A empresa passou por uma reorganização societária em 2005, na qual a participação de 39% em poder da Clariant (da antiga Hoechst) foi absorvida, sem maiores impactos nas operações. No Brasil, a Fuchs pretendia montar uma divisão de produtos especiais e optou pela aquisição da Tribotec, concluída neste ano. “Estamos em fase de integração, que será feita a longo prazo, mantendo a linha de produtos para não prejudicar clientes”, explicou. A negociação reflete o aumento da demanda nacional por lubrificantes especiais, em particular no setor sucroalcooleiro. Segundo Ribeiro, o setor ainda é considerado conservador, mas como o apelo ambiental é muito forte, todas as etapas da produção devem manter cuidados ambientais. Daí a necessidade de reduzir descartes e tratar todos os rejeitos.

Visão semelhante tem o diretor de operações da ITW Chemical Products, Mário João Gazeta. “As usinas de açúcar e álcool passaram dos minerais para os semi-sintéticos há uns três anos e já estão começando a usar sintéticos”, comentou. Essa opção teve por pioneiros os produtores de açúcar orgânico, no qual as exigências contra contaminações são mais rigorosas.

Os sintéticos também dominam a paisagem nos produtos food grade, usados para produzir alimentos, cosméticos e farmacêuticos. A ITW mantém linha ampla de produtos com certificação da NSF, incluindo óleos, graxas e aerossóis. “A grande maioria dos produtos é sintética, feita com ésteres, poliglicóis ou polialfaolefinas”, informou. Os ésteres levam vantagem óbvia no Brasil, em especial os fabricados com dendê e soja, fornecidos por empresas locais.

Há situações extremas, que pedem alternativas igualmente notáveis. Alguns produtos alimentícios exigem passar por fornos de alta temperatura, situação parecida com os secadores de papel. “Os perfluorados funcionam bem até 300ºC e têm propriedades interessantes nessas aplicações”, disse Gazeta.

O custo elevado das bases sintéticas ainda exige misturas com minerais, formando semi-sintéticos. “Como a indústria deseja reduzir seus custos, muitas vezes a maior durabilidade dos sintéticos funciona como argumento de venda, enfatizando o custo total de manutenção”, explicou. A ITW oferece aos clientes o programa Rocol Care, uma planilha eletrônica que controla estoques, avisa o momento certo para lubrificar cada ponto, gerencia compras e pode ser usada para outros produtos, como óleos hidráulicos. “O programa também traça um roteiro diário para orientar o pessoal da lubrificação, evitando erros”, afirmou.

Um dos trabalhos desenvolvidos com os clientes é a racionalização do uso de lubrificantes. A idéia consiste em agrupar as necessidades dos vários pontos, oferecendo produtos mais abrangentes. Com isso, torna-se possível reduzir o número de diferentes graxas e óleos em estoque, ainda que exija o uso de produtos um pouco mais complexos. “Temos um óleo hidráulico que também serve para compressores”, exemplificou. Menos itens, menos estoques, menos materiais para controlar, menos chances de erro na aplicação. Torna-se uma questão de custo/benefício.Outra linha de trabalho desenvolvida pela ITW são os programas de treinamento para equipes internas de vendas e assistência técnica, e também para clientes. “Notamos que falta informação técnica nesse mercado e não há escolas especializadas em lubrificantes no Brasil”, disse Gazeta.

Márcia: seleção de lubrificantes deve ser feita por especialistas

A Clariant produz em Suzano-SP ésteres e glicóis-ésteres para lubrificantes, até mesmo customizados, complementando a linha de especialidades químicas para sintéticos, além de contar com os principais aditivos para linhas minerais. O custo do lubrificante é apontado como o principal fator de seleção de graxas e óleos, segundo Márcia Rios, coordenadora de vendas de metalworking para a América Latina. Ela salienta a importância de fazer uma adequada comparação de desempenho entre as diversas alternativas. “As diferenças são enormes, sendo possível economizar o valor de um equipamento inteiro a cada dois ou três anos apenas com o uso de um lubrificante mais eficiente”, afirmou.

Alcançar esse benefício, porém, exige conhecimento técnico especializado, capaz de proporcionar desempenho de oito a quinze vezes superior ao dos lubrificantes minerais. Como exemplo, ela cita um mancal de rolamento de laminadores siderúrgicos, cuja lubrificação pode durar até 20 mil horas com o lubrificante sintético adequado.

Mesmo nas aplicações tradicionalmente dominadas pelos minerais, as de alto volume, ou naquelas em que ocorre perda do lubrificante (caso das motoserras), os sintéticos apresentam vantagens. A principal é a de proteção ambiental. “Mesmo em amplas áreas de corte de madeira, essas pequenas contaminações minerais são indesejadas”, comentou. Essa preocupação deve ser estendida aos aditivos. A Clariant não usa antioxidantes amínicos, nem fenólicos. Em três anos, suas vendas de aditivos “ecológicos” saíram do zero para absorver 20% dos negócios no segmento.

A Clariant não conta com polialfaolefinas em seu portfólio, mas a substituição destes por outras linhas sintéticas pode ser feita na grande maioria dos casos, segundo a especialista. Em compensação, os recentes investimentos na produção de biodiesel reduziram a disponibilidade mundial de óleos vegetais e de gorduras animais, elevando os preços na cadeia produtiva. “Precisamos oferecer alternativas inovadoras para oferecer relações favoráveis de custo/desempenho para nossos clientes, incluindo a mescla de bases ou sua substituição”, explicou.

A concorrência com o biodiesel preocupa Otto Rohr, presidente da cinqüentenária Miracema-Nuodex, de Campinas-SP, principalmente quanto ao óleo de mamona. “Isso não faz muito sentido, porque o óleo de mamona é pelo menos duas vezes mais caro que o de soja e tudo o que é produzido no Brasil tem consumo imediato aqui mesmo”, afirmou. “É um produto nobre que deveria ser reservado para aplicações mais nobres.” Nos últimos anos, a produção nacional de derivados de mamona entrou em declínio por conta da concorrência com óleo e derivados hidrogenados fabricados na Índia, cuja produção de óleo chega perto de 450 mil t/ano.

Quanto ao desejo de alguns clientes por lubrificantes “verdes”, Márcia, da Clariant, afirma que eles já estão disponíveis.

Na fase atual, procura-se apenas tornar a formulação competitiva com outras linhas, incluindo misturas com água. “Compressores usam glicóis com água, exigem aditivação específica, incluindo biocidas, ingredientes também usados pelos ésteres”, considerou.Ela descarta tentativas de produzir lubrificantes universais, capazes de atender a todas as exigências de uma fábrica inteira. “Pelo contrário, o estado-da-arte é ter um lubrificante específico para cada ponto, mas isso levaria as turmas de manutenção à loucura”, afirmou. Um produto para ser multiuso deveria ser formulado para atender à condição mais crítica, um desperdício enorme para pontos menos exigentes. “O que se procura fazer é um tratamento racional das necessidades de lubrificação”, afirmou.

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