TINTAS UV

Formulações inadequadas
afetam a qualidade e a
segurança da tecnologia

Domingos Zaparolli

Formulações inadequadas afetam a qualidade e a segurança da tecnologia

O consumo de tintas e vernizes curáveis em ultravioleta (UV) está em franca ascensão no Brasil. Segundo estimativa da RadTech South America, associação que tem como objetivo incentivar o uso da cura por radiação, o mercado brasileiro destes revestimentos cresce 15% ao ano desde 2002 e tem fôlego para continuar crescendo acima de 10% ao ano na década. O aquecimento do mercado gera oportunidades para os fornecedores de insumos. Mas o formulador brasileiro típico compra matéria-prima de olho no custo, muitas vezes sacrificando a performance do produto final.

O mercado mundial de revestimentos UV, informa Rubens Alfredo Parodi, gerente técnico da Datiquim, fornecedora de fotoiniciadores para a cura UV, é de 320 mil toneladas/ano. E cresce na faixa de 10% ao ano. Poucos se arriscam a avaliar o tamanho do mercado brasileiro de revestimentos UV. Parodi, fazendo uma relação entre consumo global e participação brasileira no PIB mundial, chega a uma estimativa de 8 a 9 mil toneladas/ano no País. “É uma referência, não um dado baseado em uma pesquisa de mercado”, ressalva o executivo.

Alguns players falam em números próximos a este, na casa de 700 a 900 mil litros mensais. Mas há também quem fale em um consumo no País de até duas toneladas/mês. A RadTech, informa sua presidente, Maria Aparecida Campos, pretende promover, nos próximos meses, uma pesquisa mercadológica e aí sim haverá uma estimativa oficial.

Por enquanto, o que se sabe, é que as indústrias de produtos de madeira, móveis e pisos são as principais usuárias da tecnologia, respondendo por mais de 50% do mercado – alguns avaliam em 70%. A segunda grande consumidora é a indústria gráfica, com algo entre 20% e 25% do consumo. Nas gráficas, as principais aplicações são em serigrafia, flexografia, off-set e ink-jet. Outros mercados para a tecnologia são adesivos, frascos de vidros para perfumes, painéis e faróis de automóveis.

A aplicação de revestimentos em UV cresce, principalmente, conquistando espaços antes ocupados por tintas à base de solventes. Segundo Aparecida Campos, a tecnologia UV apresenta uma série de características que ganharam, nos últimos tempos, um forte apelo entre os usuários. A primeira característica é ambiental. A tecnologia UV dispensa o uso de solventes, anulando as emissões do resíduo nas aplicações, com um grande ganho também na questão da saúde do trabalhador.

Outra propriedade positiva da tecnologia, destaca Campos, é a sua produtividade. A aplicação da tinta UV normalmente é feita com apenas uma demão e a secagem da tinta é instantânea, enquanto que, nos métodos tradicionais, a tinta pode levar horas para secar. A secagem rápida permite a imediata embalagem e estocagem do produto, economizando espaço físico nas fábricas.

Os revestimentos em UV também apresentam alto brilho e grande resistência à abrasão. “É uma tecnologia que prolonga a vida útil da pintura”, diz a presidente da RadTech.

Maurício Locatelli, diretor-comercial da Quiminutri, empresa fundada há três anos com foco no mercado de matérias-primas para revestimentos em UV, evoca uma expressão em inglês que ele acredita expressar as vantagens da cura por radiação, o “e5, efficient, enabling, economical, energy savings, environmentally friendly”.

 
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