol exalam um forte odor, que impede o uso do local onde o material é aplicado em um prazo mínimo de 48 horas. Outro problema do sistema é a agressividade à saúde do aplicador. “O consumidor paga para livrar-se desses inconvenientes”, diz o executivo. As formulações com poliuretano já respondem por mais de 50% das vendas destes vernizes.

Anticorrosivas – Para o segmento de tintas com funções anticorrosivas, utilizadas principalmente em aplicações industriais, a Rohm and Haas está lançando no Brasil uma resina 100% acrílica, para formulações em tinta base água. Segundo Oswaldo Prickaitis a formulação é um novo paradigma, mais ecologicamente correto, para este segmento de mercado, hoje dominado por formulações alquídicas. “Os testes de salt spray demonstram que as tintas aquosas apresentam uma ótima performance em ambientes não muito agressivos”, diz o executivo.

O segmento de tintas anticorrosivas é o mercado por excelência das resinas epóxi, atendido, no Brasil, principalmente pela Huntsman e pela Dow Brasil. A resina é a que apresenta a melhor performance em ambientes agressivos. Por isso, é bastante aplicada em tintas navais, tintas para plataformas de petróleo, manutenção industrial e no e-coat utilizado pela indústria automobilística.  O preço da resina epóxi, porém, tem sido bastante inflacionado nos últimos tempos. Há dois anos, o quilo da resina era comercializado a US$ 2,50. Hoje os contratos internacionais variam entre US$ 4,50 e US$ 5,00 o quilo.
Jensen: mercados dos epóxis
seguem apertados até 2010

 Segundo João Batista Jensen, gerente de marketing da divisão de epóxi da Dow Brasil, a escalada do preço da resina é resultado da baixa oferta mundial dos dois insumos básicos de sua formulação, a epicloridrina, obtida com cloro e propano, e o bisfenol-A, derivado do fenol.

Por outro lado, o consumo de resinas epóxi se encontra aquecido, não apenas no mercado de tintas, responsável por um pouco mais de 50% da demanda da resina, mas também no mercado de placas de circuitos impressos, utilizados pela indústria eletrônica.

Jensen avalia que a oferta de epóxi continuará pressionada pelo menos até 2010, quando deve entrar em operação uma nova unidade da Dow com capacidade de produzir 100.000 MTPA (milhões de toneladas por ano) de resinas epóxi líquidas em Jiangsu, na China.

Jensen não acredita que o alto preço do epóxi viabilize, no curto prazo, o mercado para resinas alternativas no segmento de tintas anticorrosivas. “Não há tecnologias com performance equivalente em ambientes agressivos”, afirma o executivo.
O alto preço do epóxi também não é visto como um impedimento para a introdução de uma nova resina, a epóxi novolac, que tem custo acima de US$ 10,00 o quilo. É claro, a aplicação é bastante técnica e o mercado, no Brasil, bem restrito. Aqui, o consumidor em potencial é a Petrobrás, com a aplicação direcionada para revestimento de tanques. A grande vantagem da nova resina é sua capacidade de resistir a altas temperaturas. Enquanto um tanque revestido com epóxi tradicional opera a uma temperatura de até 60ºC, com uma resina epóxi novolac, a resistência do tanque chega a 100ºC.

Mercado em alta – Ainda que timidamente, os fornecedores de resinas vão apresentando suas novidades ao mercado brasileiro. A aceitação depende do preço ou de um alto ganho tecnológico. Mas inovar é sempre mais fácil quando o mercado está comprador. Dilson Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI), estima que as vendas do setor em 2007 devam crescer entre 6% e 6,5% em relação ao ano passado, quando foram comercializados 968 milhões de litros de tinta no País. Resta saber se a demanda aquecida vai ser suficiente para quebrar as resistências dos consumidores aos produtos com maior valor agregado e viabilizar a introdução de resinas mais avançadas no Brasil.

 
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