PETRÓLEO A iniciativa visa a promover o contato direto entre compradores e vendedores de produtos e serviços com potencial para se tornarem fornecedores da indústria petrolífera local ou melhorar os negócios de quem já vende sua produção para essas empresas. A organização e promoção do evento realizado desde 2005 ficam por conta do Sebrae-RS (Serviço de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa). São convidadas a participar as empresas submetidas aos programas de qualificação e capacitação proporcionados pelo projeto Cadeia Produtiva do Petróleo Gás e Energia. Para ordenar a operação foi criado um programa de computador, o qual permite a colocação das empresas fornecedoras e as compradoras num mesmo banco de dados. O sistema cruza as informações e mostra quem deve conversar com quem por ordem de prioridade. Os participantes recebem autorização para acessar o catálogo eletrônico residente na base de dados do Sebrae-RS e chegam à reunião com conversas pré-agendadas, mas outras negociações podem ocorrer por conta da dinâmica de grupo. Como muitas empresas produzem materiais e serviços, os quais podem
ser adquiridos entre elas mesmas, as conversas se multiplicam pela
análise combinatória proporcionada pelo programa de computador.
Bicca adianta que em novembro é intenção da entidade atrair a Porto Alegre os responsáveis pelos departamentos de compra da Petrobrás, Braskem, Petroquímica União e Riopol e abrir caminho para as empresas gaúchas alçarem vôos na cadeia produtiva nacional, como já ocorre com algumas dessas anteriormente integradas ao cadastro da Petrobras. Quem participou dos encontros ficou sabendo que de imediato a Copesul precisa adquirir peças e componentes de caldeiraria, sistemas e mão-de-obra voltados ao tratamento térmico, pacotes completos de pintura, incluindo material e recursos humanos, torqueamento e manutenção elétrica industrial. A Innova se interessa por material de manutenção em geral, tubos, conexões, mangueiras, juntas, parafusos, usinagem, vedações, produtos químicos, embalagens, pallets, acessórios de informática, material de laboratório, jaquetas de lã e serviços de gráfica expressa. É sortida e instigante a lista da Refap para quem atua na indústria química. Engloba fórmulas de processo de refino, tais como carbonato de sódio de pH, inibidor de oxidação, pentóxido de antimônio, antiespumante, ácido sulfúrico a granel, sulfato de alumínio, reagentes, vidraria laboratorial, cloro cilindros de 900 quilogramas, dietilamina e ácido sulfúrico a 78%. A refinaria irá adquirir ainda materiais de serviços gerais e elétricos, tambores metálicos, barra roscada, porcas, conexão de aço-carbono, tela-arame, lençol plástico, serviços de manutenção industrial, manutenção de sistemas de ar condicionado, montagem industrial, estruturas metálicas e usinagem, entre outros. Para se ter uma idéia do volume de negócios em potencial, a Refap funciona como carro-chefe das rodadas e consumiu R$ 84 milhões em produtos e R$ 124 milhões em serviços em 2006. A demanda foi atendida por mil e 600 fornecedores, dos quais 50% correspondem a firmas com sede em território gaúcho. Em 2007, como haverá uma parada de uma unidade, o orçamento somente de serviços chega a R$ 200 milhões e nos próximos anos a agenda de manutenção prevê diversos eventos. As paradas de manutenção acontecem durante 60 dias, período em que as empresas reduzem alternadamente seu processo de trabalho para a execução de reparos nos equipamentos. No final do ano passado, após inaugurar a nova unidade de ampliação, a Refap realizou uma parada nos equipamentos antigos. O serviço ficou a cargo de uma empresa de Pelotas, que efetuou consertos em tubulações e montagem de projetos de engenharia na parada de manutenção das unidades de destilação atmosférica e destilação a vácuo. A próxima parada deverá ocorrer na virada deste semestre e corresponde à unidade 3 da área antiga de refino e responsável pelo craqueamento catalítico. Ainda assim, a presença de empresas do exterior é expressiva. Em algumas situações, elas ganham a concorrência porque detêm pontualmente algumas vantagens competitivas como alguns tipos de válvulas e tubulações as quais recebem o petróleo numa etapa do refino em que o produto circula a 400 ºC. No caso do petróleo nacional, além do fator temperatura, existe outro elemento degenerativo de materiais, a denominada corrosão naftênica. O fenômeno promove a perda de espessura de qualquer tubulação e exige substituição a cada quatro anos. A solução é fundir as peças no chamado aço inox código 317L - 100% maciço. Na mais recente concorrência internacional, o Brasil tinha dois fornecedores qualificados, mas uma empresa da Alemanha, com toda a logística envolvida e diferença cambial, conseguiu colocar os equipamentos no País com preço mais baixo por uma questão de escala de produção. Como informa Eduardo Kisek, da área de contratos e compras da Refap, a aquisição de produtos e serviços em geral está previamente planejada, mas durante as paradas de manutenção surgem complexidades imprevistas e muitas demandas podem exigir contratos novos, sempre obedecendo às normas de licitação das empresas públicas. “É esse o grande desafio das empresas brasileiras na cadeia produtiva. Muitas estão qualificadas, mas ainda não conseguem produzir em volume suficiente para promover guerra de preços”, reconhece. Kisek
reforça que a atualização tecnológica em refinarias é complexa.
Para Luiz Gustavo do Amaral Pires, da área de análise de contratos da Petroquímica Triunfo, a rodada de negócios é importante porque a cadeia produtiva tem a possibilidade de capacitar pequenos empreendimentos a adotarem práticas de empresas mais complexas e de maior porte, de tal forma que se qualifiquem como fornecedores. “O vendedor apresenta uma peça com uma determinada configuração. Aí mostramos que se fizer de uma outra maneira ele se qualifica a entrar no cadastro e muitas vezes ele nem precisa investir em novos ativos, apenas melhorar o processo para se tornar um fornecedor da petroquímica”, observa Pires.
Os 10% adquiridos fora ficam por conta da manutenção de grandes equipamentos normalmente realizada por empresas contratadas em São Paulo ou com a vinda ao Brasil de algum supervisor do fabricante do exterior para comandar equipes próprias da Petroquímica Triunfo. Numa intervenção de parada esse procedimento é importante como forma de conferir chancela técnica às desmontagens, montagens e trocas de peças de equipamentos complexos e críticos. A Petroquímica Triunfo quer adquirir sistemas de hidrojateamento com mais de mil quilogramas de pressão, trocadores de calor, usinagem de pratos de engraxamento, serviços de riscos com resgate em espaço confinado e fabricação de peças de alta precisão. A próxima rodada de negócios acontece em outubro por ocasião da Mercopar, a maior feira de subcontratação industrial da América Latina. |
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