Traduzindo, Locatelli acrescenta ainda mais argumentos aos já levantados por Aparecida Campos. Entre eles, a redução do consumo de energia. Na tecnologia UV, a secagem é imediata após a exposição do material pintado a uma lâmpada de radiação. No sistema tradicional, para se apressar a secagem, exige-se o uso de estufas geradoras de calor.

Outra vantagem apontada é a ampliação de mercados, uma vez que a tecnologia viabiliza o revestimento de produtos que não poderia ser realizado com outra técnica. “A aplicação em CDs é o melhor exemplo de enabling”, diz o executivo.

Contra a expansão da tecnologia UV está o alto custo da conversão de linhas de pinturas tradicionais para UV, em virtude dos preços dos equipamentos exigidos para a aplicação deste tipo de revestimento. Segundo Locatelli, adaptar uma linha de pintura de móveis para aplicações em UV exige investimentos que vão de R$ 150 mil a R$ 300 mil, dependendo do fornecedor e da capacidade da linha.

“Hoje, nenhuma fábrica nova de móveis é montada prevendo a aplicação de tintas tradicionais. Só se investe em revestimentos UV. Mas a conversão de linhas de produção antigas ainda é lenta, em razão dos custos dos equipamentos”, diz Locatelli.

Novas aplicações - Alberto Matera, gerente de vendas e marketing da Cytec, empresa que atua no mercado de insumos fornecendo monômeros e oligômeros, chama a atenção para o fato de a tecnologia dos revestimentos UV ser ainda relativamente nova e responder por menos de 5% do mercado global de tintas. Em sua opinião, o uso da tecnologia ainda tem muito espaço para crescer, com o desenvolvimento de novas aplicações. “Expandir o mercado, incorporando novos segmentos de negócios é um foco estratégico da Cytec”, diz o executivo.

As novas aplicações apontadas por Matera estão em substratos como plásticos, vidros e metais, para uso em setores como os de repintura automotiva e indústria eletrônica. 

Matera acredita ainda que, no futuro, as tintas UV poderão também ser utilizadas em embalagens que tenham contato direto com alimentos. No momento, esta aplicação ainda não é possível, devido ao odor de matérias-primas utilizadas e também pelo risco de contágio dos alimentos por migração de substâncias.

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Mas, segundo o executivo, já existem estudos em estágio avançado que apontam para o desenvolvimento de tecnologias que permitirão este uso. “Dado o porte da indústria de alimentos, o desenvolvimento desta tecnologia pode ser um divisor de águas, ampliando significativamente o mercado de revestimentos UV”, diz Matera.
Eduardo Signorelli, gerente para a América Latina da Sartomer, empresa que é uma das principais fabricantes mundiais de insumos para UV, também aposta na expansão do mercado por meio da incorporação de novos segmentos. “É uma tecnologia que ainda está no começo de sua adolescência, com inúmeras possibilidades pela frente”, diz. Entre os mercados com grande potencial apontados por Signorelli estão o de fibras óticas, o automotivo, o aeroespacial, e o eletrônico, com superfícies anti-reflexivas para telas de computador ou TVs LCD.
 

 
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