PLÁSTICOS A Braskem obteve o primeiro certificado internacional para a
fabricação de polietileno de alta densidade produzido exclusivamente
com matéria-prima renovável, no caso o etanol de cana.
“Em relação às unidades antigas, nosso processo avançou na catálise e na conservação de energia, alcançando melhores índices de conversão e escalabilidade”, explicou Manoel Carnaúba Cortez, diretor-industrial da unidade de petroquímicos básicos da Braskem, responsável pelo projeto. Segundo Carnaúba, dados obtidos no laboratório revelaram 99% de conversão do etanol, com seletividade de 97% em etileno. As impurezas que devem ser separadas antes da polimerização são compostas de água e gás carbônico. O processo consiste na vetusta desidratação catalítica do álcool hidratado. A Braskem aproveitou parte do conhecimento técnico oriundo da antiga instalação de etileno da Salgema, somando a ele os avanços conseguidos pelo laboratório próprio de catálise. Dessa forma, um reator de baixa pressão recebe o álcool hidratado, aquecendo-o na presença de um catalisador suportado em alumina. A natureza do catalisador não foi informada pelo diretor. A unidade de etileno de Alagoas era muito antiga e já foi desmontada, exigindo a construção de novas “Entramos na fase de detalhamento técnico e econômico com o objetivo de iniciar a produção comercial da resina por volta de 2009”, afirmou José Carlos Grubisich, presidente da Braskem. Dados preliminares indicam que a produção de PEAD deve ficar na faixa de 100 mil a 200 mil t/ano. Por ser um produto convencional, poderá servir a diversos segmentos consumidores, sem a necessidade de adaptação do equipamento de transformação. Será mais caro que os derivados de petróleo. “Verificamos que os clientes potenciais aceitam pagar um diferencial de 15% a 20% pelo plástico de origem renovável”, justificou. Em meados de junho, a tonelada de etileno obtida com a pirólise de nafta era avaliada em A certificação do PEAD de etanol foi feita pelo Beta Analytic, um laboratório internacional renomado na atividade. Até o momento, o projeto já consumiu investimentos de US$ 5 milhões. Os recursos necessários à instalação da desidratadora e da fábrica de PEAD poderão ser obtidos por meio de rateio entre alguns clientes mundiais e estão avaliados entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões. A localização do empreendimento não foi ainda decidida, mas deve levar em consideração o suprimento de etanol e os custos logísticos, de modo que seja bastante competitivo. No futuro, outros polímeros poderão ser produzidos com o mesmo etileno. A Braskem mantém outros projetos para uso mais intenso do álcool em seus produtos. “Estamos convertendo toda a nossa produção de MTBE, que usa metanol, para o ETBE, com etanol, tanto na Copesul quanto na Bahia, com início em 2008”, afirmou Grubisich. No total, serão 300 mil t/ano de ETBE. Esses éteres tercio-butílicos, usados como aditivos oxigenados para gasolina automotiva, são exportados para os Estados Unidos e para a Ásia. M. Fa. |
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