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Elaine diferencia duas vertentes de mercado supridas com base no amplo arsenal tecnológico desenvolvido pela companhia internacional. A primeira é sensível apenas a custos, exigindo adaptar formulações com o objetivo de satisfazer a necessidade econômica do cliente, sem prejudicar demais a qualidade dos revestimentos. A outra é formada por necessidades especiais de desempenho ou de atendimento a normas internacionais.
Ela considera essa tecnologia como avançada, capaz de proporcionar alto brilho e resistência aos revestimentos, sendo compatível com sistemas de alta produção e velocidade na linha, além de reduzir custos. Porém, o alto brilho não é bem-visto pelos decoradores de ambientes. “Existem formulações para se obter acabamentos foscos, coloridos e até acetinados no sistema UV”, informou. Cada madeira pede cuidados específicos. Cada cliente tem suas exigências. Essas complicações somadas explicam o fato de a Renner Sayerlack contar com mais de dez mil itens na linha de produtos. A Renner e a Sayerlack, dois grupos nacionais, uniram-se em 2001. Recentemente, a área de tintas imobiliárias decorativas foi vendida ao grupo PPG. Em Minérbio, a empresa possui fábrica de tintas base água há três anos e, em fevereiro, inaugurou sua segunda linha fabril, para produtos com base solvente. Antes disso, a fábrica de Cajamar-SP abastecia o mercado europeu. “As exportações a partir de Cajamar devem enfocar mais o mercado norte-americano”, afirmou Coelho, ressaltando a importância estratégica e comercial de contar com fabricação na Itália. “Já somos o quarto colocado no ranking daquele país em apenas três anos de atuação.” Minérbio tem estrutura para pesquisas e também abastece o mercado russo. A empresa também conta com unidades fabris no Chile e no México. A unidade de High Point, na Carolina do Norte, além da função comercial (nos EUA há quatro distribuidores da Renner, fora as operações canadenses, muito ligadas aos produtos base água), também apóia o desenvolvimento de acabamentos dentro das exigências locais.
A diretora-técnica da Renner Sayerlack resume as preferências dos principais mercados: os EUA concentram pedidos nas linhas de alta camada, em especial fundos e acabamentos de nitrocelulose, ou acabamentos de poliuretano bicomponente. Na costa oeste, os pedidos de produtos base água são maiores, o mesmo acontecendo no Canadá. “As preocupações ambientais são maiores nessas regiões”, explicou. Na Europa, a procura por linhas com base aquosa é predominante, com algumas aplicações relevantes de sistemas com solventes. Uma tendência de mercado, reforçada pelo apelo ambiental, é a formulação de sistemas de base água. “O UV também tem muito mercado para conquistar”, afirmou Cristina. Ela salientou a recente introdução de produtos curáveis a UV para pisos, capazes de oferecer acabamento de elevada resistência e aspecto estético. A empresa lançou na última Feira da Construção (Feicon), em abril, um revestimento de base aquosa capaz de atender aos requisitos da legislação européia que entrará em vigor em julho. Aplicado sobre o piso de madeira devidamente instalado, o produto confere alta resistência a riscos, secagem rápida, baixa toxicidade e brilho moderado. “Obtém-se um semibrilho com aspecto próximo ao da madeira natural, mas a vantagem é poder ingressar no ambiente logo após a secagem, sem problemas com odores fortes”, comentou. A indústria de pisos é um dos segmentos mais promissores da indústria madeireira. Além dos tacos e tábuas convencionais, os pisos engenheirados, blocos laminados perfeitamente lapidados e cortados com encaixe macho-fêmea, despontam como alternativa de alto desempenho e custo satisfatório. Muitas vezes, os fabricantes usam núcleos de pinheiro revestidos com madeiras nobres. Alguns pisos são feitos de madeira reconstituída por pressão ou com aglutinantes. Nesses casos, é possível imprimir os veios de madeira sobre um fundo claro, reproduzindo o aspecto da madeira natural, protegendo o desenho com um verniz de alta resistência.
A concorrência nos revestimentos para madeiras tem crescido, a ponto de os grandes fabricantes já identificarem até setenta empresas concorrentes, com graus de sofisticação e preço variados. O segmento de pisos, com requisitos rigorosos de desempenho, atrai menor quantidade de interessados. “Apenas quatro a cinco companhias dominam a tecnologia de tintas e vernizes para pisos”, afirmou Fábio Fortes, da Akzo Nobel, com forte presença em indústrias exportadoras de materiais de construção (janelas, portas, pisos, molduras e outros itens). Os produtos reconstituídos podem receber revestimentos superficiais na fase final de produção, a exemplo de compostos melamínicos e até de policloreto de vinila. “Dependendo do revestimento escolhido, elimina-se a pintura posterior”, comentou Elaine Guedes. Esses materiais são aplicados por pressão elevada sobre a superfície das chapas de madeira reconstituída, e são muito usados em cozinhas e banheiros, embora sejam atacados pela umidade, que atinge a madeira através das arestas. As chapas nuas são o melhor mercado para a indústria de tintas, consumindo fundos e acabamentos. “Mesmo quando a chapa recebe lâminas de papel na superfície, o chamado finish foil, ainda é possível realizar uma pintura posterior”, informou Elaine. Mobiliário qualificado – No setor moveleiro, várias dificuldades técnicas foram vencidas ao longo dos anos para oferecer os efeitos desejados pelos compradores. As tradicionais lacas formuladas com nitrocelulose, usadas em móveis infantis, cozinhas e escritórios, ainda têm mercado no Brasil, mas principalmente nos Estados Unidos, onde é padrão de mercado. “Hoje é possível oferecer a aparência da laca com sistemas curáveis por radiação UV ou com poliuretano bicomponente, muito resistente e de baixo custo total”, explicou Elaine. No passado, ela se recorda dos problemas encontrados para usar sistemas pigmentados nas linhas UV, resolvidos com o uso de fotoiniciadores e de lâmpadas mais potentes. A tecnologia dos equipamentos de aplicação e cura também melhorou e passou a tratar peças de geometria antes considerada de difícil tratamento. Na composição das linhas UV ainda predominam os epóxis, mas os poliésteres e as uretanas começam a ganhar espaço, dependendo do tipo de aplicação. |
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