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O exemplo de São José dos Campos, aliás, veio como resposta a esse
movimento, assim como outros casos de renovação com a companhia paulista,
como em Franca, por sua vez agora regulados como contratos de programa, e
não mais como concessão, cuja fiscalização passa a ser feita por agência
reguladora. Fora de São Paulo também há movimentações semelhantes, com
destaque em Santa Catarina, onde a previsão é de que muitas cidades passem
o serviço à iniciativa privada, visto que a companhia estadual daquele
Estado contava com pouco alcance no atendimento de água e esgoto. No Rio
de Janeiro, Angra dos Reis também optou por não renovar contrato com a
Cedae e, em Minas Gerais, a cidade de Sabará fez o mesmo. Ambas optaram
pela licitação à iniciativa privada.
A despeito do interesse da Abcon em aumentar a participação no mercado –
hoje suas associadas atendem a 8% dos serviços no País (210 municípios) e
a previsão é de elevar o percentual a 25% em um período de cinco a dez
anos –, o presidente Cruz Lima não toma posição de confronto com o serviço
oferecido pelas companhias públicas. Na sua opinião, “a beleza da nova lei
é ela criar o ambiente onde a competência vai prevalecer, não importando
se a empresa é privada ou estatal”. Nesse sentido, os processos de
caducidade do novo marco regulatório, com regras definidas para quem
desrespeitar os termos do contrato, são a ferramenta de proteção usada
pelas agências reguladoras. “Quem não cumprir as metas dos planos ou
infringir a lei perde facilmente a concessão”, explica Cruz Lima, também
presidente da Águas do Brasil, responsável por várias concessões no Rio de
Janeiro.
A única regra ainda não oficialmente definida pela nova lei é uma de
fundamental importância para atrair mais investimentos para o saneamento,
sobretudo os oriundos dos fundos privados internacionais, donos de
vultosos recursos disponíveis para a área. Apesar de já assegurada a
titularidade do serviço para as municipalidades, o que é assegurado pela
Constituição e reiterado pelo marco regulatório, a questão referente a
regiões metropolitanas, cujo controle poderia ser concedido aos Estados,
depende de julgamento, em ritmo de câmera lenta, do Supremo Tribunal
Federal. “Isso ainda espanta os investidores internacionais, que precisam
de regras totalmente claras para investir”, diz. A urgência na definição
tem outra explicação: os 600 municípios das regiões metropolitanas
brasileiras representam 85% do mercado de saneamento.
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Encontro debate os grandes temas do saneamento básico |
Além da oportunidade de
concentrar fornecedores de um setor com boas chances de crescimento, a
Fenasan foi também fórum importante de discussões do setor. Este
encargo coube ao 18º Encontro Técnico da Aesabesp, que ocorreu em
paralelo à feira com a apresentação de 71 trabalhos técnicos, cinco
mesas redondas e três cursos realizados durante os três dias da
exposição.
Na edição de 2007, segundo explicou o diretor técnico do Encontro,
Olavo Sachs, o cuidado foi o de trazer os temas mais importantes do
setor, sob a ótica não só brasileira como internacional. Nesse
sentido, a discussão inicial das mesas redondas envolveu a questão das
Mudanças Climáticas, na tarde do primeiro dia do encontro, que Sachs
considera fundamental para o saneamento. “As previsões de aquecimento
global vão afetar a disponibilidade de água e conseqüentemente o
saneamento”, explica. Durante a mesa-redonda foi revelado que a Sabesp
fará concorrência, entre consultorias especializadas, para criar sua
política oficial para mudanças climáticas. O assunto ganha importância
para a estatal em virtude de suas ações estarem cotadas na Bolsa de
Nova York.
Mas questões mais ligadas ao curto prazo também permearam os temas das
mesas-redondas. No segundo dia, a vez foi da gestão da automação dos
processos operacionais. A própria Sabesp foi convidada para mostrar
estudo de |
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caso da reformulação em
andamento no seu centro de controle operacional da região
metropolitana de São Paulo, no bairro de Pinheiros, na capital
paulista.“A automação no saneamento é uma tendência muito forte”, diz
Sachs. Além da Sabesp, a companhia paranaense, a Sanepar, falou sobre
o seu sistema automatizado de controle do abastecimento de água. Na
seqüência, na tarde de 8 de agosto, continuaram os temas atuais: a
gestão do uso racional de água, abordando assuntos importantes como
aproveitamento de água de chuva e medição individualizada.
No último dia do encontro, tratou-se de uma das principais
preocupações de São Paulo e outras megalópoles: os serviços ambientais
necessários para a proteção dos mananciais. Serão apresentadas
soluções para evitar a invasão de mananciais, projetos de recuperação
de áreas degradadas e a questão imobiliária que envolve o tema.
Segundo Olavo Sachs, o caso paulista é exemplar. “São Paulo tem menor
disponibilidade de água per capita do que o agreste nordestino. Em um
raio de 100 km da cidade todos os mananciais já são utilizados”,
alerta o engenheiro. Para completar o dia, um outro assunto
complementar: legislação do setor de saneamento. Uma oportunidade para
se descobrir no que o novo marco regulatório pode ajudar o setor a
enfrentar os sérios desafios que tem pela frente. |
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