|
O estudo da Abraf comprova que, apesar do vigoroso crescimento dos painéis e chapas, os maiores consumidores de madeira são a fabricação de celulose e papel, seguida pelo carvão, este consumido em fornos siderúrgicos e alguns sistemas de aquecimento industrial. A entidade reúne os maiores plantadores de florestas, responsáveis por 63,6% da área total de 5,4 milhões de hectares desses cultivos, a sétima maior do mundo. Espécies de eucalipto e pínus dominam largamente essas florestas plantadas, mas se registra a ocorrência de 370 mil ha de outras plantas, a exemplo da acácia e da teca. Em 2006, as exportações de madeira serrada e compensados de pínus, e as de painéis reconstituídos de todas as origens (até mesmo de madeira nativa) somaram US$ 888 milhões em 2006, apoiadas pela grande competitividade da produção florestal. O consumo mundial, em especial dos compensados, está em franca expansão, segundo a Abraf. Por isso, as associadas pretendem investir R$ 11 bilhões até 2010 em todas as etapas do ciclo produtivo florestal, sem considerar as unidades de celulose e papel em construção e as já anunciadas para os próximos anos. Revestidos de tecnologia – Com o objetivo de atender aos requisitos dos compradores de produtos florestais, a indústria brasileira de revestimentos investiu na atualização tecnológica. Dessa forma, os exportadores podem agregar valor aos produtos, vendendo itens mais elaborados para seus clientes. Atualmente o vilão da cadeia produtiva de produtos florestais é o real supervalorizado. “Há quem prefira vender toras de madeira brasileira para a China, que as processa e depois revende laminados e até móveis prontos para os Estados Unidos com preço mais baixo que o dos produtos brasileiros”, lamentou Reinaldo Coelho, diretor da Renner Sayerlack, indústria nacional líder no mercado de vernizes e tintas para madeira. Algumas regiões produtoras de móveis entraram em colapso, com várias fábricas deixando a atividade. “Quem sobreviveu ficou mais forte e agora está readequando linhas de produtos e aumentando volumes de produção”, considerou. Além do câmbio, há vários outros problemas, como impostos e custos logísticos.
A explicação está ligada ao avanço da técnica de cura por radiação ultravioleta (UV). Formulações geralmente com base em resinas epóxi modificadas com derivados acrílicos são espalhadas sobre superfícies de madeira preparada em companhia de fotoiniciadores de reação. Essa superfície é submetida à radiação UV emitida por lâmpadas especiais, desencadeando a reticulação da resina que forma um filme de alta resistência e adesão sobre o substrato. Essa película apresenta espessura algumas vezes menor que a das tintas líquidas convencionais secadas ao ar ou estufa. As tradicionais seladoras à base de nitrocelulose perderam mercado, em favor de poliuretanos, de mais fácil aplicação. Ao mesmo tempo, os móveis modernos passaram a ser confeccionados no todo ou em partes de outros materiais, como vidro, aço inox e plásticos, ou com cobertura de tecidos, reduzindo a participação de madeira. “Um erro comum no mercado é olhar para o preço da lata de tinta em vez de comparar o custo total de aplicação por metro quadrado de superfície”, observou Elaine Guedes, gerente de pesquisa e desenvolvimento para tintas industriais para madeira da Akzo Nobel. A madeira exige o preenchimento de poros e defeitos superficiais, antes do acabamento. Dependendo do sistema escolhido, cada uma dessas etapas pode exigir mais ou menos demãos, intercaladas por lixamento.
Muitas vezes escolher o verniz mais barato exige adotar sistemas mais complexos e custosos. |
|||||||
| <<< Anterior | |||||||