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Ele informou que o briquete apresenta poder calorífico de 5 mil
kcal/kg, quase o dobro do obtido com a lenha, tendo apresentação uniforme,
como no caso dos pellets, o que permite automatizar a alimentação da
fornalha. “Há um custo adicional da briquetagem ou da peletização que
precisa ser bem avaliado pelo cliente”, considerou.
O mercado desses equipamentos é disputado entre empresas estabelecidas no
País. Eboli explica que o custo de transporte das caldeiras é elevado, bem
como o imposto de importação. Ocasionalmente, algum equipamento importado
entra no País, dentro de pacotes turn-key. “Em geral, a compra é feita
aqui mesmo, aumentando o índice de nacionalização dos projetos”, explicou.
Nas caldeiras navais, a Aalborg algumas vezes repassa pedidos para a
filial brasileira, cuja fábrica de Petrópolis-RJ foi modernizada e conta
com grande capacidade produtiva.
O tipo mais avançado de caldeira oferecido pela Aalborg é o Mission, com
três passos, cujo rendimento fica entre 90% e 91%, sem o uso de
economizadores. Os técnicos da empresa comentam que um modelo equivalente,
há quinze anos, não conseguia oferecer mais de 87% de rendimento. A
pequena diferença percentual pesa muito no bolso do cliente. “Uma caldeira
para 15 t/hora de vapor, operando em regime integral, pode gastar R$ 700
mil por mês de óleo combustível, tornando significativa a melhoria de 3%”,
explicou Salmazo.
A linha Mission foi padronizada pela Aalborg em todo o mundo, com
rendimento de classe mundial, incluindo os queimadores de fabricação
própria, com a possibilidade de acoplar um produto de outro fornecedor, se
assim desejado pelo cliente, mas nesse caso não se responsabiliza pelo
desempenho final do conjunto. “Nosso queimador é bom e produz uma chama
perfeitamente compatível com as dimensões das caldeiras”, disse Salmazo.
“Não há muito mais o que fazer quanto ao desenho e construção do
equipamento, pois já estamos bem próximos dos limites teóricos”, comentou
Salmazo. Enquanto na parte térmica os avanços são quase imperceptíveis, as
modificações mais evidentes ficam por conta dos sistemas de automação e
controle que já permitem operação e resolução de problemas a distância.
A Aalborg aplica preferencialmente controladores lógico-programáveis (PLC)
fornecidos pela Schneider Electric e Rockwell Automation, dependendo do
sistema supervisório em uso no cliente. Essa escolha foi feita em razão da
disponibilidade de suporte técnico e protocolos de comunicação, além de
contar com tecnologia adequada para construção e segurança. Embora o PLC
controle o equipamento térmico, Salmazo informa que os dispositivos de
segurança originais foram mantidos, oferecendo uma proteção redundante.
“Os eletrodos e os sensores de nível desligam a caldeira independentemente
do PLC no caso de falta de água, por exemplo”, informou.
O controle por processadores eletrônicos oferece muitas vantagens para as
caldeiras. A regulagem da entrada de ar, proporcional ao volume de
combustível aplicado, dependia de sistemas mecânicos que sofriam desgaste
ao longo do tempo, perdendo a precisão. Além disso, os servomotores fazem
um ajuste fino melhor que as antigas varetas.
Os PLC possuem telas para interfaciamento homem-máquina, por meio das
quais os operadores introduzem os parâmetros necessários à condução da
geração de vapor e podem acionar ou desligar o sistema. Eles também são
ligados aos sistemas supervisórios das fábricas, quando existentes,
permitindo a configuração e o controle em salas de comando central. Além
disso, caso o cliente aceite, é possível interligar o PLC a um servidor de
rede, pela qual ele poderá se conectar à Aalborg, em São Paulo. “Com isso,
nós podemos fazer atualizações no software, configurar e também resolver
alguns problemas do equipamento sem deslocamento de pessoal”, afirmou
Salmazo. Essa opção, no entanto, depende da disponibilidade de rede de
dados segura, evitando infiltrações indevidas.
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