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PIGMENTOS
Degussa inaugura 3a linha produtiva de
negro-de-fumo
A fábrica da Degussa Brasil em Paulínia-SP colocou em marcha sua terceira
linha produtiva de negro-de-fumo em 26 de junho, perfazendo capacidade
total de 100 mil t/ano do produto usado pela indústria de artefatos de
borracha e pneus, bem como pigmento para tintas de impressão, plásticos e
esmaltes. Com isso, a empresa reforçou sua posição de segunda maior
produtora mundial, com 1,4 milhão de t/ano espalhada por vários países.
| A inauguração atraiu às
instalações, vizinhas às da Refinaria do Planalto (Replan, a maior da
Petrobrás), a visita do presidente mundial (CEO) da companhia, Klaus
Engel, recentemente contratado e oriundo da distribuidora Brenntag..Ele
foi indicado para o cargo pelo grupo RAG, que comprou a Degussa em
setembro de 2006. A Degussa representa 80% dos negócios químicos do
referido grupo |
Divulgação |
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| Fábrica de Paulínia-SP pode produzir 100 mil t/ano |
Engel ressaltou que tanto a Ásia quanto a América do Sul são
consideradas estratégicas para a companhia, devendo receber volume
significativo de investimentos. A unidade de Paulínia, prova disso,
recebeu US$ 85 milhões desde a compra do terreno, em 1989. Em outubro, a
fábrica de peróxido de hidrogênio de Barra do Riacho-ES conclui projeto de
expansão para 80 mil t/ano. “Além disso, a alta eficiência do Brasil em
etanol e açúcar nos motiva a estudar uma maneira de participar da cadeia
produtiva”, comentou. A empresa fornece catalisadores para biodiesel e
investiga o campo dos plásticos biodegradáveis. O plano atual de
investimentos da companhia chega a 2,2 bilhões de euros, com boa parte
aplicada em países emergentes.
No caso da América do Sul, os negócios centrais da companhia estão sendo
reforçados. O Brasil já abriga produções locais de negro-de-fumo e
peróxido de hidrogênio, mas ainda há espaço para absorver mais aminoácidos
nas linhas de rações para galináceos. Ainda em nutrição animal, o Chile
possui excelente potencial para rações de peixes. Engel explicou que a
empresa desenvolve estratégias por região geográfica e por unidades de
negócio.
| Divulgação |
No momento, a atuação
regional está sendo reforçada.
A disponibilidade de recursos naturais favorece a fabricação de
aminoácidos, mas também provoca os pesquisadores da companhia a
estudar outros campos de aplicação. Com os preços do petróleo em alta,
alternativas renováveis para a produção de metacrilato de metila e
butadieno se tornam interessantes. “Dentro de cinco a dez anos, vários
bioprodutos estarão muito desenvolvidos”, afirmou Engel. |
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| Fábrica de Paulínia-SP pode produzir 100 mil t/ano |
O CEO avaliou como promissor o panorama de negócios com especialidades
químicas, apesar do acirramento da concorrência mundial. A rentabilidade
do segmento apresenta boa evolução porque a relação oferta e demanda está
muito apertada, principalmente por causa do crescimento asiático e da
recuperação dos EUA, sustentando preços. Porém, as empresas precisam
concentrar esforços para se manter na liderança dos principais mercados
mundiais. “Recomendo investir na indústria química, não só na de
especialidades”, considerou.
Negro aquecido – A América do Sul está ampliando significativamente
a produção de pneumáticos e de veículos automotores, tanto para consumo
regional, como para exportação. Só em 2006, as fábricas brasileiras
produziram 55 milhões de pneus e 2,6 milhões de veículos, um terço dos
quais destinado à exportação. Para 2009, espera-se a produção de 70
milhões de unidades. “A construção da linha três foi antecipada em dois
anos para atender à evolução da demanda”, explicou o presidente da Degussa
Brasil Weber Porto.
