VAPOR

Melhora a qualidade da água dos sistemas de baixa e média pressão

Texto de Marcelo Furtado e fotos de Cuca Jorge

Caldeira de 40 kgf/cm² da Nitroquímica: água desmineralizada

Nada melhor para avaliar a evolução da indústria do que observar o movimento dos segmentos responsáveis pelas chamadas utilidades, ou seja, os encarregados pela geração ou administração da eletricidade, água e vapor das fábricas. Se as empresas de um país começam a recorrer com freqüência a novas tecnologias para aperfeiçoar seus tratamentos, isso pode ter duas causas: modernização, o que significa aumentar a produção com alternativas de geração ambientalmente mais corretas; e realidade econômica restritiva, já que esses insumos essenciais têm peso cada vez mais importante no custo total produtivo.

Esse cenário parece refletir com precisão o mercado de geração de vapor industrial, por sua vez diretamente ligado às questões da água e da energia, por ser gerado pelas duas e por ser instrumento de economia de eletricidade, por meio da co-geração. Segundo técnicos atuantes na área, é incontestável hoje o interesse da indústria nacional em melhorar o pré-tratamento da água para gerar vapor empregado no aquecimento do processo ou na geração de energia. E isso não só para garantir maior segurança à delicada operação das caldeiras, e assim atender às normas regulamentadoras, como para economizar energia e produtos químicos e, de quebra, abandonar o uso de insumos tóxicos ou poluentes.

O melhor na tendência de modernização é ela ultrapassar a barreira onde até então se limitavam os cuidados maiores da geração de vapor, ou seja, quando se envolviam as caldeiras de alta pressão, aquelas que operam a partir de 70 kgf/cm2. Por envolverem muito mais risco de explosão e paradas, em caso de má qualidade da água e do tratamento, do que as caldeiras de baixa (até 20 kgf/cm2) e média pressão (de 20 a 70 kgf/cm2), esses equipamentos, cuja água de alimentação exige desmineralização para evitar incrustação de sais, sempre receberam atenção especial. Mas o que se vê mais na atualidade, muito por causa do amadurecimento do setor industrial, cuja cara e escassa água passou a ser melhor aproveitada, é a ampliação dos cuidados também para os equipamentos menores.

“Um tratamento refinado, mesmo em equipamentos menores, vai diminuir as descargas das caldeiras, o que significa ciclos mais altos e economia de água e energia”, afirmou o gerente da GE Water & Process Technologies, Gustavo Figueiredo.

Santtavicca: baixa pressão compensa ter osmose para remover sílica

 É pensando dessa forma que a empresa de origem americana, segundo ele, vem fazendo também ofertas para aperfeiçoar o pré-tratamento de caldeiras de média e baixa pressão, baseando-se na instalação de pequenas estações de membranas de osmose reversa ou de colunas de troca iônica. As soluções físicas, já comuns no exterior, reduzem em muito o volume de produtos químicos para condicionamento da água, além de melhorar a operação das caldeiras.

Nesses casos, a GE tenta superar a renitência de alguns clientes em investir com a possibilidade de ela própria financiar as unidades, cobrando pelo serviço de tratamento ou recorrendo a contratos de aluguel ou comodato do equipamento. “Já temos casos de fornecimento e estamos confortáveis para ofertar, porque o nosso portfólio é formado tanto por equipamentos como pela venda de tratamento químico”, afirmou Maximiliano Santtavicca, do desenvolvimento de mercado da GE.

De forma geral, Santtavicca acredita que mesmo em caldeiras de baixa pressão, cuja água de alimentação demonstre muito problema de sais e principalmente alto teor de sílica, já compensa financeiramente instalar uma unidade de osmose reversa. “Além de a operação passar a ser muito mais tranqüila, sem muitas descargas e com consumo menor de energia para atingir a pressão de trabalho, cai bruscamente o consumo de dispersantes para controle de sais e de aminas para retorno de condensado”, complementa Gustavo Figueiredo.

A tendência de melhorar a qualidade da água de alimentação dos sistemas menores de vapor, em franca expansão no mundo e em menor grau no Brasil, é também percebida por outros fornecedores. Para o gerente de marketing da Nalco, fornecedora de soluções químicas para tratamento, Luis Cuetos, é cada vez mais comum ver empresas usando água desmineralizada em caldeiras, o que ele considera muito positivo mesmo sabendo da redução de volume de vendas de produtos. “Além de a química ser sempre necessária para manter a caldeira sob operação normal, também continuamos a vender os insumos para pré-tratamento da osmose reversa, o que de certa forma compensa”, diz. “E ainda procuramos vender solução para o cliente e não apenas produtos químicos, que representam no máximo 3% do custo do tratamento da caldeira.”

Na opinião de Cuetos, em geral, no Brasil, a instalação de abrandadores de troca iônica é essencial para melhorar a água de entrada de caldeiras de média e baixa pressão. “A água brasileira é boa, removendo-se o cálcio e magnésio com o abrandador de sais, meio caminho já se anda para reduzir o consumo de antiincrustantes”, explica.  O abrandamento ou então a desmineralização evita o grande problema de excesso de dosagem de dispersantes. Isso porque com o tempo o Ca e o Mg precipitam, formando lama dentro da caldeira, que precisa ser purgada com freqüência e cuja presença na superfície metálica interfere na transferência de calor, aumentando o consumo de energia.

Química necessária –Mas as vantagens dos tratamentos físicos não representam o abandono do consumo dos insumos químicos para garantir a operação segura e eficiente dos sistemas de vapor.

Para os especialistas, aliás, isso seria praticamente impossível, tendo em vista a alta criticidade no condicionamento da água em caldeiras, desde as pequenas até as consideradas de superalta pressão, com operação acima de 150 kgf/cm2. Mínimas presenças de contaminantes e oxidantes no circuito podem trazer sérios riscos à operação e, por melhor que sejam os sistemas de filtração, há vários parâmetros de controle só atingidos com a dosagem química. Para começar pelo ponto mais crítico, a água das caldeiras não admite a presença de oxigênio dissolvido, sob risco de, na sua concentração após um período de descuido, haver corrosão puntiforme (pitting), perfuradora do metal.

Figueiredo: água desmi reduz uso de dispersantes e animas
 
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