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Mas mesmo a previsão otimista também está sujeita a algumas dúvidas. Para
o presidente do Sindesam, embora algumas cidades comecem a manifestar
interesse em se adequar ao marco regulatório, a maior parte das
prefeituras ainda carece de qualificação e capacitação para formular seus
planos executivos previstos na nova lei. “E para fazê-los elas precisam de
recursos para financiar as propostas de universalização do saneamento, o
que não é possível ser feito usando o PAC”, diz. Uma saída para as
prefeituras, segundo uma análise feita por consultor contratado pelo
Sindesam, seria firmar parcerias com universidades e centros de pesquisa,
que poderiam utilizar recursos de instituições como a Finep (Financiadora
de Estudos e Projetos, órgão federal) para financiar os planos diretores
de saneamento.
Negócios para todos – A mudança para melhor em gestação no
saneamento, além de significar bons negócios para os fornecedores, afeta
uma cadeia ampliada de empresas prestadoras de serviços, ao facilitar e
permitir a participação no setor de companhias públicas e privadas.
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Isso por um motivo
bastante objetivo: a lei 11.445 foi redigida de forma que oferecesse
três alternativas aos titulares do serviço, ou seja, as prefeituras,
de implementação das metas de universalização do tratamento de água e
esgoto: 1) criar uma companhia municipal; 2) publicar edital de
licitação dos serviços extensivo a concessionárias públicas e
privadas; e 3) realizar o chamado contrato de programa com empresas
públicas, que dispensa concorrências ao mesmo tempo em que depende de
aprovação das assembléias legislativas estaduais e cuja ordenação
isenta as prefeituras das regras rígidas da lei de concessões. |
Sachs: profissionais começam
a voltar a trabalhar no setor |
Esse novo panorama, aliás, faz aos poucos a Fenasan tentar mudar o seu
perfil estritamente ligado ao mercado público de saneamento, visto o
evento ser promovido pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (Aesabesp).
Para começar, segundo explica o diretor da associação, Olavo Sachs, a
partir da edição de 2007 há um esforço para internacionalizar mais a feira
e atrair visitantes da iniciativa privada, em acordo com a Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que divulgou a Fenasan entre
seus associados.
“Queremos aproveitar o bom momento para aumentar o número de visitas, que
no ano passado foi de onze mil pessoas”, diz. Com área de exposição também
ampliada em quase mil metros quadrados (2.800 m2), incluindo um grande
estande de 240 m2 da Sabesp (que em 2006 não participou por estar impedida
pela lei eleitoral), a idéia, segundo Sachs, é tirar proveito de uma época
na qual se tornou nítido o retorno dos investimentos. “Muitos
profissionais que tinham até abandonado o setor estão voltando a atuar na
área”, diz. A própria Sabesp, da qual muitos se queixam por estar
econômica nos investimentos, segundo ele, conseguiu R$ 160 milhões do PAC
para aplicar em 2007. “E é bom frisar que dos R$ 40 bilhões previstos para
o PAC do saneamento, entre 2007 e 2010, R$ 15,5 bi são para a Região
Sudeste, sendo que 52% dos recursos para cidades com mais de 1 milhão de
habitantes.”
| No caso das concessionárias privadas, que embora não tenham participado
oficialmente da feira representam um novo potencial de negócios para os
expositores, a percepção do segmento também leva a crer em futuro
promissor. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das
Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon),
Carlos Henrique Cruz Lima, apenas nesses primeiros meses com a nova lei em
vigor os efeitos indiretos já começarem a ser notados. “Temos informações
de que muitos municípios já iniciaram o contato com consultores para
elaborar seus planos diretores”, diz. |
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Cruz Lima: marco regulatório
vai “filtrar” os operadores |
Segundo Cruz Lima, já há até alguns municípios mais adiantados, em São
Paulo, como Lorena e São José dos Campos, com editais de licitação
publicados para concessão dos serviços para o mercado privado. Na outra
corrente, serve ainda como termômetro da nova fase a intensa negociação,
também no Estado paulista, da Sabesp com várias cidades para tentar
renovar os contratos de prestação de serviços. “É para responder a essas
negociações que vários municípios podem optar por criar uma companhia
municipal ou abrir licitações para a concessão privada”, explica.
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