Entre os três produtores mundiais instalados no País (Degussa, Cabot e
Columbian), a oferta nacional de negro-de-fumo alcançou a casa das 450 mil
t/ano. “Esta quantidade é suficiente para suprir o mercado brasileiro
pelos próximos cinco anos, depois disso será preciso construir novas
fábricas”, calculou Eraldo Pereira Jr., responsável pela área comercial do
produto na região, recentemente transferido para os Estados Unidos onde
será o gerente de atendimento mundial à Goodyear.
As três linhas de produção da unidade de Paulínia foram construídas no
mesmo conceito tecnológico, variando apenas a sua capacidade. As duas
primeiras podem fabricar 27,5 mil t/ano do insumo, enquanto a mais nova
pode ir a 47,5 mil t/ano, dependendo dos tipos nela elaborados. O processo
consiste em queimar um hidrocarboneto, no caso o resíduo aromático (Raro)
de destilação de petróleo, comprado da Replan e recebido por meio de
dutovia, em uma fornalha horizontal, daí o nome de processo furnace. Uma
chama quase invisível de gás natural queima o Raro injetado por bocais
perpendiculares a ela. Aproximadamente a um metro adiante, injeta-se água
na fornalha, interrompendo a oxidação. O fluxo ainda aquecido passa por um
circuito de resfriamento, sendo levado a um conjunto de filtros de mangas
que retém o negro-de-fumo, descarregado pela parte inferior. “Em Paulínia,
são produzidos seis tipos de alta superfície (hard) e cinco tipos de baixa
superfície (soft)”, informou Rolf Zimmermann, gerente da fábrica. Durante
o processamento, podem ser introduzidas ainda algumas modificações na sua
estrutura, tanto na peletização, quanto na secagem, podendo ser feita até
uma nova oxidação.
A produção de um único pneu pode requerer a adição de doze tipos
diferentes de negro-de-fumo. Há um específico para promover a adesão dos
fios de aço da estrutura à borracha que fica aparente. Mesmo na borracha,
a parte interna recebe tipos soft, enquanto os hard ficam na superfície.
Toda essa complexidade foi explicada por Thomas Hermann, presidente da
unidade de negócios de cargas avançadas e pigmentos. Há três eixos de
exigências para o desenvolvimento de pneus: a redução da resistência ao
rolamento (para economizar combustíveis), resistência ao desgaste, e
adesão em pistas molhadas (aumento de segurança). Essas propriedades são
obtidas pela combinação adequada de borracha com aditivos, entre os quais
o negro-de-fumo prevalece. Um composto mais mole aumenta a adesão à pista,
mas eleva o consumo de combustível e o desgaste. Compostos mais duros
fazem um pneu durável e reduzem o consumo de combustível, porém pode ser
inseguro em dias de chuva, por falta de aderência ao piso. Essa
complexidade aproxima os fabricantes de pneus com a indústria química.
Em geral, pneus de caminhão usam apenas negro-de-fumo com misturas de
borracha natural com sintética, para resistir às solicitações mecânicas
mais rigorosas às quais são submetidos. Carros de passeio usam pouca ou
nenhuma borracha natural e a borracha sintética pode ser mais aditivada.
As pesquisas avançam na direção dos pneus inteligentes, de melhor
desempenho. “A Degussa leva vantagem, por ser a única fabricante de
negro-de-fumo que também produz sílicas e silanos”, afirmou. As sílicas
melhoram diversas propriedades dos pneumáticos, especialmente contra
derrapagem em pista molhada, mas exigem a presença de silanos para dar
liga na massa. Ele adiantou que a Degussa poderá fabricar sílica no Brasil
conforme a evolução do mercado.
O mercado de borrachas, incluindo pneus, representa 90% da demanda
nacional pelo negro-de-fumo. Mas a produção de Paulínia desenvolve alguns
tipos que também podem ser usados na produção de plásticos e também de
tintas, principalmente para aplicações gráficas. Os tipos especiais ainda
são importados.
M. Fa.
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