De qualquer forma, ela identifica um aumento constante das exigências de desempenho dos lubrificantes. Há um crescimento, pequeno que seja, do mercado total a cada ano, abrindo oportunidades de negócios. Para os fabricantes de lubrificantes, a Clariant oferece seus produtos isoladamente ou na forma de pacotes pré-formulados. Márcia comentou que os grandes fabricantes possuem instalações e expertise para montar suas formulações. Mas pequenas e médias indústrias, muitas situadas em nichos de mercado, aceitam bem os pacotes de aditivos. “Uma possibilidade de negócios para o futuro é a venda das bases já aditivadas para nossos clientes, que pode ser interessante em muitos casos”, mencionou.

A compra de pacotes de aditivos atende a algumas das necessidades da HTS Lubrificantes, detentora da marca Molybras, atuante no segmento de produtos especiais desde 1979. A empresa investe na ampliação e adequação de instalações como parte de sua estratégia de desenvolver formulações padronizadas das linhas especiais, iniciadas em 2004. “É uma forma de ganhar escala e reduzir custos na aquisição de ingredientes, com reflexos positivos também nos itens fabricados sob encomenda”, explicou o diretor Paulo Roberto Antal. De 2004 a 2007, o faturamento cresceu perto de 30%, evidenciando a contribuição dos itens seriados.

A compra de pacotes seguirá em paralelo com a aquisição individualizada de ingredientes. No campo das bases, a empresa deixou, em 2006, de adquiri-las prontas, preferindo elaborá-las em casa. “Ganhamos flexibilidade com essa medida”, explicou Antal. As misturas de bases sintéticas são feitas para atender às necessidades dos clientes. No ramo dos especiais, muitas vezes o item custo é secundário, ultrapassado pelas preocupações de desempenho e segurança ambiental. Dessa forma, associações de polialfaolefinas com ésteres e de poliglicóis com silicones são freqüentes.

A HTS possui uma graxa certificada pela NSF no grau H1 e está em processo de certificação de outra graxa e de uma família de óleos, visando a atender às exigências dos ramos de alimentos, cosméticos e farmacêuticos. O cloreto de metileno, solvente inflamável de larga aplicação, foi eliminado das formulações, sendo substituído por solventes alifáticos hidrogenados ou sintéticos especiais, quase sempre importados.Os lubrificantes em aerossol deixaram de usar os gases clorofluorcarbonos (CFC) como propelente, passando para os caros HFCs ou para o propano. Antal comenta ter havido nos últimos dez anos uma pulverização no mercado de lubrificantes especiais, apesar de alguns recentes movimentos de concentração (como a compra da Tribotec pela Fuchs).

Antal investiu para ganhar escala e reduzir custos nos especiais

 A competitividade foi mantida com conhecimento tecnológico, controle de custos e flexibilidade para atender melhor os clientes. “Vendemos o que o cliente quer, na quantidade que ele precisa, com produções de um quilograma a 200 kg”, afirmou. Isso tira dos clientes o peso dos estoques de lubrificantes de baixo consumo e alto preço. Como entrega os pedidos geralmente em 24 horas, com máximo de 72 horas, a HTS precisa manter um estoque próprio de 400 itens estratégicos, além de contar com relacionamento intenso com fornecedores. A valorização do real perante o dólar também permitiu importar lotes maiores de ingredientes, reduzindo custos totais.

Conhecer a aplicação dos lubrificantes especiais é fundamental até para a sua formulação e preparo. Segundo Antal, o comportamento dos produtos varia conforme o tipo das bases e aditivos, a quantidade desses aditivos e o momento da sua incorporação, com diferenças importantes de desempenho.

Aditivação extrema – O óleo, mineral ou sintético, responde pela lubrificação, porém necessita da ajuda de vários ingredientes para suportar situações adversas, como temperaturas extremas e cargas elevadas sobre as superfícies. Entre os mais conhecidos estão os aditivos de extrema pressão (EP), capazes de suportar pressão muito alta sem comprometer a vida útil das partes metálicas.

A Miracema-Nuodex começou a produzir aditivos EP em 1953, o naftenato de chumbo e o óleo de baleia (cachalote) sulfurizado. Esses dois itens estiveram entre os principais produtos da companhia até o final da década de 70, quando começaram as pressões contra o chumbo e também para restringir a caça às baleias. Nas engrenagens, a associação entre o chumbo e o enxofre era benéfica por conduzir à formação de sulfeto de chumbo, um poderoso lubrificante. Em contato com o ferro, forma-se também o sulfeto férrico, com propriedades semelhantes.

O óleo de cachalote foi substituído por ésteres sintetizados com base em ácidos graxos animais, obtidos de banha de porco e óleo de mocotó. “Precisávamos de uma gordura insaturada, mas não muito.

Os óleos vegetais são insaturados demais, com baixa estabilidade contra oxidação, além de ficarem muito viscosos após a sulfurização”, explicou Rohr. O óleo de cachalote era ideal, por ser um éster formado por ácido oléico e álcool oleílico, ambos com apenas uma insaturação, nas quais se fixava o enxofre. “Era o óleo que melhor sulfurizava, aceitando 14% a 15% de enxofre, e apresentava boa solubilidade em óleo mineral”, elogiou.

Mais difícil foi substituir o chumbo, com propriedades de EP superiores às do fósforo e do próprio enxofre, segundo Rohr. O chumbo não forma liga com ferro, mas, sob a ação da alta pressão e temperatura verificadas nas condições operacionais de engrenagens e rolamentos, forma com ele um composto bimetálico que se deposita na superfície das peças, protegendo-as.

Sem poder usar mais o chumbo, a Miracema passou a buscar um sucedâneo. “Quem encontrou a resposta foi o Mendeleyev”, brincou Rohr, referindo-se ao autor da tabela periódica dos elementos.

 O bismuto se situa na coluna vizinha à do chumbo, com peso atômico apenas uma unidade superior. Suas propriedades, porém, são diferenciadas. “Embora classificado como metal, ele se comporta mais como semimetal”, explicou.  Testes realizados com apoio da multinacional SKF em 1990 confirmaram o bom desempenho do bismuto como aditivo EP para lubrificantes.

 
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