O primeiro é uma redução da informalidade. O segundo fator exige um novo comportamento do consumidor, prevalecendo a cultura da análise da relação custo/benefício. O terceiro fator seria uma mudança de estratégia entre os principais fabricantes de tintas do País, com a compra de resinas de empresas especializadas, em detrimento da produção cativa.

Luiz Carlos Pestana, gerente de produto para América Latina da Clariant, uma das maiores fornecedoras independentes de resinas para tintas no País, acredita que já há sinais de um declínio da estratégia de produção cativa de resinas. A tendência, diz o executivo, é de que os fabricantes de tintas privilegiem a especialização, como ocorre no exterior.
Pestana: produção cativa de
resinas tende a declinar

Neste caso, os insumos, como as resinas, seriam adquiridos de empresas independentes, experts em seus negócios, e as fábricas de tintas seriam “montadoras”, como ocorre na indústria automobilística. “Já há empresas realizando consultas no mercado nesse sentido. Em cinco a dez anos, a produção cativa de resinas será marginal no País”, acredita Pestana. Ocorrendo essa alteração na estratégia produtiva, acreditam os fornecedores independentes de resinas, abrem-se inúmeras oportunidades para a introdução de insumos de maior valor agregado.

Estireno-acrílicas – Enquanto isso não ocorre, o mercado continua concentrado em resinas de baixo custo. No segmento de tintas imobiliárias, essa realidade é bastante evidente. Entre as resinas para tintas de parede predominam as de acrílico modificadas com estireno, ou estireno-acrílicas, como são chamadas. Estas resinas, segundo algumas estimativas, respondem por mais de 95% dos negócios. Fica algo como 3% para as resinas à base de acetato de polivinila (PVA), consideradas ainda inferiores, sobrando apenas nichos para resinas mais avançadas.

As resinas estireno-acrílicas se impuseram sobre as resinas PVA por apresentarem maior resistência e lavabilidade. Mas também, como informa Edson Cimadon, porque, há uma década, possuem preços equivalentes. “Não julgo que essa posição das resinas estireno-acrílicas seja 100% consolidada. Havendo uma mudança no equilíbrio de preço das duas resinas, com o PVA tornando-se mais barato, uma parcela significativa dos fabricantes migrará para o PVA”, diz o executivo. O quilo da resina acrílica estirenada é comercializado na faixa de R$ 3,50 a R$ 3,60.

Apesar de ser considerada avançada em relação à resina PVA, a resina estireno-acrílica se encontra na base da pirâmide tecnológica, em se tratando de resinas para tintas de parede. Com maior valor agregado, são resinas como as de acrílicos puros e as resinas à base de vinil etilênico.

Luiz Pestana, da Clariant, faz uma comparação entre as três tecnologias. Ele informa que a resina estireno-acrílica tem uma resistência máxima de cinco anos, sendo que após dois anos a pintura passa a sofrer um amarelamento, em virtude da incidência de ultravioleta. Já as tintas elaboradas com resinas à base de acrílicos puros apresentam uma vida útil superior a dez anos, sem alteração de cor. Estas resinas, porém, são pelo menos 20% mais caras.

Na Europa, as resinas de acrílico puro respondem por 30% do mercado. Entre os europeus, informa o executivo, prevalecem as resinas vinil etilênico, que possuem desempenho próximo das resinas de acrílico puro, mas são mais econômicas. Essa inovação, porém, não tem data para chegar ao Brasil.

O problema, informa Pestana, é que em toda a América Latina é baixa a oferta de óxido de etileno, insumo básico da resina vinil etilênica. “Enquanto não houver grande oferta do insumo, não haverá produção local da resina e a importação não é competitiva”, diz o executivo.

Por ora, portanto, a aposta de inovação da Clariant no Brasil, no segmento de tintas para parede, é o desenvolvimento do mercado de resinas 100% acrílicas. Para isso, a estratégia da empresa envolve produção local e importação.

Aposta semelhante faz a Rohm and Haas. Há um ano a empresa introduziu no País, com produção local, a Avanse 412, nova resina em acrílico puro. Conforme informa Oswaldo Prickaitis, gerente de contas do negócio de tintas e revestimentos, o preço da nova resina é 20% superior ao das resinas estireno-acrílicas. Mas com duas vantagens, que acabam anulando esta diferença.

A primeira vantagem é que a quantidade necessária da resina 100% acrílica na formulação é inferior à quantidade exigida de resina estireno-acrílica. A segunda vantagem é que a nova resina reduz a necessidade de dióxido de titânio na formulação, por apresentar um alto poder de cobertura. “É uma resina que permite ganho de qualidade, sem impacto no custo”, diz Prickaitis. “Quando se apresentam soluções que unem estes dois fatores, há espaço para inovação no País”, afirma. Na prática, porém, este desempenho ainda não resulta em conquista significativa de mercado. O consumo de resinas 100% acrílicas ainda é incipiente no País. “Nossa meta é fazer esse consumo deslanchar”, diz o executivo.
 

 
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