Serve ainda para orientar a forma de acondicionamento do produto, auxiliando na escolha do material a ser usado na embalagem. Permite também a criação de um banco de dados e conhecimento para o aperfeiçoamento de formulações e gera informações confiáveis sobre o comportamento do produto e de suas condições organolépticas, físico-químicas e microbiológicas.

Muitos são os fatores que influenciam a estabilidade dos produtos. Desde os componentes e os processos de fabricação até as formas de acondicionamento e transporte. Conforme sua origem, pode-se dividir em duas classes de fatores: intrínsecos e extrínsecos.

Os intrínsecos são determinados por fatores inerentes à formulação, ou seja, relacionados à sua própria natureza e à de seus componentes. Há a incompatibilidade física, observada por meio de alterações como separações de fase, alterações de cor, formação de precipitados e cristalização. Também há a incompatibilidade química, que pode se apresentar por diversas formas: oxidação (ou óxido-redução), pH, incompatibilidade entre ingredientes da formulação e material de embalagem, incompatibilidade entre componentes da formulação ou hidrólise de componentes.

Já os fatores extrínsecos, ou externos, são vários. Entre os principais está o tempo, uma vez que o envelhecimento de um produto pode levá-lo a alterações físico-químicas, microbiológicas e até toxicológicas. A temperatura à qual o produto está exposto é outro fator importante. Ela pode acelerar, retardar ou causar instabilidade em um produto, sendo decorrente de problemas de processo de fabricação, acondicionamento e transporte inadequados. Outro fator é a umidade, que pode trazer alterações físicas e microbiológicas ao produto, alterando seu volume, tornando-o pegajoso, ou amolecido. Observam-se alterações significativas em preparações sólidas.

Na relação de fatores extrínsecos, também há a questão da presença de luz e oxigênio, que podem acelerar processos oxidativos, interferindo nas características do produto e muitas vezes em seu ativo. As embalagens, nesses casos, devem ser avaliadas.
Também deve ser levada em consideração a vibração, que ocorre principalmente no transporte, muitas vezes associada à temperatura. A vibração pode gerar problemas como compactação, separação de fases de emulsões delicadas e perda ou ganho de viscosidade.

A atividade microbiana é outro fator extrínseco, pois muitas vezes interfere no comportamento do produto. Mesmo utilizando sistemas de fabricação que considerem as “boas práticas” o produto necessitará ser protegido ao longo de seu uso.

Por fim, a embalagem, além de ser veículo de venda e fator decisivo na escolha do consumidor, deve acondicionar o produto de forma segura ao longo de sua vida. A interação produto x material de embalagem é fator decisivo de sucesso.

Como referência, há uma monografia da International Federation of Societies of Cosmetic Chemists (IFSCC), onde o teste de estabilidade é considerado um ensaio preditivo, baseado em dados obtidos na avaliação de produtos submetidos a condições que visam acelerar alterações possíveis de ocorrer em condições de mercado. O que indica claramente que os resultados não são absolutos, mas são uma ótima referência.

Mas, para realizar o estudo de estabilidade, a grande maioria dos profissionais da indústria de cosméticos segue as orientações do Guia de Estabilidade para Produtos Cosméticos, publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As propostas existentes neste guia foram coletadas com os profissionais atuantes na área, que adaptaram as regras existentes da indústria farmacêutica para a indústria cosmética.

No guia, a Anvisa busca orientar de forma racional os profissionais de desenvolvimento e qualidade, recomendando os ensaios que acompanharão o produto desde o seu desenvolvimento até o término de seu prazo de validade.

Os aspectos observados em um estudo de estabilidade são: os físicos, considerando-se sempre as propriedades originais do produto; os químicos, que devem ser mantidos dentro dos parâmetros ou faixas especificadas para que possam garantir a estrutura química do produto e sua funcionalidade; e os aspectos microbiológicos, que devem ser mantidos dentro das faixas parametrizadas, as exigidas para os produtos e para seu uso seguro.

Esses aspectos garantem a segurança e a funcionalidade do produto, desde que corretamente especificados e estabelecidos conforme a utilização da formulação e aspectos de uso.

 
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