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CLORO-SODA
Carbocloro investe para
crescer 40% até 2008
Depois de muita especulação, a Carbocloro finalmente divulgou seus planos
de expansão da capacidade de produção de cloro-soda em Cubatão-SP. Para
ampliar a unidade em 40% até maio de 2008, são investidos mais de R$ 250
milhões, 30% deles vindos de recursos próprios e 70% financiados pelo
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com obras já
em curso, a capacidade anual de produção de cloro passará das atuais 253
mil t para 360 mil toneladas.
Segundo o diretor-comercial
da Carbocloro, Aníbal do Vale, a tecnologia empregada será a de
membranas, com maior eficiência energética e menor impacto ambiental
do que as células eletrolíticas atuais, de diafragma de amianto e de
mercúrio. O fornecedor também está definido: o grupo alemão-italiano
Uhde Nora.
A decisão pela tecnologia atende não só o bom senso da engenharia,
tendo em vista que as membranas não contam com insumos nocivos além de
serem mais eficientes produtiva e energeticamente, mas também a
própria legislação brasileira. |
Cuca Jorge |
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| Vale: ampliação usa tecnologia de membranas da Uhde Nora |
Uma lei federal exige que expansões do setor sejam
feitas apenas com tecnologias isentas de mercúrio e amianto. É bom
ressaltar ainda que, mesmo com a expansão, a área produtiva crescerá
apenas 5%, em razão de as novas células serem compactas. Os novos
equipamentos serão instalados em espaço já utilizado pela empresa para a
produção.
Com unidade de dicloroetano (DCE) interligada à produção de cloro, parte
da expansão será destinada a continuar a fabricação do insumo principal do
PVC. Para isso, informa Aníbal do Vale, a Petroquímica União (PqU),
central paulista de matérias-primas petroquímicas, já garantiu o
abastecimento de eteno. O outro aspecto positivo da expansão é a
Carbocloro poder aproveitar melhor o crescente mercado de soda cáustica,
cujo déficit da balança comercial brasileira já ultrapassa as 600 mil
toneladas/ano em virtude do consumo explosivo na produção de alumínio e de
papel e celulose.
Um outro projeto complementar é a implantação de hidrovia no Rio Cubatão,
para ligar a fábrica ao porto de Santos. Por aí será transportado, por
meio de barcaças, o sal empregado no processo eletrolítico da cloro-soda.
A Carbocloro recebe atualmente 440 mil toneladas de sal grosso por ano,
vindos do Rio Grande do Norte, e no fim da expansão consumirá em torno de
610 mil toneladas. Com a hidrovia, as barcaças atravessarão o estuário e o
rio por um percurso de 11 quilômetros.
Aprovada em audiência pública, com previsão de conclusão em 2009, a
hidrovia vai gerar quase 200 novos postos de trabalho durante a construção
e reduzirá em 50 mil o número de viagens anuais de caminhão pelas estradas
da região. Além disso, a substituição do transporte diminuirá em seis
vezes a emissão de CO2 e em dezoito vezes a de NOx, contribuindo para a
redução da poluição na Baixada Santista e na melhoria do trânsito local.
Com a atual expansão, a produção de cloro da Carbocloro terá crescido 22
vezes desde a instalação da fábrica em 1964. Faz parte também de
levantamento estatístico da empresa o fato de ter investido 103 vezes em
modernizações nesses 42 anos, o que incluiu, além de melhoria e
aperfeiçoamento de processos, o desenvolvimento de projetos
socioambientais e aumentos da capacidade de produção. Neste último
aspecto, chama a atenção a área verde mantida pela empresa no sítio
industrial de Cubatão. Enquanto a área industrial ocupa 101.062 metros
quadrados, a reserva de Mata Atlântica preservada corresponde a mais de
seis vezes este espaço, totalizando 650.000 m2. Neste local, a Carbocloro
mantém dois projetos, outorgados pelo Ibama: a Reserva Particular de
Patrimônio Natural (RPPN), único espaço como este mantido por uma
indústria química em São Paulo, e o Criadouro Conservacionista, um núcleo
de reintegração de animais à natureza e de abrigo das espécies silvestres
sem condições de sobreviver em liberdade. M. Furtado
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