Além da grande conveniência de realizar reações em escala laboratorial, as indústrias do setor de alimentos, segundo o engenheiro, também convivem no seu dia-a-dia com necessidades voltadas à secagem e à granulação de produtos alimentícios, buscando alterar a forma de ingredientes, em geral apresentados em pó, para alcançar resultados de melhor fluidez e maior facilidade de manuseio.

A granulação no setor, segundo observou Pellegrino, envolve o pó a granular, pequenas quantidades de ativos e um agente aglomerante, normalmente líquido, que manterá os componentes aglomerados, evitando sua segregação. “O tamanho e a uniformidade dos grãos dependem da ação de mistura, tamanho das partículas dos componentes, tipo de aglomerante utilizado e grau de dispersão a ser atingido durante o processo de mistura e granulação.”

“Normalmente, a indústria alimentícia utiliza equipamentos distintos para promover a mistura e a dispersão dos pós para posterior granulação, mas diversos problemas surgem em virtude desse tipo de procedimento, pois cada etapa irá requerer tanques separados, processos de limpeza e assepsia, além de validação regulatória dos agentes de inspeção. A granulação em vários estágios não é eficiente, pois, em geral, o processo ocorre sem que haja repetibilidade consistente, tendo que se peneirar o produto final para se remover grãos não uniformes, e enfrentar baixo rendimento.” Repetibilidade do processo e alto rendimento, segundo acentuou, somente são alcançados com a operação de equipamentos de granulação específicos.

Nos processos mais modernos, conta-se com dois tipos de equipamento: um horizontal e outro vertical. “A Semco dispõe de granuladores verticais, com capacidade desde 30 litros até 1.200 litros, e horizontais, desde 50 litros até 20 mil litros, ambos equipados com ferramentas de mistura e complementados por ferramentas de alto cisalhamento, como intensificadores, que dispersam rapidamente pequenas quantidades de líquidos ou de componentes em pequenas porções, todas elas instaladas num único tanque, com eixos selados por meio de caixas de gaxetas com purga de ar ou de gás inerte, para impedir o ingresso de produtos nos eixos e, assim, prevenir contaminações cruzadas.”

O processo de granulação costuma envolver determinadas etapas. Os produtos em pó são adicionados ao equipamento, mantido desligado. A mistura se inicia, dando lugar à dispersão dos componentes. Só depois, deve ser adicionado o agente granulante, na forma de spray, na região de alta intensificação, iniciando-se a granulação desejada. O grau de aglomeração será determinado pela quantidade de aglomerante utilizado, tempo de mistura e potência do equipamento. O tamanho dos grãos irá decorrer dessas variáveis. “Os grãos aumentam de tamanho quanto maior for o tempo de mistura ou a quantidade de agente granulante, e a ação das ferramentas de mistura, incluindo a principal e o intensificador, irá determinar o tamanho dos grãos em função da potência consumida”, concluiu.

Rotuladora versátil – As soluções tecnológicas para fabricantes e engarrafadores de bebidas, levadas à 23ª Fispal Tecnologia, também estão mais completas e versáteis, conforme observado na nova rotuladora modular Solomodul.
Concebida com sistema de transmissão totalmente comandado por servomotores, essa máquina, desenvolvida pela Krones, rotula até 72 mil frascos por hora e oferece grandes benefícios às indústrias, pois permite combinar num único equipamento diferentes tipos de rotulagem em papel e BOPP. O novo sistema também oferece opção para rotulagens com cola fria, cola quente ou com rótulos auto-adesivos, e permite a colocação de lacres invioláveis e selos nas embalagens para bebidas.
Com mais de 200 equipamentos já instalados em várias partes do mundo, o modelo exibido na feira é um sucessor da primeira rotuladora deste tipo, lançada em 2001, integrando a segunda geração de máquinas apresentada ao mercado mundial pela primeira vez em 2005, durante a Drinktec.

Segundo o diretor-comercial da Krones do Brasil, Silvio Rotta, máquinas da segunda geração agregaram várias inovações em relação ao projeto original, incluindo novo sistema de troca automática de rótulos e reconhecimento de garrafas e frascos por câmera.

Além de apresentar a nova Solomodul, o executivo da companhia comemorava durante a 23ª Fispal Tecnologia recente contrato de fornecimento de linhas de envase para refrigerantes, firmado com a Schincariol, prevendo a instalação ainda no segundo semestre deste ano de quatro linhas de envase de PET para refrigerantes.
“As linhas que serão instaladas na Schincariol representam as primeiras no Brasil, comercializadas com tecnologia de bloco, e com sistemas de sopro e enchimento acoplados, o que permite simplificar totalmente as linhas de envase e reduzir os custos de operação”, considerou Rotta.

Os usuários de máquinas para empacotamento de líquidos, pastosos, granéis sólidos e pós, fabricadas pela Masipack, de São Bernardo do Campo-SP, já podem contar com novas soluções em balanças e encartuchadoras, recentemente incorporadas às linhas tradicionais desse fabricante, graças à aquisição da Multiline, ocorrida em junho deste ano.

“Com a aquisição das tecnologias da Multiline, podemos oferecer soluções completas, englobando balanças e encartuchadoras”, afirmou Simone Lopes, analista de marketing da Masipack.

Como um dos primeiros resultados da iniciativa, o visitante da feira pôde conferir a encartuchadora automática Voller-Cat, em funcionamento na feira. A exposição desse fabricante se estendeu à apresentação dos modelos Ultra VS-250 e VS-350 de máquinas para envase vertical, na ocasião embalando balas, e do modelo Stylos, para envase horizontal, embalando pacotes de biscoitos.

Entre os lançamentos ainda se destacou a embaladora automática horizontal Sup 160, que também dosa sólidos ou líquidos por balança ou dosador de rosca. Um dos diferenciais dessa embaladora, segundo Simone, está na sua capacidade de dosar e embalar com precisão batatas palhas, por exemplo, produto muito fragmentado e difícil de dosar, porque o equipamento conta com software especial para garantir precisão no peso dos produtos. O equipamento também forma embalagens do tipo stand-up-pouch e com sistema de fácil abertura (easy-open), à velocidade de produção de 45 pacotes de 140 gramas por minuto.

Além dessas soluções para empacotamento, a Masipack oferece ao mercado vários modelos de máquinas horizontais para embalagens contínuas (flow pack), e verticais para embalagens do tipo “almofada” (pillow pack), além de equipamentos para a produção de embalagens “sanfonadas”(hurdy pack), entre outros.

Novas motorizações são termômetro – As indústrias de alimentos e bebidas, bem como boa parte de seus fornecedores de máquinas e equipamentos, também investem cada vez mais em sistemas mais modernos de acionamento e controles de alta precisão, levando em conta a forte demanda por servomotores e motorredutores observada nos últimos anos no mercado brasileiro. Só na venda de servomotores, os percentuais de crescimento anual se aproximam dos 30%. Boa parte das aplicações são voltadas para máquinas e equipamentos para o setor de alimentos, como dosadores de ingredientes, empacotadoras e embaladoras.

“As indústrias estão substituindo cada vez mais motores convencionais assíncronos, elétricos e trifásicos, por servomotores e, em muitos casos, as máquinas chegam a comportar até dez servomotores, visando a alcançar altíssimas velocidades de produção”, exemplificou o consultor Maurício Gama, da Sew-Eurodrive Brasil, fabricante de motorredutores, conversores de freqüência, sistemas descentralizados, servoacionamentos e redutores industriais.
 
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