Segundo Cuetos, testes comprovaram que a carbohidrazida da Nalco tem manipulação segura, pois conta com menor possibilidade de toxidade por ingestão ou absorção na pele. Além disso, ao contrário da hidrazina, não causa irritação nos olhos e é apenas um pouco irritante à pele. E isso não impede que o Elimin-OX se transforme em hidrazina na água, reagindo com o oxigênio e funcionando também como passivador do metal. Um “porém” da tecnologia é sua reação gerar, além da hidrazina, o dióxido de carbono. Isso pode piorar a qualidade do condensado, uma vez que a presença do CO2 gera o corrosivo ácido carbônico. A Nalco se defende afirmando que a dosagem normal de 1 ppm da carbohidrazida gera apenas 29 ppb do subproduto, não alterando o ciclo de pH do sistema. E em virtude disso o tratamento de neutralização necessário para o condensado não sofre alteração.

A outra concorrente importante, a GE, também confirma a crescente rejeição da hidrazina e a substituição por novas alternativas. Segundo Gustavo Figueiredo, embora haja ainda alguns fornecimentos do seqüestrante condensado, a meta da empresa é não comercializar o produto para novos clientes. Os substitutos principais têm sido a hidroxilamina, disponível em vários tipos, e a hidroquinona. Esta última, segundo Figueiredo, não serve para algumas aplicações, dependendo das variáveis de pH, temperatura e de residual de oxigênio dissolvido. “Mas é um bom seqüestrante”, diz. Em algumas aplicações, a GE também conta com alternativas de carbohidrazida.

Há também seqüestrantes de oxigênio para aplicações mais específicas, por exemplo em geração de vapor para a indústria alimentícia, com padrões de potabilidade, ou quando há sérias restrições com o oxigênio dissolvido. Parte do portfólio dos principais fornecedores, vale a pena destacar os casos do eritorbato de sódio e do ácido ascórbico, a famosa vitamina C. Com aplicações semelhantes, a escolha aí vai depender da forma desejada de aplicação, visto que o ácido ascórbico é líquido e fácil de estabilizar, ao contrário do eritorbato. Um caso de aplicação, na GE, foi para seqüestrar oxigênio de caldeira de alta pressão empregada na extração de proteína de soja.
         
Condensado – Embora a questão envolvendo os substitutos da hidrazina seja importante, porque representa o abandono de uma tecnologia consagrada por outras de eficiência ainda não suficientemente comprovadas na prática, há quem não considere este o tema possível de criar diferencial competitivo entre os fornecedores. E isso valeria para outros parâmetros, visto que para controle de depósitos nas caldeiras, por exemplo, quase todos receitam programas por precipitação de lodos, à base de fosfatos, sendo que no caso de altas pressões o mais comum é o chamado fosfato coordenado (com sódio e fosfato balanceado).

Da mesma forma, é quase unânime o fornecimento de polímeros especiais para controlar incrustações por escape de Ca e Mg, em médias e baixas pressões, e de Fe e Cu, em altas pressões.

Para os especialistas, o diferencial na competição entre os “tratadores” e fornecedores de soluções para controle de água para vapor, sobretudo em operações acima de 40 kgf/cm2 de pressão, se dá na chamada recuperação do condensado. É nessa etapa de tratamento dos sistemas de vapor que se torna possível o reaproveitamento do condensado como água de alimentação das caldeiras, o que representa uma economia bem-vinda em tempos de encarecimento do insumo. Há uma regra: quanto melhor o tratamento do sistema de condensado, menor será o custo da geração de vapor.

Compartilha dessa corrente de pensamento o superintendente da Kurita, José Aguiar Jr. Para ele, a base do sucesso da recuperação do condensado está na escolha certa das aminas empregadas para controlar a corrosão ocasionada pela presença de dióxido de carbono na água (na qual se transforma em ácido carbônico) e para aumentar o pH. Na Kurita, segundo explica Aguiar, há uma escolha criteriosa, principalmente entre seis grades de aminas neutralizantes, que se baseia no chamado fator de distribuição. Isso significa, em suma, conhecer a tendência de cada uma delas agir no início da geração de vapor ou já no condensado.

“O trabalho envolve criar uma blenda entre as aminas para manter o pH estável por toda a faixa de condensado ou agir mais onde há necessidade”, explicou o líder da área técnica, Antonio Ricardo Carvalho. E esse estudo para a aplicação depende da característica da condensação. “As aminas precisam acompanhar as fases do processo, ou seja, serem voláteis quando a taxa de corrosão é maior no vapor, ou líquidas, quando o risco é maior no condensado”, complementa o líder. Um exemplo de aplicação considerado clássico da Kurita ocorreu na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC), onde foi necessária uma blenda entre três aminas para manter o condensado sob proteção.
 

 
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