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Por conta disso, os cosméticos, principalmente os de higiene pessoal,
disponíveis nos supermercados e lojas de auto-serviço possuem embalagens
cada vez mais coloridas e sofisticadas, além de se apresentarem em forma
de frascos ou frasnagas (bisnagas semi-rígidas) substituindo as bisnagas
(necessariamente com base redonda ou oval) nas gôndolas. Mesmo os produtos para proteção solar, que há pouco tempo eram tratados quase como medicamentos, ganharam desenho diferenciado e aplicadores diversos. Se o produto for comercializado tendo como alvo o público infantil, a embalagem é colorida, divertida e os aplicadores respeitam a necessidade de facilitar a aplicação pela mãe. Já os voltados para o público feminino buscam mostrar características do verão na cor e na forma (shape), agora com aspecto sinuoso, a fim de induzir a lembrança de um corpo feminino ou das ondas do mar. A aplicação, por sua vez, deve ser fácil, pois o frasco não pode escorregar das mãos e, quando utilizado na praia, a areia não deve chegar ao produto ou obstruir o aplicador. Uma novidade do setor vem das cores, com a utilização de masterbatch perolizado. Nos rótulos, a impressão a quatro ou cinco cores com a presença de detalhes metalizados (hot stamping) também se destaca. Na venda direta, seja por meio de revendedoras ou de lojas da marca, a embalagem deve refletir o conceito da linha e agregar o máximo valor ao produto. Também é importante que o conceito da embalagem se estenda aos outros produtos, existentes ou não na linha. Toda esta complexidade exige estudos específicos de layout e de design associados ao trabalho de técnicos que indicam o tipo de material e de embalagem. Essa discussão deve ter como base o uso do produto, o hábito do consumidor bem como as características físico-químicas do produto a ser embalado. Neste mercado, utiliza-se o polietileno tereftalato (PET) e o vidro com bastante freqüência por apresentar transparência e brilho superiores e transmitirem valor diferenciado ao produto. Os laminados plásticos também estão presentes em co-extrudados de polipropileno/acetato de polivinila (PP/EVA), com acabamento em verniz soft touch, que propicia o uso do produto com as mãos molhadas sem que este escorregue, proporcionando um acabamento com efeito “fosco” sofisticado. O alumínio e os metalizados também aparecem em tampas, frascos (tubos) e bisnagas com apelos diferenciados ao consumidor. Muitas inovações são feitas a cada dia no desenho e modelo das embalagens. Porém a característica físico-química do material a ser embalado deverá ser respeitada. Deve-se observar a viscosidade e o comportamento reológico antes de se decidir por um pote ou frasco ou entre o frasco e a bisnaga. Produtos que não apresentem escoamento adequado não devem ser envasados em frascos, pois o consumidor não conseguirá utilizá-lo em sua totalidade, mesmo se o frasco for em material flexível que permita empurrar o produto para fora ou se houver válvulas para aplicação. Já os que são embalados em potes devem ser firmes o bastante para o produto não escorrer durante a retirada deste para o uso. Alumínio na bisnaga - No caso das bisnagas, tem-se a cada dia materiais mais sofisticados. As embalagens fabricadas em alumínio, que tinham seu uso restrito a produtos de higiene, como cremes dentais e de barbear, ou a tinturas capilares, foram “descobertas” por uma marca francesa de cosméticos (L´Occitane) que passou a utilizá-las sem pintura externa, revelando o metal. Dessa forma, lembra os tubos de alumínio utilizados pelas antigas farmácias de manipulação. Muitos fabricantes brasileiros decidiram pelo mesmo caminho e têm utilizado o material com sucesso. As empresas exploram o apelo de reciclagem do material e a possibilidade de redução de impacto ambiental nas análises de ciclo de vida. A desvantagem deste tipo de embalagem é a necessidade de cartucho de papelão, pois mesmo quando transportado em caixas de transporte com divisão em colméias, o produto apresenta danos, impossibilitando sua comercialização. A viscosidade mínima recomendada para que os produtos sejam envasados neste tipo de embalagem é de 15.000 cps. Outro material cada vez mais freqüente são as bisnagas laminadas com estruturas de polietileno e álcool polivinílico (EVOH). Este tipo proporciona um material flexível, mas com baixa permeabilidade ao odor. Também facilita o transporte, pois não ocorre deformação ou amassamento da embalagem. Mais uma tendência é o aplicador utilizado nas bisnagas. Ele pode apresentar desenho diferenciado dependendo do uso e local de aplicação. Bicos oftálmicos