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COSMÉTICOS
Desenho e
construção das
embalagens contribuem para
o sucesso dos produtos
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Cuca Jorge |
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Além do aspecto visual, clientes precisam se
sentir confortáveis com as embalagens |
Nos últimos anos se observou o crescimento a passos largos do mercado
de embalagens voltadas para a área cosmética. O que no passado era
utilizado apenas como objeto para conter o produto é hoje fator decisivo
na hora da compra. Com a disponibilidade de materiais diversos, que vão
desde o polietileno (PE) e o vidro até a cerâmica, a embalagem se tornou
parte do processo de desenvolvimento do cosmético e passou a transmitir
conceitos. Algumas mudanças ocorreram porque as empresas tentam reduzir o
impacto ambiental de suas embalagens. Além disso, os designers propõem
abordagens mais completas, nas quais se consideram várias questões, como a
disponibilidade de equipamento de envase; o perfil de escoamento do
material; os problemas de resistência à luz e à oxidação; o custo dos
componentes da embalagem, e o hábito do consumidor final.
Este último item é, muitas vezes, desprezado, mas pode ser determinante na
recompra. Se o consumidor não se sentir à vontade com o produto ou se não
tiver como acondicioná-lo para uso confortável não haverá recompra.
Portanto, cabe um alerta, ao alterar radicalmente a embalagem de um
determinado produto comum no dia-a-dia do consumidor deve-se realizar uma
pesquisa de avaliação, garantindo que o cliente não recusará a nova forma
de apresentação.
Há um consenso: a embalagem sempre deve facilitar o uso, permitindo o
máximo de conforto ao consumidor. Exemplos ficam por conta dos produtos
para os lábios. Essas novidades apresentam bico aplicador específico para
a região labial, seja para produtos de tratamento ou para os voltados à
estética.
| Outro tipo de aplicador, cada
vez mais explorado pelo setor, se refere ao tipo roll on. Antes
restrito a desodorantes e antitranspirantes, o produto ampliou sua
participação no mercado. Hoje está presente em depilatórios, brilhos
labiais e alguns tipos de loção. A idéia é a de facilitar a aplicação,
sem sujar as mãos ou usar pincéis. |
Cuca Jorge |
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| Uso de refil ajuda a reduzir impacto ambiental |
O volume disponibilizado (tamanho do frasco, pote ou bisnaga) também
tem de ser considerado, sobretudo em produtos para exportação. Os hábitos
de consumo em cada país são diferentes. Sendo assim, detalhes, como
embalagens grandes ou pequenas demais, podem encalhar um produto na
prateleira.
Ambiente - Hoje o impacto ambiental também tem norteado os
profissionais do ramo. Em grande parte das avaliações de análise do ciclo
de vida (ACV) de produtos cosméticos, a embalagem é vista como a causadora
de maior impacto. Técnica para avaliação dos aspectos ambientais e dos
impactos potenciais associados a um produto, a ACV compreende etapas que
vão desde a retirada das matérias-primas elementares da natureza que
entram no sistema produtivo à disposição do produto final. Essa técnica
também é conhecida como análise “do berço ao túmulo”.
Na verdade, trata-se de uma ferramenta técnica que pode ser utilizada para
uma grande variedade de objetivos. As informações coletadas na análise e
as interpretações podem ser úteis para tomada de decisão, na seleção de
indicadores ambientais relevantes para a avaliação de desempenho de
projetos ou reprojetos de produtos ou processos, além do planejamento
estratégico.
Numa tentativa de reduzir o impacto ambiental, muitas empresas têm lançado
estratégias, como o uso de refil para comercialização de seus itens. Este
refil apresenta forma simples, com espessura de parede fina e não possui
tampa ou válvula. Além disso, seu material, em sua maioria, tem impacto
ambiental menor que o da embalagem regular. No conceito do produto, o
refil auxilia na redução do impacto no ambiente melhorando
consideravelmente a ACV.
Conceito - Muitas vezes tratado com reservas, o conceito de um
produto ou linha deve ser transmitido pela embalagem, quer pela forma,
rótulo ou maneira como é explorado pela mídia. Um dos exemplos de maior
destaque é uma linha desenvolvida para cuidados da mãe e do bebê. Os
produtos contam com frascos, cuja forma lembra um útero materno durante a
gestação e com a tampa que remete a um seio materno. Esta linha lançada no
início dos anos 90 por um fabricante nacional de cosméticos se mantém até
hoje e mostra como o vínculo da mãe e do bebê devem ser reforçados (os
produtos são para a mãe e para o bebê e não apenas só para um dos
públicos). Todo este conceito é transmitido pelas embalagens da linha e
explorado pela comunicação da empresa, sendo o caso amplamente estudado.
Outro tipo de embalagem com foco no conceito pode ser encontrado na área
de perfumaria e brindes de uma empresa brasileira. Para o dia dos
namorados, lançou kits com apelo “sensual/gourmand”, oferecendo produtos
para corpo e banho destinado ao uso a dois. Se comercializados
individualmente, os produtos não teriam o mesmo impacto no público.
Desta forma, observa-se a importância da embalagem na indústria cosmética
tanto sob o aspecto técnico como pelo aspecto comercial. Tanto o uso
adequado de materiais e o design como a divulgação do conceito de uma
linha de produtos têm impacto no mercado.
Canal de venda – Na criação de uma embalagem é importante
considerar ainda o canal de venda, pois existe diferença entre uma
embalagem utilizada para comercializar um produto em uma gôndola de
supermercado e outra para a venda direta, seja esta em loja especializada
ou por serviços de revenda com catálogos. No mercado cosmético, na maioria
das vezes, o cliente decide pelo produto no momento da compra. Por isso, a
marca deve estar fixada e desenvolvida na mente do consumidor.
No entanto, independentemente de cumprir esse quesito, o produto necessita
ser visto. É importante que salte aos olhos do consumidor para que ele
possa em poucos segundos optar, escolher por aquele item, que muitas vezes
não faz parte de sua lista de compras. Para ativar tal mecanismo, a
ampliação da frente do produto se torna fundamental. A área exposta de
painel frontal deve ser a mais ampla possível. Por isso, o que existe
disponível no varejo, sobretudo, no caso de mercado de massa (mass market)
são modelos de frente ampla, alta e de base estreita. Assim pode-se
disponibilizar um painel frontal amplo, no qual o rótulo apresenta a
marca, o produto e seus benefícios de forma clara e objetiva.
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