Água e ultravioleta
dominam os acabamentos
da indústria de madeira

Texto de Marcelo Fairbanks e fotos de Cuca Jorge

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Conhecida desde a Anti­guidade, a madeira exige acabamentos especiais para manter por longos períodos sua beleza e integridade, desafiando as intempéries e os agentes biológicos. Muitos profissionais do setor sali­en­tam as dificuldades en­contradas para cobrir a superfície da madeira e acompanhar suas deformações naturais, além da característica de variação dimensional pela presença de umidade. Para a felicidade geral, a tecnologia oferece alternativas para proteger e até melhorar a aparência de produtos florestais, com custos e vantagens variadas.

País com largas extensões de terras florestais e reflorestáveis, o Brasil é apontado como a meca da indústria madeireira mundial. Nem sempre os dados confirmam a indicação. No passado não muito distante, a exploração desordenada de recursos naturais colocou no País o triste rótulo de devastador ambiental. Nessa época, a exportação de toras ou semi-acabados de madeira bruta de altíssima qualidade, obtidos com o abate de árvores nativas centenárias, como jacarandá, mogno e cerejeira, eram constantes. As recentes pressões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a conscientização setorial mudaram o quadro. Embora ainda exista a produção lastreada em madeira nativa, ela se tornou restrita e fiscalizada. Em compensação, o uso de madeiras de reflorestamento (pínus e eucalipto, principalmente) cresceu, sendo acompanhado de novas tecnologias de compensados, aglomerados com resinas sintéticas e painéis elaborados com fibras prensadas.

A disponibilidade desses materiais alternativos às madeiras nobres é crescente no Brasil. Durante a década passada, a sua capacidade produtiva praticamente duplicou, segundo dados do BNDES. Além de reduzir os ataques às florestas naturais, eles são muito bem-aceitos pelos grandes centros importadores de produtos de madeira, os Estados Unidos e a Europa, regiões com produção florestal declinante. A Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa) calcula em 5,2 milhões de metros cúbicos a capacidade produtiva nacional de aglomerados, chapas de fibra e MDF. A produção em 2005 foi de, respectivamente, 2.820 mil m³, 610 mil m³, e 1.760 mil m³.  A evolução do MDF é impressionante, até pelo fato de a produção nacional ter começado apenas em setembro de 1997.


Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), reunidos em relatório estatístico de 2007 (base 2006), salientam o forte crescimento da produção e consumo de painéis reconstituídos, alavancados pela indústria moveleira, chegando a produzir 4,4 milhões de m³, para um consumo nacional de 4,3 milhões de m³. O setor de painéis cresceu 25% nos últimos seis anos e há anúncios de investimentos produtivos nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná (para MDF) e Santa Catarina (MDP). A produção de compensados de pínus apresentou recuo de 3,5%, explicado pela variação cambial. A maior parte dos 2.375 mil m³ produzidos em 2006 tomou o rumo das exportações, tradicionalmente o maior destino, ficando o mercado interno com apenas 639 mil m³.

 
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