para cosméticos de tratamento que necessitam ser dosados em pequenas quantidades, bicos com desenho específico para produtos para lábios (tratamento ou maquiagem) e até mesmo bicos tipo roll on e válvulas são alguns destaques. Vale lembrar que o uso de bisnagas exige envase em equipamento específico com a possibilidade de selagem ou o uso de mordentes na área oposta à da tampa do produto e ferramental diferenciado para os diversos tipos de materiais e volumes envasados. Se a bisnaga for em alumínio, existirá a necessidade de colocação em cartuchos que poderá ser feita em equipamento específico posicionado em linha ou manualmente, com maior impacto no custo de mão-de-obra. O exemplo mais recente do uso diferenciado de bisnagas é o de um produto lançado por uma multinacional francesa que tem uma popular modelo alemã como garota-propaganda. No anúncio, o produto é mostrado sob uma ótica quase médica e apresenta efeito comprovado similar ao das aplicações de colágeno, realizado sob a forma de injeções. Assim sendo, a modelo segura a pequena e afilada bisnaga como uma seringa e mostra o aplicador alongado como uma agulha (na verdade um bico oftálmico). O consumidor vincula a imagem ao procedimento médico e entende o produto como associado ao efeito obtido. Potes em foco - Muito utilizados em produtos com apelo de tratamento, sobretudo os direcionados para o público feminino, os potes têm formatos cada vez mais diferenciados. Essas embalagens vêm como opção de redução de custo e como facilitador no momento da aquisição do equipamento de envase, pois há a possibilidade de envasar a “caneca” que recebe o produto separadamente do restante do pote, realizando-se a montagem posteriormente. Esta caneca poderá receber ao final do envase e antes da montagem um selo em alumínio laminado com PE que garante a inviolabilidade do produto antes do uso. O vidro também vem recebendo destaque nesta família de embalagens. Por transmitir valor ao produto é bastante utilizado em cosméticos para o rosto e pode ser apresentado como única embalagem ou associado à “caneca” plástica que pode ser em PET, polipropileno (PP) ou polietileno de alta densidade (PEAD). As principais desvantagens são a fragilidade do material, que exige embalagem secundária (cartucho), e o seu peso, que pode impactar no valor do frete. Os produtos para serem envasados neste tipo de embalagem necessitam apresentar viscosidade acima de 15.000 cps (20.000 cps recomendados) e é importante considerar que o escoamento deve ser pequeno, pois caso contrário ocorrerão perdas durante o uso, causadas por uma fluidez elevada do produto. Frasco é o mais popular - As embalagens em formato de frascos são mais freqüentes e apresentadas nos mais diversos tipos de materiais e desenhos. Para perfumaria, o vidro aparece como principal material, utilizado com válvula na maioria das vezes. Há alguns fabricantes de produtos para perfumaria que optam por embalagens em PET, principalmente os voltados para uso em “body splash” e para o público infantil. Em ambos os casos, o vidro representa um risco à segurança durante o uso, e a tendência é de que ele seja substituído. O vidro e o PET garantem a não-oxidação da fragrância e a transparência muitas vezes exigida para o conceito do produto. Ambos podem receber válvulas para aplicação, porém, nos frascos de vidro, o processo de recravagem é utilizado para as válvulas. Os frascos em PET, em sua maioria, usam válvulas rosqueadas. A linha de produtos para o corpo, seja de cremes hidratantes ou de produtos com funcionalidade (para tratamento de celulite ou flacidez, por exemplo), utiliza os frascos em PP com ou sem válvulas para melhorar a aplicação. A viscosidade varia bastante podendo chegar aos 70.000 cps. O polietileno de baixa densidade (PEBD) também se mostra como opção, mas agrega pouco valor ao produto acabado, nestes casos. Já em itens para cabelos, o PEBD está presente na grande maioria das embalagens, principalmente nos encontrados no varejo. Nos produtos direcionados para um público diferenciado, o PET ganha participação de mercado a cada dia, por conta da sua transparência e brilho, que agregam valor ao produto. Outro ponto que vem sendo explorado nesta linha de produtos são as chamadas “frasnagas”, um quase híbrido de frasco com bisnaga. Utilizando o mesmo material do frasco tradicional, posiciona a tampa da decoração de maneira que a tampa fica para baixo, no lugar do fundo do frasco. Esse design facilita o uso, sobretudo, de cremes condicionadores, que por exigência do público estão, a cada dia, mais viscosos. |
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