LUBRIFICANTES Sintéticos avançam na
Uma fina película depositada sobre superfícies metálicas que se tocam é capaz de evitar o atrito, ralo por onde escoa parte dos lucros das indústrias. Atrito gera calor, aumenta o consumo de energia, incrementa o desgaste das peças e multiplica o custo geral de manutenção das instalações. Para dar conta de tão execrável vilão, os óleos e graxas contam com a ajuda de aditivos químicos sofisticados. Desse conjunto de ingredientes também se exige o atendimento às normas sanitárias e ambientais, estas cada vez mais rigorosas, estimulando inovações. Outra pressão sobre os lubrificantes vem do desenvolvimento de máquinas mais produtivas e de maior porte em relação às fabricadas há dez anos. Os equipamentos freqüentemente operam em alta velocidade, com grande carga exercida sobre as superfícies de contato. Em resumo: os óleos e as graxas precisam dar conta do recado, ou seja, manter íntegra a fina película protetiva, mesmo em situações críticas. Os minerais, porém, contam com a vantagem do menor custo em relação aos sucedâneos, ainda que o petróleo teime em ultrapassar a casa dos US$ 70 por barril (Brent ou WTI). A tecnologia de produção conseguiu aprimorar seu desempenho. “Temos minerais hidrotratados e isentos de voláteis que alcançam desempenho próximo ao dos semi-sintéticos”, comentou Renata Campos, gerente-comercial de lubrificantes para a América Latina da Dow Corning do Brasil. Embora seja mais conhecida pelos derivados de silicone, a Dow Corning, há cinco anos, ampliou sua linha industrial, passando a contar com amplo catálogo de óleos e graxas, além da tradicional linha Molykote, de origem alemã, com sua química do bissulfeto de molibdênio. “Temos linha ampla, mas nos dedicamos às especialidades, com foco na resolução de problemas dos nossos clientes”, explicou.
Atenta à evolução da demanda por lubrificantes food grade, a Dow Corning investiu para oferecer produtos certificados pela NSF ao lado dos convencionais. “Para cada óleo e graxa normal, temos um tipo FG aprovado”, afirmou Renata. A base usual desses produtos é formada por polialfaolefinas. “O mercado ainda depende muito do petróleo, mesmo que ele esteja cada vez mais caro”, comentou Aldo Ribeiro, gerente de vendas da Fuchs Brasil. No entanto, ele identifica o ânimo dos clientes em depender menos dos derivados minerais, tanto pelo custo, quanto pela possibilidade de escassez mundial, mas também pela necessidade de criar alternativas tecnologicamente superiores, incluindo a proteção ambiental. Lubrificantes mais duradouros pedem trocas menos freqüentes e, portanto, representam menor volume de descartes. Esse quadro favorece o crescimento das bases sintéticas. “Os fabricantes de lubrificantes contam com várias alternativas sintéticas, mas seu custo ainda é considerado alto em relação aos minerais”, disse. Por causa do custo, a primeira fase da introdução dessas bases foi a mistura de ésteres com minerais, as linhas semi-sintéticas. Segundo Ribeiro, a superioridade dos sintéticos e a inexistência de efeitos colaterais acelerou a retirada da parte mineral das formulações. Com o aumento dos negócios foi possível alcançar vantagens de escala, reduzindo o custo desses itens. “A diferença de preços entre minerais e sintéticos está encolhendo, e as formulações se ajustam para criar alternativas com base nas moléculas já conhecidas”, informou. No caso da Fuchs, a preferência recai nos ésteres de origem vegetal, denominados de produtos convencionais isentos de óleos minerais. A idéia é reforçar a proteção ambiental. Essa linha representa 40% das vendas da companhia. Os produtos são bastante conhecidos na Europa, mas no Brasil ainda há espaço para crescer. A indústria de alimentos é voraz consumidora. A empresa compra ésteres na Europa para formular no País, contando com um pequeno percentual obtido de fornecedores nacionais. Os óleos são extraídos de várias espécies vegetais, com comprimentos de cadeia variados, capazes de conferir propriedades diferenciadas ao produto final. Clientes com novos maquinários, mais eficientes e produtivos, estimulam o crescimento dos lubrificantes especiais. Ribeiro lamenta ser rara a formação de parcerias entre produtores de equipamentos e lubrificantes, que poderiam trazer benefícios mútuos por permitir a melhor aplicação de graxas e óleos. “A indústria mecânica deveria seguir o exemplo da Ferrari, parceira da Shell, ou mesmo da Toyota, com a ExxonMobil, para obter resultados ainda melhores”, afirmou.
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