Condições para o ensaio - Durante o desenvolvimento (fase de definição de ativos e matérias-primas), os ensaios de estabilidade devem ser realizados sob condições que possibilitem a obtenção de informações sobre a estabilidade do produto no menor espaço de tempo. Portanto, o acompanhamento de amostras acondicionadas e armazenadas em condições que acelerem as possíveis mudanças é recomendado. Porém, condições extremas devem ser evitadas. O desejado é que se provoque a aceleração do envelhecimento, que ocorreriam com o produto ao longo do tempo e não a sua degradação.

Os estudos ocorrem sempre na seqüência (preliminares, acelerados e de prateleira) e têm por objetivo acompanhar o produto/formulação em etapas, buscando evidências que possibilitem concluir sobre o perfil de estabilidade do produto.

Recomenda-se que as amostras para avaliação da estabilidade sejam acondicionadas em frasco de vidro neutro, transparente, com tampa que garanta uma boa vedação evitando perda de gases ou vapor para o meio. A quantidade de produto deve ser suficiente para as avaliações necessárias. Se houver incompatibilidade conhecida entre componentes da formulação e o vidro, o formulador deve selecionar outro material de acondicionamento. O emprego de outros materiais fica a critério do formulador, dependendo de seus conhecimentos sobre a formulação e os materiais de acondicionamento.

Deve-se evitar a incorporação de ar no produto durante o envase no recipiente de teste. É importante não completar o volume total da embalagem permitindo um espaço vazio (head space) de aproximadamente 30% da capacidade do frasco para possíveis trocas gasosas.

Um teste em paralelo com o material do acondicionamento final é recomendado, antecipando-se, assim, a avaliação da compatibilidade entre a formulação e a embalagem.Para a realização dos ensaios devem ser considerados os locais de produção e comercialização, bem como as condições de transporte às quais os produtos serão submetidos.

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Amostra de loção cremosa em fase final de teste de Shel Life. Existe separação nítida da fase oleosa, o que mostra que o prazo de validade estima está além do adequado ao produto

A temperatura é outro fator importante. Pode ser: ambiente monitorada; elevada, em estufa à temperatura de 37, 40, 45 ou 50ºC, com variações de + ou – 2ºC; ou baixa, em geladeira à temperatura de 5 + ou – 2ºC ou em freezer, à temperatura de -5 ou -10ºC + ou – 2ºC.

A exposição à luz também deve ser considerada, uma vez que a luz altera significativamente a cor e o odor dos produtos, e pode levar à degradação alguns ativos da formulação. A fonte de luz pode ser natural (exposição à luz solar em vitrines específicas para esta finalidade) ou artificial, utilizando lâmpadas que simulem a radiação solar. Pode-se também realizar a estabilidade à luz ultravioleta.

Outro ponto são os ciclos de congelamento e descongelamento. Nesta condição, as amostras são armazenadas em temperaturas alternadas, em intervalos regulares de tempo. O número de ciclos é variável. Os limites sugeridos são: ciclos de 24 horas à temperatura ambiente, e 24 horas a –5 ± 2ºC; ciclos de 24 horas a 40 ± 2ºC, e 24 horas a 4 ± 2ºC; ciclos de 24 horas a 45 ± 2ºC, e 24 horas a –5 ± 2ºC; ciclos de 24 horas a 50 ± 2ºC, e 24 horas a –5 ± 2ºC.

Ensaios preliminares - Conhecido como teste de estabilidade acelerado ou triagem, o ensaio preliminar tem por objetivo avaliar interferências e possibilitar ao formulador a escolha de um sistema estável.

O estudo consiste na realização do teste na fase inicial do desenvolvimento do produto, utilizando-se diferentes formulações de laboratório e com duração reduzida. Emprega condições extremas de temperatura com o objetivo de acelerar possíveis reações entre seus componentes e o surgimento de sinais que devem ser observados e analisados conforme as características específicas de cada tipo de produto.

 
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